quarta-feira, 28 de maio de 2025

AEROCLUBE MOCOQUENSE NOS IDOS DE 1942

 


Na imagem, os novos aviadores posam para a fotografia, ao lado de duas pessoas não identificadas, sendo a fotografia pulicada no mesmo jornal (Correio Paulistano, edição de 23.6.1942).

No dia 21 de junho de 1942, o Correio Paulistano noticiou que, com grande concurso popular, o Aero Club de Mococa era inaugurado. Dom Manuel da Silveira D’Eliant, bispo auxiliar da Diocese de Ribeirão Preto, procedeu com a benção do campo de aviação, do hangar e do avião, bem como realizou a entronização da imagem de Nossa Senhora de Loreto, padroeira da aviação. Assistiram à cerimônia, dentre outros, o padre João Bueno Gonçalves, da Paróquia de São Sebastião de Mococa; os frades capuchinhos do Convento de São José; dr. Silvio Gonçalves, prefeito de Guaranésia; Adolfo Caldas, prefeito de Arceburgo; Mario Forcheli, prefeito de Arari (hoje, Itamogi); diversos presidentes de aeroclubes de todo o Estado de São Paulo, como de São Paulo, Campinas e São José do Rio Pardo, e do vizinho Estado de Minas Gerais.
Fizeram o uso da palavra Dom Manuel e o prefeito de Mococa, dr. Carlos Lima Dias, o qual declarou oficialmente a inauguração do aeroclube. Pelo Aeroclube de Mococa, falou o dr. Francisco Teive de Almeida Magalhães, eloquente orador. Um popular, não identificado, fez um apelo para que cada municipalidade oferecesse um avião para a Campanha Nacional de Aviação.
Na oportunidade, foi entregue o brevê dos seguintes alunos: Francisco José Dias Lima, José Garcia de Figueiredo, Maria Aparecida Lima Guedes, João Bravo Caldeira, Francisco Garcia de Figueiredo Neto, Laudelino Peres, dr. Lineu Carlos de Souza Dias e Renato da Costa Lima.
Uma demonstração de salto de paraquedas foi realizada pelo sr. Charles Astor, tendo saltado de 500 metros de altura, aberto o paraquedas com 300 metros e pousado apenas 2 metros fora da faixa de segurança.
O campo, situado a 5 quilômetros e meio da cidade, possuía duas pistas em Y, uma com aproximadamente 1.000 metros de cumprimento e a outra, com cerca de 890 metros, e ambas com 120 metros de largura. Ainda, possuía um hangar que comportava 5 aviões.
Diversos aviões estavam no local, na ocasião, conforme a listagem na imagem abaixo.
Em 3 de junho de 1964, por força da Lei Municipal nº 441, sancionada pelo prefeito de Mococa, Antonio Carlos de Abreu, o campo de aviação, propriedade da Prefeitura Municipal, bom como suas dependências e instalações que se transferiram do antigo Aeroclube, passava a denominar-se Aeroporto Capitão Olimpio Garcia de Figueiredo.


domingo, 25 de maio de 2025

O DISTRITO DE IGARAHY NAS TRÊS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX

Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

A data, então aceita, como a da fundação do povoado de Nossa Senhora da Luz das Canoas é meramente especulativa, carecendo de fontes históricas que corroborem-na. Ficou consignado na história de Mococa que o distrito de Igaraí teria suas origens na antiga fazenda da Água Limpa, cujo primeiro proprietário foi José Christóvam de Lima (1798-1864). Conta-se que um grande cruzeiro teria sido instalado, dando, afinal, origem a um pequeno povoamento. Era prática comum que a fé acompanhasse o destino de um lugarejo.

O historiador, Adriano Campanhole, em seu livro Memória da Cidade de Caconde, assinala que, em 6 de maio de 1892, teria sido emitida provisão, autorizando a ereção de uma capela, em louvor à Nossa Senhora da Luz, em Caconde.

