Na fotografia abaixo, vemos um aspecto diferente da antiga residência do Barão de Monte Santo, o tenente-coronel Gabriel Garcia de Figueiredo (1816-1895).
Situado ao lado da antiga Igreja Matriz de São Sebastião, o sobrado do Barão simbolizava a alocação de um tipo de Poder no antigo coração da cidade: força política e econômica.
Ocorre que, no paroquiato do padre italiano, Francisco Salimena, em meados de 1883, os irmãos Antônio José Dias Lima e José de Souza Dias, empreenderam na construção de uma nova igreja matriz, poucas ruas acima do antigo templo. Não conseguiram erguer a igreja, apenas os seus alicerces. Quase dez anos depois, na década de 1890, a nova Igreja Matriz seria construída e inaugurada, no alto de uma colina. Quando mais descia-se a colina, menos opulentas eram as casas e menos poder político e econômico detinham os seus moradores.
O simbolismo era maior. Era o "Novo Centro", em detrimento do antigo, do "velho". No entorno da Igreja, os casarões eram edificados, símbolo da elite econômica do auge do café e, mais que isso, uma emulação das tendências europeias, cuja aristocracia deixava a zona rural para tornar-se "civilizada" nas cidades. Creio que os primeiros casarões, situados na parte superior da Praça (hoje, Adhemar de Barros), foram construídos na época da edificação da igreja. Pode-se perceber semelhanças arquitetônicas, por exemplo, na residência do coronel Candido de Souza Dias, de 1893, e na residência do capitão João Ferraz de Siqueira, de 1896, o "Panelão", podendo ser lembrado, inclusive, da residência de Antônio José Dias Lima, o "Catetinho", demolido. Os palacetes, praça abaixo, são do século XX, de outro contexto.
Ao redor daquele trecho, que envolvia as atuais praças Marechal Deodoro e Adhemar de Barros, situava-se a comodidade do poder. Afinal, a Câmara Municipal encontrava-se ali, próxima das residências dos "mandões" da época, símbolo do poder político; ao seu lado, o fórum e cadeia, que podem ser simbolizados como a força do Estado e da Justiça; ao lado deste, o Theatro São Sebastião, onde a cultura ficava acessível e próxima dos coronéis. Não podemos esquecer, ademais, a proximidade com a escola, posteriormente o 1° Grupo Escolar "Barão de Monte Santo", logo, a instrução, bem como a Igreja Matriz e a casa paroquial, cuja força religiosa estava a poucos passos das soleiras das forças políticas.
A localização da Santa Casa de Mococa também era estratégica. A cidade "terminava" ali e, no contexto do higienismo do final do século XIX e início do XX, onde a preocupação sanitária passava a integrar o seio político. A Santa Casa foi edificada afastada da população. Pouco mais adiante, bem mais afastado, o cemitério foi providenciado. O higienismo também influenciou o comércio e a indústria. Fábricas e curtumes deveriam estar situados longe das casas, evitando poluição sonora e mal-cheiro, por exemplo. Talvez, seja o motivo da escolha da construção da Estação, também afastada do centro da cidade e da antiga zona habitada.
A urbanização conta uma história: a nossa e os motivos de seus caminhos e resultados!
Texto: Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti
Fotografia: "O capitão Diogo Garcia da Cruz", por Dr. Ricardo Gumbleton Daunt, Revista do Instituto Heráldico-Genealógico, n°9, 1942, p. 198.

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