domingo, 27 de abril de 2025

CERIMÔNIA DOS 70 ANOS DA INAUGURAÇÃO DA IGREJA DE SANTA CRUZ DE MOCOCA-SP

 

 (Publicado no Cidade News, edição de 26/04/2025)

Na última segunda-feira, às 18h, teve-se início à cerimônia de comemoração dos 70 anos de inauguração da Igreja de Santa Cruz. O cerimonial foi presidido pelo bispo diocesano, Dom Eugênio Barbosa Martins, que realizou a benção da Igreja, rememorando o que ocorreu há 70 anos. Logo após, Dom Eugênio celebrou uma Santa Missa, rememorando a crucificação de Jesus Cristo e sua ressureição, bem como em memória do Papa Francisco, que faleceu na manhã daquele mesmo dia.

Com a benção final, teve início a cerimônia de lançamento do livro "A Igreja do Morro: levantamento histórico em comemoração aos 70 anos da inauguração da Igreja de Santa Cruz de Mococa-SP", uma pesquisa histórica, escrita por Dr. Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti, prefaciada por Dom Eugênio Barbosa Martins, e que contou com a colaboração do padre Antônio Carlos Ferreira de Souza, das professoras Andréa Perri Falarini Siqueira, Ana Lúcia do Amaral e Claudia Maria Passarelli Nobrega e do historiador Sander Rogerio Ribeiro Pereira. A editoração foi feita pela editora Karina Ribeiro Bouças (KKRibeiro.com). O cerimonial do lançamento foi bem conduzido por Marcos Trepador.



Fizeram uso da palavra Dom Eugênio, o autor e os colaboradores, bem como o vereador Edson de Oliveira, que representou o Legislativo Municipal. Um stand foi montado, com o apoio de Carol Eventos, e que contou com os delicados bordados, que retrataram a Santa Cruz, ação promovida pelas eficientes bordadeiras do Bazar de Quintal. Estiveram presentes cerca de 190 pessoas, que acompanharam o cerimonial.

Dr. Leonardo, em seu discurso, pontuou que “toda pessoa que lida com a História, necessariamente, lida com uma forma de entrega, pois a pesquisa histórica é realizada para que seu conteúdo contribua com a memória, cultura e história de um determinado lugar. Quando concluída, se torna parte do patrimônio coletivo, que já não pertence mais exclusivamente ao seu autor, mas sim à toda sociedade como um todo. Todo artigo, crônica ou livro de cunho historiográfico torna-se, portanto, parte do referencial da própria sociedade”, e este livro é um presente para a História de Mococa, vindo de um historiador em ascensão.



O historiador Sander Rogerio, que realizou o resgate da história do Povoado de Canoas para o livro, consignou ao CN o seguinte: “Louvemos a Deus pelos 70 anos da construção da capela de Santa Cruz, marco de fé e história na cidade de Mococa! Que este jubileu reavive em nossos corações o compromisso com o Evangelho e com a missão de sermos uma Igreja viva, presente e atuante”.



As professoras Ana Lúcia, Andréa e Claudia, comentaram sobre o livro: “Participarmos como colaboradoras do livro A Igreja do Morro a convite do Leonardo foi uma linda experiência, seja porque todas nós temos uma ligação com a querida igrejinha através da fé, seja porque a nós foi dada a prazerosa tarefa de abordarmos o interessante tema das características arquitetônicas da construção, o que nos possibilitou utilizar nossa bagagem como professoras de geografia, história e arte. Há nessa experiência, além de tudo, algo muito especial, pois tivemos a oportunidade de realizarmos pela primeira vez um trabalho juntas, a seis mãos, pois embora já tivéssemos trabalhado em duplas entre nós e apesar de nossa fraterna amizade, não tínhamos tido até então a oportunidade de uma experiência como trio. Que isso se repita!”



A editora Karina Ribeiro tem esse trabalho como o quinto livro de história sobre a região que publicou, estando, portanto, conceituada na área, e afirmou que “Publicar esta obra pela minha Editora KKRibeiro.com foi muito mais que um projeto. Foi um presente! Honrada pela oportunidade de conhecer essa história e o servir altruísta em nome da fé. É bonito, emociona, retribui e reconhece a cada um da comunidade sua contribuição. Feliz em contribuir para este legado e saber que a história da Igreja de Santa Cruz de Mococa está preservada para as futuras gerações em riquíssimo conteúdo e mais de 300 imagens. Aproveitem a leitura!



Contribuíram para a concretização do livro os seguintes parceiros: Diocese de São João da Boa Vista, Paróquia de Santa Cruz, Instituto Histórico e Cultural de Arceburgo, Instituto Bruno Giorgi, Escritório Djair Rotta & Advogados, Cidade News, KKRibeiro.com, Tintas Maza, Agroindústria Três Irmãos, Leão Diesel Bosch, Empreiteiro Neto Zero Água, Centro Automotivo Heliar, Paulo Belotti Imóveis e Casa Marques.

