Fotografia da inauguração da capela de Nossa Senhora Aparecida da fazenda Cascata. Acervo do Museu Histórico Municipal “Carlos Alberto Paladini”.
Consignou-se
na historiografia mocoquense que a antiga fazenda Alegria, de Diogo Garcia da
Cruz, eram um latifúndio de grandes dimensões, cujo território ocupava boa
parte do atual Município de Mococa. Diz-se que atingiu 15.000 alqueires de
pastos, matas e campinas. Sabe-se que a propriedade foi dividida em 1859 entre
os herdeiros da família Garcia de Figueiredo, por meio de autos de divisão que
tramitou no Juízo Municipal de Casa Branca, da Comarca de Franca.
A
fazenda Cascata, cujo território pertenceu à vasta Alegria nos tempos augustos,
foi propriedade do capitão Firmino de Oliveira Lima (1871-?), natural de Casa
Branca. Era filho do Barão de Mogi Guaçu, José Caetano de Lima (1821-1901), e
de dona Maria Leopoldina de Sillos (1833-1873), sendo ela filha do Barão de
Casa Branca, tenente-coronel Vicente Ferreira de Sillos Pereira. Foi casado com
dona Laudelina de Carvalho Figueiredo (1876-?), filha de Manoel Tomaz de
Carvalho e de dona Marianna Carolina Garcia. Foram seus filhos:
1. José Pedro, casado com Hilda Pena;
2. Marianna, c.c. Agenor de Lima Figueiredo;
3. João, c.c. Jandyra Pereira;
4.
Manoel, c.c. Ana
de Paula (em 1ª núpcias) e c.c. Olga Kairalla (em 2ª núpcias);
5.
Mário, c.c. Maria
de Lourdes Dias;
6.
Acrisio, c.c.
Carmen Barretto;
7.
Paulo, c.c. Maria
Isabel Barretto;
8.
Luiz Gonzaga, c.c. Heloisa Libanio;
9.
Firmino Filho,
solteiro.
Já
em 1902, o capitão Firmino conseguiu, junto ao bispado de São Paulo, uma
Provisão autorizativa, de 18 de junho daquele ano, para que missas pudessem ser
celebradas na capela, erigida em louvor à Nossa Senhora Aparecida. Festas,
inclusive, eram realizadas na Fazenda da Cascata, promovidas pelo cap. Firmino
e amplamente frequentadas. Neste mesmo ano, estava como vereador da Câmara
Municipal de Mococa, cujo mandato terminaria em 1906.
Em
26 de junho de 1902, era inaugurada, com ampla participação popular. Esteve
presente o cônego Bento Monteiro do Amaral, que consignou o seguinte no Livro
de Tombo da Paróquia de São Sebastião:
“Certidão:
Certifico que visitei a Capella de Nossa Senhora da Apparecida da Cascata,
achando-a decente, provida de paramentos e nas demais condições em direito
exigidas. Certifico mais que no dia vinte seis de junho de mil novescentos e
dois, em virtude da provisão supra procedi na forma do Ritual Romano a benção da
Cappella de Nossa Senhora Apparecida da Cascata, o que teve lugar na presença
de grande concurso de povo, que assistiu ao acto. Cascata vinte seis de Junho
de mil novescentos e dois. Cônego Bento Monteiro, Firmino de Oliveira Lima.
Conforme, Cônego Bento Monteiro do Amaral”.
Em 17 de janeiro de 1911, o bispado de
Ribeirão Preto emitiu nova provisão, desta vez quinquenal, para celebração de
missas no local.
Sabe-se
que, sucedendo capitão Firmino na fazenda da Cascata, esteve Adalberto dos Santos
Figueiredo (1874-1935), filho de Urias Gonçalves dos Santos e de dona Ana
Jacinta Garcia de Figueiredo, e casado com dona Rita de Lima Castro, com
descendência. Foi prefeito de Mococa de 1925-1926, empresário e agricultor.
A
capela de Nossa Senhora Aparecida da fazenda da Cascata é uma das mais antigas
do município de Mococa.
Fontes:
DAUNT,
Ricardo Gumbleton. O capitão Diogo
Garcia da Cruz – edição revista, ampliada e revisada por Caio de Figueiredo
Silva. São Paulo: edição do autor, 1974;
ISOLDI,
Maria Celina Exner Godoy; AMATO, Marta Maria. A família Lima de Casa Branca e região. Revista da ASBRAP, nº 20,
2013, p. 577-630;
Hemeroteca
da Biblioteca Nacional (Correio Paulistano: 1870-1920);
Acervo
d’O Estado de S. Paulo (1875-1930).
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