terça-feira, 16 de junho de 2026

APORTES SOBRE OS NOGUEIRA EM NOSSA REGIÃO

 

Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Instituto Histórico e Cultural de Arceburgo

Instituto Bruno Giorgi

 

Fotografias publicadas no livro, No ventre da terra-mãe, de Rodolpho Del Guerra.

O capitão-mor Thomé Rodrigues Nogueira do Ó, figura que muito se relaciona com a história do povoamento do sul de Minas Gerais, bem como, através de sua descendência, colaborou com o surgimento da região adjacente à Casa Branca, foi o fundador de Baependi, cujas terras destinadas à capela, foram doadas em 1754 por Luis Pereira Dias e sua esposa, dona Maria Nogueira do Prado, sendo ela filha do capitão-mor.

Segundo Waldemar de Almeida Barbosa, em seu importante Dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais, teria a fundação de Baependi ocorrido na segunda década do século XVIII, provavelmente no ano de 1723, em consonância com documentos arquivados na Arquidiocese de Mariana. Tal informação também é referendada pelo cônego Raimundo Trindade, autor do trabalho Instituições de igrejas no bispado de Mariana. Foi confirmada capela colativa por meio de alvará régio de 2 de agosto de 1752. Escreve Barbosa que logo “após ter recebido a distinção de freguesia colativa, cogitou-se da construção de nova Matriz, em outro local, na margem esquerda do rio Baependi, onde está hoje a cidade” (Barbosa, 1971, p. 56).

O surgimento de Baependi, em meados de 1720, fruto das ações desbravadoras do capitão-mor Thomé Rodrigues Nogueira do Ó, bem como a criação do arraial de São Cipriano, em 1737, pelo ouvidor da Comarca do Rio das Mortes, Cipriano José da Rocha, possibilitou o povoamento do Sul de Minas. Não tardou para que, na região mais setentrional da região, surgisse Ouro Fino, Sant’Anna e Jacuhy, cerca de uma década depois de estabelecido o arraial de São Cipriano.

Segundo o dr. José Guimarães, em seu ensaio O fundador de Baependi, à 19 de janeiro de 1736, o Thomé Rodrigues Nogueira do Ó foi nomeado Guarda-Mor de Baependi. Antes, em 13 de janeiro de 1711, detinha a patente de Capitão de infantaria da ordenança do distrito da Piedade, eleito pelos oficiais da Vila de Guaratinguetá. A capela da Piedade, nos conta o dr. Guimarães, seria a atual cidade de Lorena. Casado com Maria Leme do Prado, o casal teve nove filhos, sendo um homem e oito mulheres.

Joana Nogueira do Prado Leme, sua filha, foi casada duas vezes. A primeira, com José de Sá, teve quatro filhos e, em suas segundas núpcias com João Gomes de Lemos, teve mais sete filhos, segundo Guimarães. Caetana, a décima filha citada por José Guimarães, foi casada com Furriel Domingos Rodrigues Cobra, que vinha a ser seu parente. Dos três filhos listados no artigo supracitado, destaca-se o capitão Antonio Gomes Nogueira Cobra, casado com Maria Custódia de Meireles Freire. Seriam eles avós de um advogado e político muito importante para Mococa, o DR. AMADOR BRANDÃO CARNEIRO NOGUEIRA COBRA, filho de Luiz Joaquim Nogueira de Meireles e de Maria Carneiro Viriato Catão. Foi o dr. Amador Cobra, enquanto deputado, quem propôs a doação do antigo prédio da cadeia de Mococa à municipalidade, de modo que fosse possível a sua derrubada a construção do Paço Municipal, que perdurou de 1903 até a década de 1950. Casado com dona Jesuína Ribeiro da Silva, neta de Venerando Ribeiro da Silva, eram pais, dentre outros, de ERCILIA NOGUEIRA COBRA, escritora e uma figura muito curiosa por seu progressismo e intelectualidade, desaparecida no período do Estado Novo.