O livro ainda está disponível para aquisição, na Secretaria da Paróquia de Santa Cruz, pelo valor de R$ 60,00. Para maiores informações, (19) 3665-3585.

sábado, 12 de abril de 2025

CAPELA DA FAZENDA DA CASCATA

 


Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti


Fotografia da inauguração da capela de Nossa Senhora Aparecida da fazenda Cascata. Acervo do Museu Histórico Municipal “Carlos Alberto Paladini”. 


Consignou-se na historiografia mocoquense que a antiga fazenda Alegria, de Diogo Garcia da Cruz, eram um latifúndio de grandes dimensões, cujo território ocupava boa parte do atual Município de Mococa. Diz-se que atingiu 15.000 alqueires de pastos, matas e campinas. Sabe-se que a propriedade foi dividida em 1859 entre os herdeiros da família Garcia de Figueiredo, por meio de autos de divisão que tramitou no Juízo Municipal de Casa Branca, da Comarca de Franca.

A fazenda Cascata, cujo território pertenceu à vasta Alegria nos tempos augustos, foi propriedade do capitão Firmino de Oliveira Lima (1871-?), natural de Casa Branca. Era filho do Barão de Mogi Guaçu, José Caetano de Lima (1821-1901), e de dona Maria Leopoldina de Sillos (1833-1873), sendo ela filha do Barão de Casa Branca, tenente-coronel Vicente Ferreira de Sillos Pereira. Foi casado com dona Laudelina de Carvalho Figueiredo (1876-?), filha de Manoel Tomaz de Carvalho e de dona Marianna Carolina Garcia. Foram seus filhos:

1.     José Pedro, casado com Hilda Pena;

2.     Marianna, c.c. Agenor de Lima Figueiredo;

3.     João, c.c. Jandyra Pereira;

4.     Manoel, c.c. Ana de Paula (em 1ª núpcias) e c.c. Olga Kairalla (em 2ª núpcias);

5.     Mário, c.c. Maria de Lourdes Dias;

6.     Acrisio, c.c. Carmen Barretto;

7.     Paulo, c.c. Maria Isabel Barretto;

8.      Luiz Gonzaga, c.c. Heloisa Libanio;

9.     Firmino Filho, solteiro.

Já em 1902, o capitão Firmino conseguiu, junto ao bispado de São Paulo, uma Provisão autorizativa, de 18 de junho daquele ano, para que missas pudessem ser celebradas na capela, erigida em louvor à Nossa Senhora Aparecida. Festas, inclusive, eram realizadas na Fazenda da Cascata, promovidas pelo cap. Firmino e amplamente frequentadas. Neste mesmo ano, estava como vereador da Câmara Municipal de Mococa, cujo mandato terminaria em 1906.

Em 26 de junho de 1902, era inaugurada, com ampla participação popular. Esteve presente o cônego Bento Monteiro do Amaral, que consignou o seguinte no Livro de Tombo da Paróquia de São Sebastião:

Certidão: Certifico que visitei a Capella de Nossa Senhora da Apparecida da Cascata, achando-a decente, provida de paramentos e nas demais condições em direito exigidas. Certifico mais que no dia vinte seis de junho de mil novescentos e dois, em virtude da provisão supra procedi na forma do Ritual Romano a benção da Cappella de Nossa Senhora Apparecida da Cascata, o que teve lugar na presença de grande concurso de povo, que assistiu ao acto. Cascata vinte seis de Junho de mil novescentos e dois. Cônego Bento Monteiro, Firmino de Oliveira Lima. Conforme, Cônego Bento Monteiro do Amaral”.

 Em 17 de janeiro de 1911, o bispado de Ribeirão Preto emitiu nova provisão, desta vez quinquenal, para celebração de missas no local.

Sabe-se que, sucedendo capitão Firmino na fazenda da Cascata, esteve Adalberto dos Santos Figueiredo (1874-1935), filho de Urias Gonçalves dos Santos e de dona Ana Jacinta Garcia de Figueiredo, e casado com dona Rita de Lima Castro, com descendência. Foi prefeito de Mococa de 1925-1926, empresário e agricultor.

A capela de Nossa Senhora Aparecida da fazenda da Cascata é uma das mais antigas do município de Mococa.

 

Fontes:

DAUNT, Ricardo Gumbleton. O capitão Diogo Garcia da Cruz – edição revista, ampliada e revisada por Caio de Figueiredo Silva. São Paulo: edição do autor, 1974;

ISOLDI, Maria Celina Exner Godoy; AMATO, Marta Maria. A família Lima de Casa Branca e região. Revista da ASBRAP, nº 20, 2013, p. 577-630;

Hemeroteca da Biblioteca Nacional (Correio Paulistano: 1870-1920);

Acervo d’O Estado de S. Paulo (1875-1930).

