Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti
O
desenvolvimento dos “Sertões do Rio Pardo” tornou-o populoso e objeto crescente
dos olhares governamentais. De fato, em outubro de 1877, o empresário e
político, Martinho Prado Júnior, teria externado sua euforia ao escrever uma
carta, onde afirma que “enfim São Simão não é mais o sertão de outros tempos.
Os germes de civilização aí estão semeados e medrando com força (Beiguelman,
2005, p. 104)”. Sobre Ribeirão Preto, teria sido deveras enérgico. Na época em
questão, era vereador por Araras e preparava-se, no ano seguinte de 1878, para
assumir uma cadeira na Assembleia Provincial de São Paulo. Viu, portanto, com
demasiada energia, o desenvolvimento dos antigos sertões, em pleno processo de
crescimento.
No ano seguinte,
1878, Casa Branca estaria em polvorosa. Em 14 de setembro, na edição nº 6.551
do Correio Paulistano, estampava a seguinte nota:
“Visita
Imperial
Consta-nos que
o tenente-coronel Manoel Ferreira de Aguiar recebê a hontem uma carta do
presidente da província avisando de que S. M. o Imperador devia aqui chegar no
dia 14 do corrente, e que se preparasse para hospedal-o.
Na absoluta
carência de casa decente, para nella receber o augusto hospede, o delegado de
policia José Hypolito de Carvalho recorreu ao prestimoso e venerando cidadão
tenente-coronel Vicente F. de Sillos Pereira (muito distincto chefe do partico
conservador), que não hesitou em pôr, jubilosamente, á disposição do mesmo
delegado a sua casa, a qual já se acha desoccupada e prompta a receber o chefe
da Nação.
É deste modo
que se patentea que o préstimo dos conservadores desta cidade vai além do-de
ganhar sempre as eleições.
Casa Branca, 11
de Setembro de 78”.
Segundo o mesmo
jornal, que narrou os acontecimentos na edição nº 6.557, de 21 de setembro,
teria o presidente da província de São Paulo notificado dois liberais, que
escusaram-se de colaborar com a recepção do Imperador, Dom Pedro II, e da
Imperatriz, Dona Tereza Cristina, e o delegado de polícia recorreu, portanto,
ao tenente-coronel Vicente, que prontamente atendeu à solicitação. Teve
benéfica colaboração do major Urias Gonçalves dos Santos e outros
correligionários.
Chegou a
imperial comitiva no dia 15, e logo Dom Pedro II se dirigiu à residência que
seria seu pouso durante sua estadia em Casa Branca. Descansou por um quarto de
hora e dirigiu-se à Igreja Matriz para pôr-se em oração. Passeou pela cidade e
almoçou. Segundo o Correio, a Câmara
Municipal não fez-se representar em sua totalidade, pois não foi realizado
convite. Teria havido um baile em sua honra. Um episódio chamou a atenção: dona
Francisca Soares, uma respeitada senhora, teria feito a promessa de não morrer
antes de abraçar o imperador e, conforme nos conta Ganymedes José, amparado no
artigo do dr. Aristides Serpa, teria dito a Dom Pedro II: “- Como está branco
este menino! Vi-o ainda ontem!”, enquanto batia em sua barba. Diz-se que o
Imperador apertou entre suas mãos a mão da senhora.
Curiosamente,
um episódio de desgosto acometeu o tenente-coronel Vicente, pois, no dia 16, seu
troly foi apoderado por um gatuno,
que disse ao cocheiro que “o tomava com autorização do sr. tenente-coronel”.
Não foi localizado em tempo. O Imperador partiu para a estação e Vicente
Ferreira de Sillos Pereira não pôde acompanhá-lo e despedir-se de Dom Pedro II.
Acompanharam-no o dr. Baptista Pereira, dr. Moreira de Barros, dr. José Oscar e
outros.
Dom Pedro II,
contudo, retornaria à Casa Branca poucos anos depois, em outubro de 1886. Às
20h30 do dia 26, voltando de Batatais, o Imperador foi recebido pelas
autoridades e pela população, sendo hospedado pelo coronel Antônio José Corrêa.
As ruas da cidade foram adornadas com arcos de flores e folhagens para
recebê-lo. Dom Pedro II visitou a igreja matriz, as escolas públicas, a Santa
Casa, o edifício da Câmara Municipal, e as obras do mercado e da cadeia, além
de ir ver as voçorocas. Na tarde daquele mesmo dia, partiu a comitiva para Mogi
Mirim.
Fruto de sua
viagem, Casa Branca tornara-se um baronato de vida curtíssima. Tenente-coronel
Vicente Ferreira de Sillos Pereira foi agraciado com o título de Barão de Casa Branca, por decreto imperial de 7 de
maio de 1887, contudo, conforme o necrológio do Correio Paulistano, publicano
na edição de 10 de maio de 1887, nº 9.207, “o
despacho telegráfico communicando a noticia de tão justa recompensa chegou a
Casa Branca horas depois do fallecimento de nosso amigo”, cuja morte deu-se
no dia 8 de maio.
Tenente-coronel
Vicente Ferreira de Sillos Pereira era natural de São João del Rei, MG,
batizado em Campanha, MG, no dia 31 de janeiro de 1812. Era filho de Domingos
Antônio de Sillos Pereira (Lisboa, Portugal, c. 1783-Caldas, MG, 19.7.1863) e
de dona Francisca Luisa de Mello (São João del Rei, MG, 6.12.1784-Caldas, MG,
13.9.1862). Casou-se duas vezes, com Antônia Maria de Oliveira (1810-1865) e
com a casa-branquense Mariana Umbelina de Pádua Lima (1866-1919), com
descendência.
Fontes:
BEIGUELMAN,
Paula. A formação do povo no complexo cafeeiro: aspectos políticos. 3ª ed. São
Paulo: EdUSP, 2005.
DE SILLOS, Luiz
Gustavo. Barão de Casa Branca. 2012.
Disponível em: < https://familiasillos.blogspot.com/2012/08/barao-da-casa-branca.html
>
Hemeroteca da
Biblioteca Nacional – Correio Paulistano (1870-1890).
JOSÉ,
Ganymedes. O dia que a guerra passou por Casa Branca. 3ª ed. São Paulo: FTD,
1986.

