segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Cuidando do patrimônio histórico

 

Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Uma questão que tem surgido em debates nas redes sociais, ora de forma direta, ora indireta, é a questão da preservação do patrimônio histórico e cultural de Mococa. Não seria errado admitir que, dos bens tombados, apenas verifica-se o tombamento de casarões no sítio histórico de Mococa, na região central. O patrimônio, contudo, é bem mais amplo. Os debates se intensificaram após a demolição de duas residências. O cuidado com o patrimônio histórico é a própria preservação da memória coletiva.

Não se trata, como muitos equivocadamente atestam, de impedir o progresso e a modernização. Trata-se, por outro lado, de proteger a identidade da cidade e de seus moradores, o que colabora para o fomento ao Turismo e à Cultura. Em tempos atuais, onde a regra auri sacra fames é imperiosa, esquecemos de que certas construções, objetos e monumentos não são bens individuais, mas parte da própria cultura de um povo. Existe certo desinteresse do Poder Público; ocasionalmente, vemos grandes interessados. Em Arceburgo, por exemplo, quando chefiava a pasta do Patrimônio, o atual superintendente das Bibliotecas, Museus e Economia da Criatividade, Bruno Tripolini Balista, fez uma grande análise e instaurou processos de inventário e tombamento sobre casarões, objetos, construções e, até mesmo, túmulos no cemitério, visando efetivar as obrigações, seja do Poder Público ou de particulares, de zelar pelos bens arceburguenses, patrimônio coletivo.

Vemos, em Mococa, a desinformação imperar, especialmente sobre o patrimônio histórico. As ações que visam a salvaguarda da memória mocoquense devem ser orquestradas de modo que a modernidade se alie ao passado, ao invés de tentar suprimi-lo. A demolição de casarões, sendo estes substituídos por cubos ou paralelepípedos cinzentos, é o apagar das luzes da identidade do povo. O principal inimigo do patrimônio histórico é a desinformação, seguida pela ingerência do Poder Público e pelo desinteresse. Ações de conscientização devem ser promovidas pelo Poder Público, não apenas nas escolas, mas também àqueles que adquirem casas históricas ou os próprios moradores, favoráveis à demolição do passado.

Assim, apresento sugestões de tombamento à Prefeitura Municipal de Mococa e ao Conselho do Patrimônio Histórico de Mococa:

Capela de Nossa Senhora Aparecida de Canoas, inaugurada em 17/11/1935; Igreja Matriz de Santa Cruz, inaugurada em 21/04/1955; Capela de Nossa Senhora Aparecida, do bairro de Aparecida, 07/05/1921; Capela de Nossa Senhora Aparecida da fazenda da Cascata, inaugurada em 26/06/1902; Sala Bruno Giorgi, na Casa de Cultura Rogério Cardoso; Estátua “Fundadores de Mococa”, de Bruno Giorgi, situada à Praça Epitácio Pessoa, inaugurada em 10/10/1987; Estátua “Mulher de Mococa”, de Bruno Giorgi, situada à Praça Marechal Deodoro, inaugurada em 1983; Acervo do jornal A Mococa, que encontra-se na hemeroteca do Museu Histórico de Mococa “Carlos Alberto Paladini”; Coreto da Praça Marechal Deodoro; Galeria de fotos e documentos do Museu Histórico de Mococa “Carlos Alberto Paladini”; Livros de ata da Câmara Municipal de Mococa; Fachada da Prefeitura Municipal de Mococa, da Câmara Municipal e da Casa de Cultura “Rogério Cardoso”; Folias de reis, já reconhecidas como manifestações da cultura nacional; Convento de São José, inaugurado em 07/07/1935, e sua igreja, inaugurada em 19/03/1947; Ponte sobre o rio Canoas, inaugurada em junho de 1926; Antiga Casa Paroquial, inaugurada em meados de 1942; Imagem de São João Batista, da Igreja Matriz de São Sebastião, cuja doação foi realizada por cel. Candido de Souza Dias na década de 1890, segundo a tradição; Coleção de livros do Dr. Francisco Teive de Almeida Magalhães, que encontra-se na Biblioteca Municipal de Mococa; acervo do engenheiro dr. José Carlos de Figueiredo Ferraz no Museu Histórico de Mococa; e Cemitério Municipal de Mococa.