 

 


sábado, 5 de abril de 2025

OBSERVAÇÕES HISTÓRICAS SOBRE OS DISTRITOS DE MOCOCA

 

1ª Parte

Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Sobre os distritos

A Lei de 15 de outubro de 1827, aprovada pelo Imperador do Brasil, Dom Pedro I, criou os juízos de paz. Diz o Art. 1º da referida lei que “em que cada umas das freguezias e das capellas filiaes curadas, haverá um Juiz de Paz e um supplente para servir no seu impedimento, emquanto se não estabelecerem os districtos, corforme a nova divisão estatistica do Imperio”. Era uma forma que a Coroa encontrou de tentar levar a Justiça mais fundo em seu território, tentando superar as grandes distâncias entre a burocracia urbana e a selvageria dos sertões. Os anos passaram-se e evoluiu-se a forma administrativa, inclusive, à nível federal, com a derrubada da monarquia e a instituição da República.

Foi em 2 de março de 1938, por força do Decreto-Lei nº 311, outorgado por Getúlio Vargas, nos idos do Estado Novo, que criou-se um conceito moderno sobre distritos. De fato, dia o Art. 2º do referido Decreto-Lei que os “municípios compreenederão um ou mais distritos, formande área contínua”. A sede do município seria elevada à categoria de cidade, com o nome do distrito-sede, embora pudessem existir diversos outros distritos.

Ainda, dita o DL que “nenhum novo distrito será instalado sem que previamente se delimitem os quadros urbano e suburbano da sede, onde haverá pelo menos trinta moradias” (Art. 11) e “nenhum município se instalará sem que o quadro urbano da sede abranja no mínimo duzentas moradias” (Art. 12). Eram, portanto, os requisitos. Anos mais tarde, a Constituição Federal de 1988 transferiria a competência para criação, organização ou supressão dos distritos ao próprio Município, observando-se a legislação estadual. São, pois, unidades administrativas internas do Município.

Mococa viria a ter três distritos legalmente constituídos e um nominalmente referido, conforme ver-se-á adiante.

Igaraí

Ficou consignado na história de Mococa que o distrito de Igaraí teria suas origens na antiga fazenda da Água Limpa, cujo primeiro proprietário foi José Christóvam de Lima (1798-1864). Conta-se que um grande cruzeiro teria sido instalado, dando, afinal, origem a um pequeno povoamento. Era prática comum que a fé acompanhasse o destino de um lugarejo.

O historiador, Adriano Campanhole, em seu livro Memória da Cidade de Caconde, assinala que, em 6 de maio de 1892, teria sido emitida provisão, autorizando a ereção de uma capela, em louvor à Nossa Senhora da Luz, em Caconde.

"D. Lino. Aos que esta nossa provisão virem saúde e benção em o Senhor. Fazemos saber que atendendo ao que nos representou o cidadão João Pinheiro da Silva, residente em Mococa e tendo em vista a informação prestada pelo mto. redmo. pároco de Caconde, a cuja estola pertence o impetrante Havemos por bem pela presente conceder licença para que no bairro denominado Nossa Senhora da Luz da dita Paróquia de Caconde, se possa erigir e levantar uma nova capela sob a invocação de Nossa Senhora da Luz, contanto que seja em lugar alto, livre de umidade, desviada quanto possível de lugares imundos e casas particulares e que tenha âmbito em redor para andarem procissões, devendo ser o local para tal fundação designado pelo Revmo. Pároco respectivo a quem autorizamos para benzer e lançar a primeira pedra do edifício na forma do ritual romano. Na mesma capela não se poderão celebrar ofícios divinos sem uma provisão nossa, precedendo informação paroquial de achar-se ela provida de para- mentos, alfaias precisas e habilitada com competente patrimônio. Esta será apresentada ao Rev. pároco daquela igreja que a registrará integral- mente no Livro do Tombo da Matriz para a todo o tempo constar. Dada e passada na Câmara Episcopal desta cidade de São Paulo sob nosso sinal e selo de nossas armas, aos 6 de maio de 1892. E eu pe. Adelino Jorge Montenegro, escrivão da Câmara Eclesiástica a subscrevi. Cônego Antônio Guimarães Barroso, por autorização do Exmo. Rev. Sr. Bispo" (Campanhole, 1979, p. 536).

Algumas fazendas de Mococa, ao longo dos anos de 1880, por força de leis da Assembleia Provincial, como a nº 60, de 23.05.1881, e a nº 70, 17.06.1881, foram transferidas para o Município de Caconde, como as de Vigilato de Souza Dias, d. Mariana de Almeida e Souza, Manoel Ignacio Franco e José Ignacio Franco. O que pode revelar que, por certo tempo, o território onde seria erigida Igaraí pertenceu à Caconde.