"D. Lino. Aos que esta nossa provisão virem saúde e benção em o Senhor. Fazemos saber que atendendo ao que nos representou o cidadão João Pinheiro da Silva, residente em Mococa e tendo em vista a informação prestada pelo mto. redmo. pároco de Caconde, a cuja estola pertence o impetrante Havemos por bem pela presente conceder licença para que no bairro denominado Nossa Senhora da Luz da dita Paróquia de Caconde, se possa erigir e levantar uma nova capela sob a invocação de Nossa Senhora da Luz, contanto que seja em lugar alto, livre de umidade, desviada quanto possível de lugares imundos e casas particulares e que tenha âmbito em redor para andarem procissões, devendo ser o local para tal fundação designado pelo Revmo. Pároco respectivo a quem autorizamos para benzer e lançar a primeira pedra do edifício na forma do ritual romano. Na mesma capela não se poderão celebrar ofícios divinos sem uma provisão nossa, precedendo informação paroquial de achar-se ela provida de para- mentos, alfaias precisas e habilitada com competente patrimônio. Esta será apresentada ao Rev. pároco daquela igreja que a registrará integral- mente no Livro do Tombo da Matriz para a todo o tempo constar. Dada e passada na Câmara Episcopal desta cidade de São Paulo sob nosso sinal e selo de nossas armas, aos 6 de maio de 1892. E eu pe. Adelino Jorge Montenegro, escrivão da Câmara Eclesiástica a subscrevi. Cônego Antônio Guimarães Barroso, por autorização do Exmo. Rev. Sr. Bispo" (Campanhole, 1979, p. 536).

Algumas fazendas de Mococa, ao longo dos anos de 1880, por força de leis da Assembleia Provincial, como a nº 60, de 23.05.1881, e a nº 70, 17.06.1881, foram transferidas para o Município de Caconde, como as de Vigilato de Souza Dias, d. Mariana de Almeida e Souza, Manoel Ignacio Franco e José Ignacio Franco. O que pode revelar que, por carto tempo, o território onde seria erigida Igarahy pertenceu à Caconde.

Escreve o professor Paladini que “a vida religiosa de Igaraí nos conta a história; seu início teve um acontecimento comovente: Lavínia Ribeiro do Vale, fazendeira na região, quando passava pelo local com a filha enferma, à procura de assistência médica em Guaxupé, Minas Gerais, fez uma promessa: se a filha recuperasse a saúde, daria um lote de terra para construir uma igreja em louvor a ‘Nossa Senhora da Luz’. Seu pedido foi atendido e, assim, começou a vida religiosa do distrito” (Paladini, 2013, p. 107). Diz ainda que uma capela foi erigida no local. Contudo, segundo a tradição oral da família Pereira Lima, rememorada pela ex-vereadora de Mococa, Dra. Marilia Pereira Lima Pucciarelli, a construção da capela deveu-se ao coronel José Pereira Lima, pela recuperação da saúde de sua filha, Lavinia Pereira Lima. 

O antigo nome de Igarahy era Povoado de Nossa Senhora da Luz das Canoas, cuja capela levava o mesmo nome. Segundo uma matéria do Jornal do Commercio, de 1899, existiam três bairros rurais no município de Mococa: Alegria, São João do Rio Pardo e Nossa Senhora da Luz das Canoas. Nos livros de tombo da paróquia de São Sebastião, há o registro de um termo de benção da capela, em 8 de setembro de 1900, bem como a lavratura da provisão de 31 de agosto de 1900, emitida pelo bispo de São Paulo, dom Antônio Candido de Alvarenga, em favor de José Pereira Lima.

