UM NOME ESQUECIDO DA POLÍTICA MOCOQUENSE
Leonardo
Borgheti Marques Falarini Belotti
Instituto
Histórico e Cultural de Arceburgo
Instituto
Bruno Giorgi
Benjamin Reis
Dinamarco nasceu em São Thomé das Letras, Estado de Minas Gerais, aos 25 dias
do mês de abril de 1859. Era filho de do capitão Candido Reis Dinamarco e de
dona Maria Paulina da Fonseca. Segundo o genealogista, Rogério Farah, era neto
paterno de João Ferreira (ou José Antônio) Quintanilha e Brígida
Antônia da Conceição, no Estado do Rio Grande do Sul, e, pela linha materna,
neto de João Batista da Fonseca e Francisca Cândida de Paula Batista.
Seu pai era
negociante de fazendas, cujo consórcio matrimonial ocorreu em 22 de julho de
1857, em São Thomé, cidade onde faleceriam, ele em 1899 e ela, em 1922, conforme
Farah.
Benjamin casou-se
na Igreja Matriz de Conceição do Rio Verde, MG, em 30 de julho de 1881, com
dona Henriqueta Olímpia de Souza Ribeiro, filha de Elizário Ribeiro da Silva e
de dona Maria Silvéria de Souza Ribeiro. O matrimônio foi celebrado pelo padre
José Pedro de Souza Pinto e foram padrinhos, o Barão de Caldas e Joaquim José
de Souza Pacheco.
Dona Henriqueta
nasceu em Alfenas, MG, em 14 de outubro de 1866, batizada em Conceição do Rio
Verde. Pela linha paterna, era descendente de João Ribeiro da Silva (1714-1787)
e de Maria Branca Leme do Prado (1725-?). Seu trisavô, filho deste casal, era
irmão de Félix Ribeiro da Silva, pai de Venerando Ribeiro da Silva, logo, seria
prima em quarto grau deste venerável fundador de Mococa.
Não se sabe os
motivos que levaram Benjamin e Henriqueta à Mococa. Sua filha mais velha, Jovita,
nasceu nesta cidade, em 9 de junho de 1883. É certo que a prosperidade acompanhava
a cidade. Em janeiro de 1895, é nomeado para a Guarda Nacional, vinculado ao
123º Batalhão de Infantaria de Mococa, assim constituído:
123º
batalhão de infantaria
Estado-maior:
tenente-quartel Pedro Angelo Camin.
1ª Companhia:
capitão Benjamin Dinamarco, alferes Basilio Fernandes Garcia, alferes Antonio
Ferreira Vieira e alferes Marciliano de Souza Dias.
2ª Companhia:
capitão Pedro Lacreta e alferes José Moreira Coelho de Magalhães.
3ª Companhia:
alferes Joaquim Pedro de Oliveira e alferes Antonio de Pinho Nogueira.
Na política,
candidatou à juiz de paz nas eleições de 1898, sendo eleito como primeiro juiz
de paz. Ademais, atingiu altos graus da Loja Maçônica, em Mococa, prova de seu
engajamento imediato na cidade que acolheu a sua família. seus cunhados, Erasmo
de Souza Ribeiro e Sinval de Souza Ribeiro também encontravam-se envolvidos na
política mocoquense, este último intendente municipal, de 7 de janeiro de 1900
a 17 de setembro de 1900 (SILVA, 2024, p. 40).
Por muitos
anos, capitão Benjamin foi representante da firma Junqueira % Companhia, da
cidade de Santos, SP, voltada ao comércio de café.
No mesmo ano de
sua eleição, nasceria sua segunda filha, Elvira, em Mococa, no dia 5 de julho,
batizada em 22 de agosto do mesmo ano, pelo padre Bento Monteiro do Amaral,
sendo padrinhos Candido Dinamarco, representado por Erasmo de Souza Ribeiro e
dona Manoela Olímpia Ribeiro. Seria ela normalista e uma eximia pianista.
