domingo, 19 de outubro de 2025

ALGUNS ASPECTOS HISTÓRICOS DA CAPELA DO CEMITÉRIO

 

Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti



A capela de Santa Clotilde, situada no coração do Cemitério Municipal de Mococa, busca homenagear não apenas sua padroeira, Clotilde da Borgonha (474-545), esposa de Clóvis I, logo, rainha dos francos, mas também busca honrar uma figura da sociedade mocoquense. Trata-se de dona Clotilde Barretto Prado.


Nascida em 14 de outubro de 1871, na então Província do Sergipe, era filha de Antônio Freire de Mattos Barretto e de dona Antônia Eugênia de Mattos Barretto. Sua família era dotada de muito prestígio na sociedade e na política de Mococa, especialmente seus irmãos, podendo-se citar dr. Augusto, presidente da Câmara de Mococa em 1891 e pelo período de 1900-1902, e dr. Antônio, que presidiu a Câmara de Casa Branca, entre 1902 e 1906. Foi casada com Etelvino de Menezes Prado, com quem teve os seguintes filhos: Lucia, Paulo, Carlos, Zilda, Sylvia e Carlos. Dona Clotilde era uma figura de grande prestígio na cidade. Faleceu em 14 de setembro de 1917, às 8h10, o que foi muito lamentado pela comunidade.  


Seu marido, Etelvino, foi político em Mococa, onde chegou em meados de 1894. Era natural do Sergipe, nasceu em 22 de setembro de 1871, filho de Ernesto José de Menezes e de dona Maria Prado. Teve grande participação na política da cidade, tendo sido eleito vereador para os mandatos de 1912-1914 e 1917-1920. Casou-se em segundas núpcias com Leonor Fortes, em 8 de maio de 1922, no Rio de Janeiro, com quem teve dois filhos, Branca e Fabio. Faleceu na cidade de São Paulo, em 23 de junho de 1929, vitimado com um tiro no coração.  


Há 105 anos, no dia de finados, 2 de novembro de 1920, era inaugurada a capela do cemitério, idealizada por Etelvino para consolidar a memória de sua falecida esposa, uma católica devota. A autorização para a sua construção partiu da Câmara Municipal de Mococa, em sessão realizada em 6 de abril de 1919. O seu construtor foi Gherardo Bozzani, o qual conferiu-lhe aspectos puramente da arquitetura gótica. A benção do templo, seguida por uma missa pela alma de dona Clotilde, foi conduzida pelo monsenhor doutor Felix Brandi. Na capela, estão sepultados dona Clotilde e o monsenhor Demosthenes Paraná Brasil Pontes, falecido em 11 de janeiro de 1993.


Recentemente, a capela passou por uma reforma, conduzida pela Paróquia de São Sebastião, cuja inauguração ocorrerá no dia 25 de outubro do corrente.


A fotografia abaixo foi publicada há algum tempo por Antonino Silva, e restaurada com IA.


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