Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti
Uma questão que
tem surgido em debates nas redes sociais, ora de forma direta, ora indireta, é
a questão da preservação do patrimônio histórico e cultural de Mococa. Não
seria errado admitir que, dos bens tombados, apenas verifica-se o tombamento de
casarões no sítio histórico de Mococa, na região central. O patrimônio,
contudo, é bem mais amplo. Os debates se intensificaram após a demolição de
duas residências. O cuidado com o patrimônio histórico é a própria preservação
da memória coletiva.
Não se trata,
como muitos equivocadamente atestam, de impedir o progresso e a modernização.
Trata-se, por outro lado, de proteger a identidade da cidade e de seus
moradores, o que colabora para o fomento ao Turismo e à Cultura. Em tempos
atuais, onde a regra auri sacra fames é imperiosa, esquecemos de que
certas construções, objetos e monumentos não são bens individuais, mas parte da
própria cultura de um povo. Existe certo desinteresse do Poder Público;
ocasionalmente, vemos grandes interessados. Em Arceburgo, por exemplo, quando
chefiava a pasta do Patrimônio, o atual superintendente das Bibliotecas, Museus
e Economia da Criatividade, Bruno Tripolini Balista, fez uma grande análise e
instaurou processos de inventário e tombamento sobre casarões, objetos,
construções e, até mesmo, túmulos no cemitério, visando efetivar as obrigações,
seja do Poder Público ou de particulares, de zelar pelos bens arceburguenses,
patrimônio coletivo.
Vemos, em
Mococa, a desinformação imperar, especialmente sobre o patrimônio histórico. As
ações que visam a salvaguarda da memória mocoquense devem ser orquestradas de
modo que a modernidade se alie ao passado, ao invés de tentar suprimi-lo. A
demolição de casarões, sendo estes substituídos por cubos ou paralelepípedos
cinzentos, é o apagar das luzes da identidade do povo. O principal inimigo do
patrimônio histórico é a desinformação, seguida pela ingerência do Poder
Público e pelo desinteresse. Ações de conscientização devem ser promovidas pelo
Poder Público, não apenas nas escolas, mas também àqueles que adquirem casas
históricas ou os próprios moradores, favoráveis à demolição do passado.
Assim,
apresento sugestões de tombamento à Prefeitura Municipal de Mococa e ao
Conselho do Patrimônio Histórico de Mococa:
Capela de Nossa
Senhora Aparecida de Canoas, inaugurada em 17/11/1935; Igreja Matriz de Santa
Cruz, inaugurada em 21/04/1955; Capela de Nossa Senhora Aparecida, do bairro de
Aparecida, 07/05/1921; Capela de Nossa Senhora Aparecida da fazenda da Cascata,
inaugurada em 26/06/1902; Sala Bruno Giorgi, na Casa de Cultura Rogério
Cardoso; Estátua “Fundadores de Mococa”, de Bruno Giorgi, situada à Praça
Epitácio Pessoa, inaugurada em 10/10/1987; Estátua “Mulher de Mococa”, de Bruno
Giorgi, situada à Praça Marechal Deodoro, inaugurada em 1983; Acervo do jornal
A Mococa, que encontra-se na hemeroteca do Museu Histórico de Mococa “Carlos
Alberto Paladini”; Coreto da Praça Marechal Deodoro; Galeria de fotos e
documentos do Museu Histórico de Mococa “Carlos Alberto Paladini”; Livros de
ata da Câmara Municipal de Mococa; Fachada da Prefeitura Municipal de Mococa,
da Câmara Municipal e da Casa de Cultura “Rogério Cardoso”; Folias de reis, já
reconhecidas como manifestações da cultura nacional; Convento de São José,
inaugurado em 07/07/1935, e sua igreja, inaugurada em 19/03/1947; Ponte sobre o
rio Canoas, inaugurada em junho de 1926; Antiga Casa Paroquial, inaugurada em
meados de 1942; Imagem de São João Batista, da Igreja Matriz de São Sebastião,
cuja doação foi realizada por cel. Candido de Souza Dias na década de 1890,
segundo a tradição; Coleção de livros do Dr. Francisco Teive de Almeida
Magalhães, que encontra-se na Biblioteca Municipal de Mococa; acervo do
engenheiro dr. José Carlos de Figueiredo Ferraz no Museu Histórico de Mococa; e
Cemitério Municipal de Mococa.
Por fim,
ecoarei a ideia de Antonino Silva, nosso historiador e memorialista: sobre
casas históricas, deve-se impor ao proprietário fotografar a residência em sua
integralidade e o acervo fotográfico entregue ao Museu para arquivo. Sobre
livros, fotos e documentos, deve ser criado um banco de dados com a
digitalização imediata deste patrimônio, antes que o tempo os deteriore.