Em 1901, o ex-presidente da República, Prudente de Moraes, ao lado de diversos políticos, incluindo o proprietário do jornal, O Estado de S. Paulo, Julio de Mesquita, firmam a dissidência do Partido Republicano Paulista. Em Mococa, segundo narra Edgard Freitas, a Dissidência lançou os seguintes candidatos para as eleições de 15 de dezembro de 1901: Erasmo de Souza Ribeiro, Abelardo Augusto de Lima, João da Costa Lima, João Bento Vieira da Silva, Eugenio Xavier de Souza e Izidoro Cerrini, para vereadores, e capitão Benjamin Dinamarco, José Guilherme da Costa e José Fernandes Garcia, para juízes de paz (FREITAS, 1948, p. 114). A Dissidência não elegeu um representante, sequer.
Capitão Benjamin seguiria seus propósitos, alheios à política, voltando-se à assistência social, ainda em formação. Participou da diretoria da Santa Casa de Mococa, por longos anos em alternados cargos, bem como foi diretor do Asilo de Mendicidade “Adolpho Barretto”. Sua residência situava-se à esquina das ruas Coronel Diogo e XV de Novembro.
Em 1915,
adquire parte das terras da fazenda da Prata, então propriedades de Higino Ribeiro
da Silva, constituindo a fazenda do Bananal. Seu cunhado, Erasmo, também compra
uma gleba de terras, a fazenda Santa Rita ou Divisa, posteriormente denominada
fazenda Santa Elisa. Em 1918, Elvira, sua filha caçula, casou-se com o
professor José Barreto Coelho, taubateano, filho de Bernardino Antonio Coelho
Junior e de Idalina Barreto Coelho, que chegou em Mococa para ser professor substituto
do 1º Grupo Escolar “Barão de Monte Santo”, em 1913. A celebração, presidida
pelo monsenhor doutor Félix Brandi, ocorreu em oratório particular,
provisionado, na residência do capitão Benjamin.
No dia 5 de
junho de 1928, um grande baque acomete sua família. Sua esposa, dona
Henriqueta, em tratamento do Instituto Paulista, faleceu, às 17h. sepultada no
Cemitério do Araçá no dia seguinte, seus restos mortais seriam transportados para
Mococa, posteriormente, no jazigo da família Dinamarco. Não muitos anos depois,
Jovita, sua filha, também veio a falecer, vitimada por uma pneumonia, em 6 de
maio de 1935, em Mococa.
Quando da
eleição de Júlio Prestes, que ocasionou a Revolução de 1930, diversos mocoquense
manifestaram o seu apoio ao presidente, por meio de manifesto jornalístico,
publicado no Correio Paulistano, e, dentre os signatários, encontram-se os
nomes do capitão Benjamin, de Elvira e do professor Barreto Coelho.
Viveu por 92
anos, falecido em 19 de março de 1952, em Mococa. Em eloquente editorial, o
jornal A Mococa, reverenciou a memória deste prestante cidadão, “figura que
durante muitos anos prestou relevantes serviços à cidade” e que sempre “deu
seus melhores dos seus esforços” à Santa Casa e ao Asilo. Sepultado na necrópole municipal no dia
seguinte, às 17h, seu féretro foi acompanhado por um grande número de amigos, “o
que veio a provar a simpatia de que gozava”, segundo o editorial.
Sua filha e seu
genro foram figuras sublimes ao ensino de Mococa, compositores do dobrado do
primeiro de centenário, oficializado Hino Oficial do Município, por lei de
autoria do então vereador, dr. João Rotta.
Em Mococa,
ainda existem descendentes da família de dona Henriqueta, pelo ramo de Erasmo
de Souza Ribeiro e sua esposa, dona Elisa. Contudo, o ramo da família Dinamarco
de capitão Benjamin encerrou-se com o falecimento de Elvira, em 6 de julho de
1981.
Fontes:
FARAH, Rogério. Página da família Dinamarco (disponível em <https://www.geocities.ws/genedinamarco/dinamarco.html>, acesso em 4 de junho de 2026);
FREITAS, Edgard. Mococa, 100 anos de história, 1847-1947. Mococa: Gráfica Costa, 1948;
Livros de batismo da Paróquia de São Sebastião, de Mococa, SP;
Livro de casamento da Paróquia de Conceição do Rio Verde, MG;
QUEIROZ, Humberto de. A Mocóca: de sua fundação até 1900. São Paulo: Typ. do Diário Oficial, 1913;
SILVA, Antonino da. Pelos caminhos das Mucócas. Próceres: uma biografia. Mococa: edição do autor, 2024.

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