Em 15 de julho de 1895, os moradores do arraial de Nossa Senhora da Luz das Canoas peticionam ao Diretório do Partido Republicano de Mococa, solicitando que, na localidade, fosse criado um distrito de paz. Firmam a petição os seguintes senhores: José Cypriano de Castro; Virgilio de Souza Dias; Francisco Euzebio de Farias; Justinianno Pereira Martins; Antonio Marques Padilha; Pedro Ferreira de Souza; Vicente Ferreira de Oliveira; Joaquim Ferreira de Souza; Jacintho Antonio Candido; Custodio Ferreira de Souza; Olympio Coelho de Moraes; Octaviano Soares de Souza; Francisco Theophilo de Oliveira; Eduardo Martins de Souza; José Antonio Dias; José Antonio Baptista; Jeronymo da Selva Queiroz; Francisco Diogo de Figueiredo; Emygdio Fernandes de Souza; José Pires Eustachio; Gabriel Pires Eustachio Sobrinho; Francisco Antonio da Cunha; Paulo Theodoro de Morais; Manoel Mecias Ribeiro; Gabriel Domingos de Araujo; Francisco Ignacio Franco; Jacintho Fontana de Souza; João Bento de Almeida; Martimiano Martins; José Joaquim Pereira do Lago; Pedro Mescias Ribeiro; Antonio Magalhaes; José Vieira Martins; Antonio Luis dos Santos; João Vieira de Souza; Antonio Vieira de Souza; Azarias Pires; Emigdio Pires; José Ferreira de Souza; Luis Nattimo; Antonio Henrique de Meirelles. O dito abaixo-assinado foi remetido ao Congresso Estadual de São Paulo, onde tramitou nas duas Casas. O projeto de lei, aliás, tramitou sob o nº 7 de 1900.

Poucos anos mais tarde, teria sito elevado o povoado à condição de distrito de paz, com o nome Igarahy. Conforme dita a Lei nº 918, de 3 de agosto de 1904, sancionada pelo presidente do Estado de São Paulo, dr. José Tibiriçá, criou-se, no povoado de Nossa Senhora da Luz das Canoas, um distrito de paz, nos seguintes termos:

Artigo 1.° - Fica creado no povoado de N. S. da Luz das Canôas, no municipio e comarca de Mocóca, um districto de paz com a denominação de Igarahy.

Artigo 2.° - As divisas deste districto de paz serão as seguintes :

« Principiam na barra do Corrego da Lage, no rio das Canôas, e « por este rio acima e pelas divisas com o Estado de Minas, até ao rio « Guaxupé; e por este abaixo divisando com o municipio de Caconde até ás divisas com o municipio de São José do Rio Pardo e tomando á direita e por essas mesmas divisas em direcção á serra da fazenda de Theophilo Custodio Dias e pela continuação desta serra, denominada Serrinha comprehendendo toda a vertente do corrego da Lage e até ao rio das Canôas, no ponto em que começaram estes limites.

Artigo 3.º - As propriedades a que se referem as leis numeros 60 e 70, de 23 de Maio e 17 de Junho de 1881, continuam a pertencer ao municipio de Caconde, excepto a fazenda São Francisco e a parte de terras da Bica de Pedra, comprehendida entre essa fazenda e o municipio de Mocóca.

Artigo 4.º - Revogam-se as disposições em contrario.

O Secretario de Estado dos Negocios do Interior e da Justiça assim a faça executar.

Palacio do Governo do Estado de São Paulo, em 3 de Agosto de 1904.

JORGE TIBIRIÇÁ

J. CARDOSO DE ALMEIDA

Publicada na Directoria da Justiça, da Secretaria dos Negocios do Interior e da Justiça, em 3 de Agosto de 1904.

O director, Joaquim Roberto de Azevedo Marques”.

Igarahy se tornou distrito policial em 21 de fevereiro de 1907. O primeiro cartorário de Igarahy foi Manoel Cardoso de Azevedo Barreto, que permaneceu no ofício de 1905, data de sua nomeação, até 1908, quando opta por renunciar. É sucedido por Tertuliano Leite de Meirelles, que é nomeado em maio de 1909 e permanece 20 anos como escrivão de paz, até sua morte. Encerrando o período ora analisado, em 1929, assume o oficial Reinaut Meirelles Sobrinho.