A irmã de Joana, Ana de Jesus Nogueira, que foi casada com Antonio de Souza Ferreira, também teria descendência ligada ao povoamento de Mococa, afinal, seria mãe do ALFERES JOÃO DE SOUZA NOGUEIRA, casado com Maria Theodora de Barros, sendo, pois, os primeiros proprietários da sesmaria da Zabelônia, Zabellona ou Isabellina, cuja posse se deu em 1820, pelas mãos de seu filho, o tenente Urias Emidio Nogueira de Barros. Sua descendência esteve amplamente ligada a fundação de cidades da antiga terra-mãe de Casa Branca, bem como ocupantes de cargos públicos de prestígio, como é o caso do próprio tenente urias, que foi juiz de paz de Casa Branca. Dentre outros descendentes, destaca-se o MAJOR AUBERTIN NOGUEIRA DE CARVALHO, político, fazendeiro e ex-prefeito de Mococa. 

Não é possível esquecer, ademais, que a descendência de dona Maria Nogueira do Prado, que foi casada com João Alvares Sobreira, também contribuiu para a formação de nossa região. Também filha do capitão-mor de Baependi, casara-se uma segunda vez com o tenente José Rodrigues de Afonseca, sendo pais do alferes Felisberto José Nogueira, casado com Ana Margarida de Barros. Destaca-se, dos filhos do casal, o capitão FRANCISCO DE ASSIS NOGUEIRA, considerado um dos fundadores de São José do Rio Pardo, proprietário da fazenda do Pião do Rio Pardo, além de outras tantas terras, principalmente na região de Botucatu. De seus filhos, destacamos o padre Prudenciano Antonio Nogueira, que foi vigário de Caconde; dona Mécia, ou Messias, Honória Nogueira, esposa do fundador de Mococa, Venerando Ribeiro da Silva; e Francisco de Assis Nogueira, fundador da cidade de Assis.

Existe um ramo, ademais, não muito bem definido, que origina-se na região com dona FLORIANA ESMÉRIA DAS NEVES, filha de Tristão Antonio Nogueira e de Floriana Esmeria das Neves. Não foi possível encontrar a ligação entre Tristão e os Nogueira, que ora estudamos. Ela foi casada com Cirino Pinto da Fonseca, proprietário das fazendas do Remanso e da Jacutinga, sendo o casal antigos moradores de Mococa, desde meados de 1837. A filha do casal, Generosa, foi casada com Balbino Soares do Nascimento, posteriormente tendo adotado o nome BALBINO SOARES NOGUEIRA, uma figura muito importante para o desenvolvimento de Arceburgo.

*

 EM TEMPO: Da descendência do capitão Felisberto José Nogueira, há de se destacar seu neto, o coronel ANTONIO MARÇAL NOGUEIRA DE BARROS, filho de José Theodoro Nogueira e de Angelica Cesarina de Jesus, portanto, sobrinho do capitão Francisco de Assis Nogueira. Foi ele um dos fundadores da capela de São José, doador do patrimônio ao mesmo santo, que daria origem à cidade de São José do Rio Pardo. 

Fontes:

          BARBOSA, Waldemar de Almeida. Dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte: Saterb, 1971;

BELOTTI, Leonardo Borgheti Marques Falarini. A igreja do morro. Mococa: KKRibeiro.com, 2025;

_______. Neide Falarini Bedin: a vereadora, a artista, a madrinha. Mococa: edição do autor, 2025.

DAUNT, Ricardo Gumbleton. Tenente Urias Emidio Nogueira de Barros. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, vol. LIV. São Paulo: Canton, 1957, p. 1-145; 

DEL GUERRA, Rodolpho José. No ventre da terra-mãe. São José do Rio Pardo: Graf-center, 2001;

GUIMARÃES, José. O fundador de Baependi. In: Revista da ASBRAP, nº 9. Indaiatuba: Rumograf, 2002, p. 9-30;  

Inventário de Cyrino Pinto da Fonseca, 1861, Arquivo Histórico-Documental de Casa Branca;

TRINDADE, Cônego Raimundo. Instituições de igrejas no Bispado de Mariana. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1945.

 

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