quinta-feira, 30 de abril de 2026

DR. DEMOSTHENES DA SILVEIRA LOBO

 

Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

 

Demosthenes da Silveira Lobo era filho de Manoel Lobo de Miranda Henriques (1799-1856) e de Ana Norberta da Silveira (1806-?). Nasceu em meados de 1839 no Engenho das Tabocas, em São Lourenço da Mata, Pernambuco. Foi casado com dona Francisca Teixeira Peixoto (1839-1924), filha de Manoel Teixeira Peixoto e de Anna Teixeira Peixoto, sendo da família do 2º presidente da República, marechal Floriano Peixoto. Era ele, aliás, irmão do propagandista da República e ministro do Interior do governo provisório, Aristides da Silveira Lobo (1838-1896).

Bacharel em Direito, foi nomeado para a direção da Diretoria-geral dos Correios em fevereiro de 1892. Foi juiz substituto em São Sebastião do Paraíso, nomeado em meados de 1902. Em 19 de março de 1904, Dr. Demosthenes foi nomeado juiz municipal da Vila de Guaranésia, cargo que ocupou até meados de 1911, quando permuta o cargo com o Dr. Theodolindo Pereira Lima, indo para Monte Santo. No plano social, foi ele um dos protagonistas na construção da Santa Casa de Misericórdia de Guaranésia, ao lado do cônego Samuel Fragoso, em cerca de 1909.  

Em Jaú, às 6h do dia 2 de julho de 1913, faleceu na residência de seu filho, Aristides Lobo Sobrinho, ex-prefeito de Monte Santo.

Segundo o jornal, O Paiz, edição de 3 de julho de 1913, “De uma família republicana, os seus serviços ao regimen foram os de um convicto jurista, os seus trabalhos que a Revista Jurídica tornou conhecidos, deram-lhe renome, e o governo de Floriano o havia nomeado para o Supremo Tribunal Federal, onde não entrou por ter o governo de Prudente de Moraes acreditado que a sua intransigência politica era, no momento, uma difficuldade insuperável”.

A indicação ao Supremo deu-se em outubro de 1894, ao lado do general Francisco Raymundo, Ewerton Quadros, Américo Braziliense de Almeida Mello, Fernando Luiz Osório e Américo Lobo Leite Pereira. Desta lista, ingressaram na Corte, após a sabatina do Senado Federal, Américo Braziliense e Américo Lobo. Seguiu carreira como juiz até o seu falecimento.

De seu casamento, deixou os seguintes filhos: Aristides Sobrinho, Francisca, Demosthenes Júnior, Thereza de Jesus, Maria Thereza, Manoel, Gabriella e Adelaide.

Abaixo, tem-se o termo de posse do Dr. Demosthenes como juiz municipal da vila de Guaranésia, Comarca de Monte Santo.



quinta-feira, 2 de abril de 2026

SANICO: DOMICIANO CUSTÓDIO DIAS FILHO

 

Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Retrato de Sanico, restaurado com IA.

Filho de Domiciano Custódio Dias (1841-1872) e de Maria Custódia Ramalho (1846-1912), era neto paterno de Joaquim Custódio Dias (1800-1879) e de Luzia Delphina da Silva (1806-?), e neto materno de Custódio José de Souza Moreira (1789-?) e de Ana Alves de Araújo (1823-?).

Nasceu aos 20 de março de 1870, em Santo Antonio do Machado. Seu assento de batismo foi lavrado exatamente três meses depois, pelo padre José Antonio Martins, sendo padrinhos Hermógenes Ribeiro da Silva e Mariana Custódia da Silva.

Seu avô paterno foi proprietário da vasta fazenda da Lage, em São Sebastião da Boa Vista, hoje Mococa. Sanico, como era conhecido, casou-se em primeiras núpcias com Theolinda Costa Pereira, filha de Antonio Costa Pereira (1834-1904), proprietário da fazenda Pessegueiro, e de Francisca Rosa de Jesus (1840-1903). O casal teve dois filhos, Maria Costa Dias e Antonio Costa Dias. Ela faleceu em 20 de janeiro de 1903.

Sanico casou-se em segundas núpcias no dia 12 de maio de 1908, em Cajuru, com Maria Marques, nascida em São José do Rio do Peixe, em 27 de maio de 1885, filha de José Marques Limedi e Maria Ritta. O casamento foi celebrado pelo padre Nicolau Paraggio e foram testemunhas o major Aubertin Nogueira e Francisco Marques Limedi. O casal teve os filhos: Clóvis, Odette, Anadir, Alcina, Walter, Ofélia, João, José Marques Dias e Maria de Lourdes, que está com 107 anos de idade. 

Da grande fazenda da Lage, Sanico herdou e constituiu a fazenda Santa Theolinda, cujo nome era uma homenagem à sua primeira esposa. A imponente sede foi construída em 1912. Sanico foi um grande produtor rural da região, diversificando entre a cultura cafeeira e pecuária. Foi vereador da Câmara Municipal de São José do Rio Pardo entre 1926 e 1928, presidente do Partido Republicano local e vice-presidente da Câmara. 

Faleceu no Hospital Vera Cruz, em Campinas, no dia 23 de abril de 1956, aos 86 anos. Sua esposa, dona Maria, faleceu alguns anos mais tarde, em 2 de julho de 1991, em Mococa. Seus herdeiros venderam a fazenda Santa Theolinda ao Dr. José de Campos Salles Neto, fazendeiro, genealogista e escritor, que preserva a bela estrutura que é a sede da fazenda.

Na cidade de Mococa, o casal foi proprietário de um belo casarão, em estilo colonial espanhol, sito à esquina das Ruas Coronel Diogo e Alferes Pedrosa. Atualmente, o local pertence à família Naufel e funciona na localidade a imobiliária Paulo Belotti Imóveis e Gestão Patrimonial.  


Sede da fazenda Santa Theolinda, publicada no opúsculo "Fazendas Históricas de Mococa"

Casarão, estilo colonial espanhol, sito à esquina das ruas Cel. Diogo e Alf. Pedrosa. Fotografia de Paulo Mega, 7/1/2021.


CAPITÃO BENJAMIN DINAMARCO

  UM NOME ESQUECIDO DA POLÍTICA MOCOQUENSE Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti Instituto Histórico e Cultural de Arceburgo Inst...