quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Humberto de Queiroz – (02.02.1866-23.07.1930)

 

Por

Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti


Acervo de Antonino Silva, disponível no Facebook

Poucas pessoas conseguem, com considerável êxito, perpassar as barreiras da própria limitação da existência humana e atravessar várias áreas da ciência com dedicação. Inegavelmente, Humberto de Queiroz é uma sumidade.

Natural da cidade de Silveiras, do Estado de São Paulo, nasceu no dia 02 de fevereiro de 1866. Era filho do coronel Joaquim Augusto Moreira de Queiroz (14.09.1839, em Itajubá-MG – 25.05.1900, em Pouso Alegre-MG), fundador da Farmácia Queiroz e liberal de longa data, e de dona Presciliana Leopoldina de Castro (1846-). Seus avós paternos foram Polycarpo Teixeira de Almeida Queiroz (?) e Felizarda Thomazia Queiroz (?), e maternos, Candido Felix de Oliveira Castro (c.1815-?) e dona Maria Jamasia Castro (c.1815-?). Foram seus irmãos: o escritor Amadeu de Queiroz (25.03.1873-28.10.1955); Leonor de Queiroz Miranda (c.1871-04.08.1932); Maria de Queiroz (c.1876); professor Joaquim de Queiroz Filho, “Quinzinho” (1868-30.09.1940); e Presciliana de Queiroz Duarte (c.1875-17.05.1924). Existe, na tradição oral, relatos de que possuía algum grau de parentesco com o escritor, Eça de Queiroz, mas tal informação carece de fontes seguras.

Ele e seus irmãos foram educados nas primeiras letras pelo avô, Polycarpo Teixeira de Almeida Queiroz, até terminar os estudos em Ouro Preto, Minas Gerais. Aos dezessete anos de idade, prestou exame admissional para o curso de Farmácia na Escola de Pharmacia de Ouro Preto. Seu desempenho foi notável. Em 1885, no seu segundo ano de curso, obteve aprovação com distinção e cum laude em botânica e em química orgânica. Colou grau em 29 de junho de 1886, tendo sido o único aluno aprovado com distinção em todas as matérias.

Segundo o professor Carlos Alberto Paladini (1927-2018), chegou em Mococa em 02 de fevereiro de 1887, abrindo a Farmácia Queiroz, “que foi a primeira farmácia de Mococa a ser dirigida por um profissional habilitado em escola superior” (PALADINI, 1995, p. 281). Em 15 de agosto de 1888, funda o Clube Republicano, ao lado do dr. Antônio Muniz Ferreira. Tendo adquirido considerável renome, foi um dos cinco membros do Primeiro Conselho de Intendência de Mococa, após a proclamação da República. Foi nomeado em 31 de janeiro de 1890, e devidamente empossado em 05 de fevereiro do mesmo ano. Para a legislatura de 1896-1898, foi eleito vereador.

Segundo Paladini, foi colaborador do jornal “o Monitor Paulista”, que era impresso em Mococa, tendo colaborado também com a imprensa de Campinas e de São Paulo, onde defendia seus ideais abolicionistas e republicanos. O professor Paladini informa que ele viveu em Mococa até seus 35 anos de idade, em meados de 1902, quando partiu da cidade. É registrada a sua passagem em Jacareí, em 1906, onde se envolveu com o Partido Republicano local, e, em 1909, sabe-se que instalou-se no bairro paulistano do Brás, à Avenida Rangel Pestana, n° 149, comandando uma filial da Farmácia Baruel.

Entre 07 e 16 de setembro de 1910, realizou-se na capital federal, Rio de Janeiro, o II Congresso Brasileiro de Geografia, e Humberto de Queiroz fez-se presente, sendo designado para as comissões nº III, IV e V, que versavam sobre “Vulcanographia e Sismologia, Hydrographia (Potamographia e Limnographia) e Oceanographia”. Talvez, seja acertivo dizer que foi designado para estas comissões devido o seu empenho às ciências biológicas, especialmente vislumbrado nos tempos de Faculdade. No Congresso, foi o responsável para analisar e emitir parecer acerca do trabalho “Município de Iguapé, suas riquezas naturaes e potamographia”, de autoria de N. Pio Correa.

Para o Congresso, redigiu a monografia histórica, que viria a ser sua magnus opus, “A Mocóca – de sua fundação até 1900”, que foi submetida ao parecer do dr. Estevão Leão Bourroul. Foi o primeiro grande ensaio acerca da história do município de Mococa, e o trabalho que iria influenciar todos os pesquisadores e historiadores seguintes sobre a temática. A monografia foi publicada em 1912, na XV Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, edição referente aos trabalhos apresentados em 1910. Nesta instituição, Humberto de Queiroz tornou-se sócio, proferindo eloquente discurso de posse. Em meados de 1912, iria publicar o livro, à parte da revista, e os lucros foram revertidos para a Santa Casa de Mococa.

Ao introduzir o trabalho, demonstrou sua preocupação em preservar a história do município, receando que, quando “mortos os velhos de hoje, testemunhas” (QUEIROZ, 1912, p.126) da narrativa, poderia o historiador do futuro impressionar-se em lendas e tradições adulteradas e errôneas. Segundo Humberto, “Faço bem em escrever agora essa historia e porque o faço na convicção unica de escrever um livro util para o presente e para o futuro, sem aspiração de gloria ou nomeada, mereço a tolerância da critica. Feci quod potui; faciant meliora potentes” (ibid.).

Em 1911, foi membro de uma comissão organizada para solicitar do Governo do Estado a iluminação pública na Avenida Rangel Pestana. No mesmo ano, foi membro da comissão para a fundação da “Universidade de S. Paulo”, que seria inaugurada no ano seguinte, em 1912, com o curso de medicina. Posteriormente, a universidade se chamaria “Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo” e seria incorporada, anos depois, à USP. Como sócio fundador, ocupou cargo na Comissão Financeira da instituição.

Sabe-se que trabalhou como farmacêutico até o final de sua vida e atuou ativamente na sua comunidade, inclusive financiando apresentações teatrais e auxiliando da Igreja. Manteve-se presente em Mococa, especialmente com os amigos que deixara no interior paulista. 

Humberto de Queiroz faleceu às 12h do dia 23 de julho de 1930, aos 64 anos, sendo sepultado no Cemitério da Consolação. Seu falecimento foi lamentado entre seus conterrâneos paulistanos, mocoquenses e mineiros.

Deixou a esposa, dona Maria Paula de Castro Queiroz (03.06.1869-11.03.1964), filha de Romualdo de Oliveira Leite, irmão de dona Presciliana, mãe de Humberto, e de dona Mariana Leite Castro. Teve os seguintes filhos: Juarez; Plínio; Marianna; Paulo; Maria do Carmo; Joaquim; e Maria.

A Morte leva os indivíduos para o Além, porém, o legado permanece, firme e eterno. 


Fontes:

PALADINI, Carlos Alberto. Assim nasceu Mococa. São Paulo: Alfa-Omega, 1995;

QUEIROZ, Humberto de. A Mocóca – de sua fundação até 1900. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, volume XV. São Paulo: Typographia do Diário Oficial, 1912.

Site eletrônico: https://gw.geneanet.org/

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