quinta-feira, 4 de junho de 2026

CAPITÃO BENJAMIN DINAMARCO

 

UM NOME ESQUECIDO DA POLÍTICA MOCOQUENSE

Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Instituto Histórico e Cultural de Arceburgo

Instituto Bruno Giorgi

Capitão Benjamin Dinamarco, acervo do autor, colorida com IA.

Benjamin Reis Dinamarco nasceu em São Thomé das Letras, Estado de Minas Gerais, aos 25 dias do mês de abril de 1859. Era filho de do capitão Candido Reis Dinamarco e de dona Maria Paulina da Fonseca. Segundo o genealogista, Rogério Farah, era neto paterno de João Ferreira (ou José Antônio) Quintanilha e Brígida Antônia da Conceição, no Estado do Rio Grande do Sul, e, pela linha materna, neto de João Batista da Fonseca e Francisca Cândida de Paula Batista.

Seu pai era negociante de fazendas, cujo consórcio matrimonial ocorreu em 22 de julho de 1857, em São Thomé, cidade onde faleceriam, ele em 1899 e ela, em 1922, conforme Farah.

Benjamin casou-se na Igreja Matriz de Conceição do Rio Verde, MG, em 30 de julho de 1881, com dona Henriqueta Olímpia de Souza Ribeiro, filha de Elizário Ribeiro da Silva e de dona Maria Silvéria de Souza Ribeiro. O matrimônio foi celebrado pelo padre José Pedro de Souza Pinto e foram padrinhos, o Barão de Caldas e Joaquim José de Souza Pacheco.

Dona Henriqueta nasceu em Alfenas, MG, em 14 de outubro de 1866, batizada em Conceição do Rio Verde. Pela linha paterna, era descendente de João Ribeiro da Silva (1714-1787) e de Maria Branca Leme do Prado (1725-?). Seu trisavô, filho deste casal, era irmão de Félix Ribeiro da Silva, pai de Venerando Ribeiro da Silva, logo, seria prima em quarto grau deste venerável fundador de Mococa.

Não se sabe os motivos que levaram Benjamin e Henriqueta à Mococa. Sua filha mais velha, Jovita, nasceu nesta cidade, em 9 de junho de 1883. É certo que a prosperidade acompanhava a cidade. Em janeiro de 1895, é nomeado para a Guarda Nacional, vinculado ao 123º Batalhão de Infantaria de Mococa, assim constituído:

123º batalhão de infantaria

Estado-maior: tenente-quartel Pedro Angelo Camin.

1ª Companhia: capitão Benjamin Dinamarco, alferes Basilio Fernandes Garcia, alferes Antonio Ferreira Vieira e alferes Marciliano de Souza Dias.

2ª Companhia: capitão Pedro Lacreta e alferes José Moreira Coelho de Magalhães.

3ª Companhia: alferes Joaquim Pedro de Oliveira e alferes Antonio de Pinho Nogueira.

Na política, candidatou à juiz de paz nas eleições de 1898, sendo eleito como primeiro juiz de paz. Ademais, atingiu altos graus da Loja Maçônica, em Mococa, prova de seu engajamento imediato na cidade que acolheu a sua família. seus cunhados, Erasmo de Souza Ribeiro e Sinval de Souza Ribeiro também encontravam-se envolvidos na política mocoquense, este último intendente municipal, de 7 de janeiro de 1900 a 17 de setembro de 1900 (SILVA, 2024, p. 40).

Por muitos anos, capitão Benjamin foi representante da firma Junqueira % Companhia, da cidade de Santos, SP, voltada ao comércio de café.

No mesmo ano de sua eleição, nasceria sua segunda filha, Elvira, em Mococa, no dia 5 de julho, batizada em 22 de agosto do mesmo ano, pelo padre Bento Monteiro do Amaral, sendo padrinhos Candido Dinamarco, representado por Erasmo de Souza Ribeiro e dona Manoela Olímpia Ribeiro. Seria ela normalista e uma eximia pianista.