Os primórdios da iluminação pública rememoram o ano de 1909, quando a Companhia de Luz e Fôrça lançou-se a realizar a instalação, sendo seu gerente o capitão F. Barreto, e que contou com a contribuição dos seguintes senhores: major José Quintino Pereira, doador dos postes; coronel José Pereira Lima, que ofereceu as cruzetas; e dr. Augusto Barreto, capitão Lucino Barreto, João Batista de Lima Figueiredo e Antonio J. Dias Lima, que colaboraram de diversas formas. Em janeiro de 1910, o sistema funcionava regularmente, contando o abastecimento de energia elétrica público com 30 lâmpadas incandescentes e o particular, com 50 lâmpadas.

Em 1895, por força do projeto de lei nº 158, visava-se criar duas escolas no povoado de Nossa Senhora da Luz das Canoas, mas não tem-se notícia se efetivamente foi aprovado na Câmara dos Deputados, haja visto que, as notícias do ensino na localidade são posteriores à instalação do distrito de paz. O ensino data oficialmente, portanto, de 1909, quando, por força da Lei nº 1.178, de 23 de novembro, cria-se uma escola mista em Igarahy, bem como em São Benedicto e Canôas, sendo os primeiros professores do distrito Olegário Augusto Gonçalves e Francellina Pires Freitas. Sabe-se que também lecionaram em Igarahy, no começo do século XX, Maria das Dores Pinho de Oliveira, Sophia Siqueira, Amélia Gilli e Honorina Silva. No ano de 1921, a Secretaria do Tesouro concede o importe de 5:000$000 para a construção do prédio destinado às Escolas Reunidas de Igarahy, visando unificar o ensino, que era espalhado nas várias fazendas da região, sendo seu diretor Francisco Roberto de Almeida.

Em 1911, monsenhor dr. Félix Brandi, pároco titular da Paróquia de São Sebastião, lavrou a provisão de um ano de celebração de missa em favor da Capela de Nossa Senhora da Luz de Igarahy, passada em 18 de janeiro daquele mesmo ano. Na mesma oportunidade, lavrou as provisões de celebrações nas capelas de Nossa Senhora Aparecida da fazenda Cascata, quinquenal, e de São Benedito, anual. No relatório do movimento paroquial de 1936, monsenhor Argilio Malatesta, escreve que, dentre as capelas situadas em terreno próprio, estavam a de Nossa Senhora da Luz de Igaray e a de Nossa Senhora Aparecida em Canoas. Conforme a documentação analisada, chega-se à conclusão que a história mocoquense se referia, portanto, ao povoado de Canoas, quando, na verdade, tratava-se da história do distrito de Igarahy. Sabe-se que a capela foi posta aos cuidados dos Capuchinhos, nos anos de 1930, bem como em S. Benedicto e em Canôas.

Ainda nas três primeiras décadas do século XX, tem-se notícia de que havia, já em 1906, uma igreja presbiteriana em pleno funcionamento em Igarahy. O mais antigo sub-prefeito de Igarahy, que foi possível localizar, foi o senhor Victorio Pires Eustachio, um dos signatários da petição que requereu a criação do distrito de paz. Este cargo equivale, nos dias atuais, ao cargo de administrador.

Uma pequena observação etimológica, quando a requisição da criação do distrito foi protocolada, o nome do arraial de Nossa Senhora da Luz das Canoas foi alterado pera Igarahy, que significa, conforme o documento, algo como “Rio das Canoas”. Yg-ára, ou y-yára, significam “o que sobrenada” ou “o que está acima da água”, e hy, “água”, formando, assim, o nome do distrito. 