Por fim, ecoarei a ideia de Antonino Silva, nosso historiador e memorialista: sobre casas históricas, deve-se impor ao proprietário fotografar a residência em sua integralidade e o acervo fotográfico entregue ao Museu para arquivo. Sobre livros, fotos e documentos, deve ser criado um banco de dados com a digitalização imediata deste patrimônio, antes que o tempo os deteriore.

domingo, 19 de outubro de 2025

ALGUNS ASPECTOS HISTÓRICOS DA CAPELA DO CEMITÉRIO

 

Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti



A capela de Santa Clotilde, situada no coração do Cemitério Municipal de Mococa, busca homenagear não apenas sua padroeira, Clotilde da Borgonha (474-545), esposa de Clóvis I, logo, rainha dos francos, mas também busca honrar uma figura da sociedade mocoquense. Trata-se de dona Clotilde Barretto Prado.


Nascida em 14 de outubro de 1871, na então Província do Sergipe, era filha de Antônio Freire de Mattos Barretto e de dona Antônia Eugênia de Mattos Barretto. Sua família era dotada de muito prestígio na sociedade e na política de Mococa, especialmente seus irmãos, podendo-se citar dr. Augusto, presidente da Câmara de Mococa em 1891 e pelo período de 1900-1902, e dr. Antônio, que presidiu a Câmara de Casa Branca, entre 1902 e 1906. Foi casada com Etelvino de Menezes Prado, com quem teve os seguintes filhos: Lucia, Paulo, Carlos, Zilda, Sylvia e Carlos. Dona Clotilde era uma figura de grande prestígio na cidade. Faleceu em 14 de setembro de 1917, às 8h10, o que foi muito lamentado pela comunidade.  


Seu marido, Etelvino, foi político em Mococa, onde chegou em meados de 1894. Era natural do Sergipe, nasceu em 22 de setembro de 1871, filho de Ernesto José de Menezes e de dona Maria Prado. Teve grande participação na política da cidade, tendo sido eleito vereador para os mandatos de 1912-1914 e 1917-1920. Casou-se em segundas núpcias com Leonor Fortes, em 8 de maio de 1922, no Rio de Janeiro, com quem teve dois filhos, Branca e Fabio. Faleceu na cidade de São Paulo, em 23 de junho de 1929, vitimado com um tiro no coração.  


Há 105 anos, no dia de finados, 2 de novembro de 1920, era inaugurada a capela do cemitério, idealizada por Etelvino para consolidar a memória de sua falecida esposa, uma católica devota. A autorização para a sua construção partiu da Câmara Municipal de Mococa, em sessão realizada em 6 de abril de 1919. O seu construtor foi Gherardo Bozzani, o qual conferiu-lhe aspectos puramente da arquitetura gótica. A benção do templo, seguida por uma missa pela alma de dona Clotilde, foi conduzida pelo monsenhor doutor Felix Brandi. Na capela, estão sepultados dona Clotilde e o monsenhor Demosthenes Paraná Brasil Pontes, falecido em 11 de janeiro de 1993.


Recentemente, a capela passou por uma reforma, conduzida pela Paróquia de São Sebastião, cuja inauguração ocorrerá no dia 25 de outubro do corrente.


A fotografia abaixo foi publicada há algum tempo por Antonino Silva, e restaurada com IA.


CAPITÃO BENJAMIN DINAMARCO

  UM NOME ESQUECIDO DA POLÍTICA MOCOQUENSE Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti Instituto Histórico e Cultural de Arceburgo Inst...