Em 1901, o ex-presidente da República, Prudente de Moraes, ao lado de diversos políticos, incluindo o proprietário do jornal, O Estado de S. Paulo, Julio de Mesquita, firmam a dissidência do Partido Republicano Paulista. Em Mococa, segundo narra Edgard Freitas, a Dissidência lançou os seguintes candidatos para as eleições de 15 de dezembro de 1901: Erasmo de Souza Ribeiro, Abelardo Augusto de Lima, João da Costa Lima, João Bento Vieira da Silva, Eugenio Xavier de Souza e Izidoro Cerrini, para vereadores, e capitão Benjamin Dinamarco, José Guilherme da Costa e José Fernandes Garcia, para juízes de paz (FREITAS, 1948, p. 114). A Dissidência não elegeu um representante, sequer.  

Capitão Benjamin seguiria seus propósitos, alheios à política, voltando-se à assistência social, ainda em formação. Participou da diretoria da Santa Casa de Mococa, por longos anos em alternados cargos, bem como foi diretor do Asilo de Mendicidade “Adolpho Barretto”. Sua residência situava-se à esquina das ruas Coronel Diogo e XV de Novembro.

Em 1915, adquire parte das terras da fazenda da Prata, então propriedades de Higino Ribeiro da Silva, constituindo a fazenda do Bananal. Seu cunhado, Erasmo, também compra uma gleba de terras, a fazenda Santa Rita ou Divisa, posteriormente denominada fazenda Santa Elisa. Em 1918, Elvira, sua filha caçula, casou-se com o professor José Barreto Coelho, taubateano, filho de Bernardino Antonio Coelho Junior e de Idalina Barreto Coelho, que chegou em Mococa para ser professor substituto do 1º Grupo Escolar “Barão de Monte Santo”, em 1913. A celebração, presidida pelo monsenhor doutor Félix Brandi, ocorreu em oratório particular, provisionado, na residência do capitão Benjamin.

No dia 5 de junho de 1928, um grande baque acomete sua família. Sua esposa, dona Henriqueta, em tratamento do Instituto Paulista, faleceu, às 17h. sepultada no Cemitério do Araçá no dia seguinte, seus restos mortais seriam transportados para Mococa, posteriormente, no jazigo da família Dinamarco. Não muitos anos depois, Jovita, sua filha, também veio a falecer, vitimada por uma pneumonia, em 6 de maio de 1935, em Mococa.

Quando da eleição de Júlio Prestes, que ocasionou a Revolução de 1930, diversos mocoquense manifestaram o seu apoio ao presidente, por meio de manifesto jornalístico, publicado no Correio Paulistano, e, dentre os signatários, encontram-se os nomes do capitão Benjamin, de Elvira e do professor Barreto Coelho.

Viveu por 92 anos, falecido em 19 de março de 1952, em Mococa. Em eloquente editorial, o jornal A Mococa, reverenciou a memória deste prestante cidadão, “figura que durante muitos anos prestou relevantes serviços à cidade” e que sempre “deu seus melhores dos seus esforços” à Santa Casa e ao Asilo.  Sepultado na necrópole municipal no dia seguinte, às 17h, seu féretro foi acompanhado por um grande número de amigos, “o que veio a provar a simpatia de que gozava”, segundo o editorial.

Sua filha e seu genro foram figuras sublimes ao ensino de Mococa, compositores do dobrado do primeiro de centenário, oficializado Hino Oficial do Município, por lei de autoria do então vereador, dr. João Rotta.

Em Mococa, ainda existem descendentes da família de dona Henriqueta, pelo ramo de Erasmo de Souza Ribeiro e sua esposa, dona Elisa. Contudo, o ramo da família Dinamarco de capitão Benjamin encerrou-se com o falecimento de Elvira, em 6 de julho de 1981.


Fontes: 

FARAH, Rogério. Página da família Dinamarco (disponível em <https://www.geocities.ws/genedinamarco/dinamarco.html>, acesso em 4 de junho de 2026);

FREITAS, Edgard. Mococa, 100 anos de história, 1847-1947. Mococa: Gráfica Costa, 1948; 

Livros de batismo da Paróquia de São Sebastião, de Mococa, SP; 

Livro de casamento da Paróquia de Conceição do Rio Verde, MG;

QUEIROZ, Humberto de. A Mocóca: de sua fundação até 1900. São Paulo: Typ. do Diário Oficial, 1913; 

SILVA, Antonino da. Pelos caminhos das Mucócas. Próceres: uma biografia. Mococa: edição do autor, 2024. 

CAPITÃO BENJAMIN DINAMARCO

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