Obs.: Em decorrência da ausência de fotografias mais antigas, nos valemos da que encabeça este artigo, dos anos de 1960, disponível no site oficial da Prefeitura Municipal de Mococa.

quarta-feira, 14 de maio de 2025

PRÉ-LANÇAMENTO DO LIVRO “NEIDE FALARINI BEDIN – A VEREADORA, A ARTISTA, A MADRINHA”, DE LEONARDO BORGHETI M. F. BELOTTI

 



Neide Falarini Bedin possuía três vidas. Sua vida política marcou-se pela sua atuação junto às pessoas em situação de vulnerabilidade, à defesa dos direitos das crianças e adolescentes e no fomento à Assistência Social no Município, atuando fosse no Centro Social Católico, no Departamento de Promoção Social da Prefeitura de Mococa ou como vereadora eleita, sendo evidente que entendia a política em seu sentido grego original – de que a política era a ação coletiva em prol da coletividade, logo, da sociedade a que se está inserido. Nas artes, era detentora de uma veia artística ímpar, possuindo um traço para pintura muito próprio, além de se destacar no artesanato, preferindo a pintura acadêmica, especialmente florais, paisagens e natureza morta. Era, além disso tudo, uma tia dedicada e zelosa, preocupada com a formação de seus sobrinhos e sobrinhos-netos, esposa devotada, filha de tamanha ternura e irmã atenciosa.

Pela ocasião dos 10 anos de seu falecimento, que ocorreu em 14 de maio de 2015, escrevi um livro para preservar o seu legado, sua memória e uma pequena parte de sua vida como política, artista e madrinha. Obviamente, seriam várias histórias e memórias que poderia desenvolver, porém, tentei, e acredito que com algum êxito, agir com certa neutralidade, pois traçar a biografia de uma pessoa como tia Neide não é tarefa fácil, pois demasiado era o meu carinho por ela. Era minha madrinha de batismo, uma grande incentivadora dos meus estudos e dona de um espírito maternal sem igual! Prefacia este trabalho, minha prima, Andréa Perri Falarini Siqueira, que, com tamanha ternura e admiração, escreve o texto introdutório deste trabalho.

O livro possui quatro capítulos, sendo o primeiro sobre a história da família Falarini em Mococa; o segundo, sobre os primeiros anos e a vida política de Neide; o terceiro, uma galeria de suas obras de arte; e o último, considerações e memórias familiares. Após as conclusões, haverá um texto sobre alguns apontamentos para a história da Câmara Municipal de Mococa e a transcrição da Cartilha “Poder Legislativo e suas atribuições”, escrita em 2003 por Neide. Fotografias e documentos não faltarão, acredite! Em pouco mais de 150 páginas, o leitor conhecerá e irá rememorar a trajetória, as ideias e as ações de Neide Falarini Bedin.

O livro está quase pronto, em fase de revisão e está às vésperas de ir para a impressão. As datas da publicação e do lançamento oficial ainda serão divulgadas em minhas redes sociais, mas a previsão é de que ocorra em julho, próximo.

Faço votos de que o legado de tia Neide seja bem aproveitado, seja apreciando as páginas deste modesto trabalho, seja no exercício diário da política mocoquense.