Escreve o professor Paladini que “a vida religiosa de Igaraí nos conta a história; seu início teve um acontecimento comovente: Lavínia Ribeiro do Vale, fazendeira na região, quando passava pelo local com a filha enferma, à procura de assistência médica em Guaxupé, Minas Gerais, fez uma promessa: se a filha recuperasse a saúde, daria um lote de terra para construir uma igreja em louvor a ‘Nossa Senhora da Luz’. Seu pedido foi atendido e, assim, começou a vida religiosa do distrito” (Paladini, 2013, p. 107). Diz ainda que uma capela foi erigida no local.

O antigo nome de Igaraí era Povoado de Nossa Senhora da Luz das Canoas, cuja capela levava o mesmo nome. Segundo uma matéria do Jornal do Commercio, de 1899, existiam três bairros rurais no município de Mococa: Alegria, São João do Rio Pardo e Nossa Senhora da Luz das Canoas. Nos livros de tombo da paróquia de São Sebastião, há o registro de um termo de benção da capela, em 8 de setembro de 1900, bem como a lavratura da provisão de 31 de agosto de 1900, emitida pelo bispo de São Paulo, dom Antônio Candido de Alvarenga, em favor de José Pereira Lima.

Poucos anos mais tarde, teria sito elevado o povoado à condição de distrito de paz, com o nome Igarahy. O projeto de lei, aliás, tramitou sob o nº 7 de 1900. Conforme dita a Lei nº 918, de 3 de agosto de 1904, sancionada pelo presidente do Estado de São Paulo, dr. José Tibiriçá, criou-se, no povoado de Nossa Senhora da Luz das Canoas, um distrito de paz, nos seguintes termos:

Artigo 1.° - Fica creado no povoado de N. S. da Luz das Canôas, no municipio e comarca de Mocóca, um districto de paz com a denominação de Igarahy.

Artigo 2.° - As divisas deste districto de paz serão as seguintes :

« Principiam na barra do Corrego da Lage, no rio das Canôas, e « por este rio acima e pelas divisas com o Estado de Minas, até ao rio « Guaxupé; e por este abaixo divisando com o municipio de Caconde até ás divisas com o municipio de São José do Rio Pardo e tomando á direita e por essas mesmas divisas em direcção á serra da fazenda de Theophilo Custodio Dias e pela continuação desta serra, denominada Serrinha comprehendendo toda a vertente do corrego da Lage e até ao rio das Canôas, no ponto em que começaram estes limites.

Artigo 3.º - As propriedades a que se referem as leis numeros 60 e 70, de 23 de Maio e 17 de Junho de 1881, continuam a pertencer ao municipio de Caconde, excepto a fazenda São Francisco e a parte de terras da Bica de Pedra, comprehendida entre essa fazenda e o municipio de Mocóca.

Artigo 4.º - Revogam-se as disposições em contrario.

O Secretario de Estado dos Negocios do Interior e da Justiça assim a faça executar.

Palacio do Governo do Estado de São Paulo, em 3 de Agosto de 1904.

JORGE TIBIRIÇÁ

J. CARDOSO DE ALMEIDA

Publicada na Directoria da Justiça, da Secretaria dos Negocios do Interior e da Justiça, em 3 de Agosto de 1904.

O director, Joaquim Roberto de Azevedo Marques”.

Em 1911, monsenhor dr. Félix Brandi, pároco titular da Paróquia de São Sebastião, lavrou a provisão de um ano de celebração de missa em favor da Capela de Nossa Senhora da Luz de Igarahy, passada em 18 de janeiro daquele mesmo ano. Na mesma oportunidade, lavrou as provisões de celebrações nas capelas de Nossa Senhora Aparecida da fazenda Cascata, quinquenal, e de São Benedito, anual.

No relatório do movimento paroquial de 1936, monsenhor Argilio Malatesta, escreve que, dentre as capelas situadas em terreno próprio, estavam a de Nossa Senhora da Luz de Igaray e a de Nossa Senhora Aparecida em Canoas. Conforme a documentação analisada, chega-se à conclusão que a história mocoquense se referia, portanto, ao povoado de Canoas, quando, na verdade, tratava-se da história do distrito de Igaraí.

 Fontes:

CAMPANHOLE, Adriano. Memória da cidade de Caconde. São Paulo: Edição do autor, 1979.
Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
Legislação da Província e do Estado de São Paulo.
PALADINI, Carlos Alberto. Mococa: Igrejas e capelas. Mococa: Edição do autor, 2013.

 

CAPITÃO BENJAMIN DINAMARCO

  UM NOME ESQUECIDO DA POLÍTICA MOCOQUENSE Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti Instituto Histórico e Cultural de Arceburgo Inst...