terça-feira, 6 de maio de 2025

O RÁPIDO SURGIMENTO E DESAPARECIMENTO DO PYTUMBI


Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Enquanto a população do povoado de Nossa Senhora da Luz das Canoas aguardava desde 1895 a criação de um distrito de paz na localidade, a povoação de São João Baptista do Rio Pardo também começou a articular a criação de um distrito. A população e os fazendeiros, muito bem articulados, diga-se de passagem, firmaram uma petição junto ao Diretório Republicano, direcionado à Câmara dos Deputados do Estado de São Paulo, em 14 de julho de 1900.
A solicitação foi bem aceita. Seria, afinal, o primeiro distrito do município de Mococa, à exceção do distrito-sede. Encabeçam o documento os senhores Francisco Soares de Camargo, Virgilio Candido de Andrade, José Soares e Ramiro Cortez, além dos outros 41 signatários. Na época em questão, tais fazendeiros englobavam vários quarteirões do município, sendo Saltador, Ressaca, Prata, Alegria e Ribeirão do Rio São João, este também referido ocasionalmente como Porto ou São João do Rio Pardo.
Na Câmara e no Senado Paulistas, o acatamento foi bem célere. O trâmite foi deveras rápido. Em 30 de agosto de 1900, era criado, no povoado de São João Baptista do Rio Pardo, um distrito de paz com o nome Pytumbi, por força da Lei nº 711, adiante transcrita:
O doutor Francisco de Paula Rodrigues Alves, presidente do Estado de São Paulo,
Faço saber que o Congresso Legislativo decretou e eu promulgo a lei seguinte:
Artigo 1.º - Fica criado um distritco de paz no povoado de São João Baptista do Rio Pardo, com a denominação de Pytumbi, no municipio e comarca de Mocóca.
Artigo 2.º - O novo districto de paz, compor-se-á dos quarteirões Saltador, Resaca e Prata, com as seguintes divisas : principiam na ponte do Rio Pardo, no ponto que confina, o municipio de Casa Branca com o de Mocóca, descem pelo Rio Pardo acompanhando as antigas divisas entre esses dois municipios, abrangendo os perimetros dos quarteirões da Resaca e Saltador; dahi vêm em rumo direito passar entre as fazendas «Nova» e «Caixetas», abrangendo esta ultima, e dahi seguem pelo sitio que foi de João Fernandes Pinheiro, dahi em linha recta á fazenda da «Tulha», seguindo as suas divisas com a fazenda «Santa Theresa» até o corrego da Prata, subindo as cabeceiras deste até encontrar aa divisas dos municípios de Mocóca e São José do Rio Pardo, seguindo as mesmas sempre até encontrar o ponto em que tiveram começo.
Artigo 3.º - Revogam-se as disposições em contrario.
O secretario de Estado dos Negocios do Interior assim a faça executar.
Palacio do Governo do Estado de São Paulo, aos trinta de Agosto de mil e novecentos.
FRANCISCO DE PAULA RODRIGUES ALVES 
BENTO BUENO
Publicada na Secretaria de Estado dos Negocios do Interior, aos trinta de Agosto de 1900.-O director, Alvaro de Toledo.
Segundo informações que reunimos, foi instalado o distrito, um juiz de paz foi eleito, porém, sua vida foi tão curta quanto rápido foi o seu surgimento. De fato, em 1904, a Câmara Municipal de Mococa requereu a supressão do distrito, pedindo a revogação da lei. Ocorre, contudo, que o pedido foi acatado e o distrito de paz do Pytumbi deixou de existir. A referida lei somente foi revogada pela Lei nº 12.242, de 27/01/2006, que procedeu com a revogação de várias leis de 1895 até 1900.
São João Baptista do Rio Pardo já possuía uma capela em 1911, data de sua provisão para celebração de missas. Esta capela foi demolida nos anos de 1930 e, em 11 de fevereiro de 1933, às 10h, foi feita a benção e a inauguração da nova capela de São João, no Porto, pelo monsenhor Argilio Malatesta, vigário da Paróquia de São Sebastião de Mococa. Consta que a velha capela ameaçava ruir e, por ordem do Bispado, procedeu com a demolição e a construção de uma nova, que atravessou o século XX e chegou ao XXI. Se, hoje, está de pé, desconhecemos tal informação.
Abaixo, está a petição dos moradores da região, de 14 de julho de 1900, que é mencionada no texto, bem como fotografia da capela de São João.







CAPITÃO BENJAMIN DINAMARCO

  UM NOME ESQUECIDO DA POLÍTICA MOCOQUENSE Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti Instituto Histórico e Cultural de Arceburgo Inst...