Por
Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti
Poucas pessoas conseguem, com considerável
êxito, perpassar as barreiras da própria limitação da existência humana e
atravessar várias áreas da ciência com dedicação. Inegavelmente, Humberto de
Queiroz é uma sumidade.
Natural da cidade de Silveiras, do Estado
de São Paulo, nasceu no dia 02 de fevereiro de 1866. Era filho do coronel
Joaquim Augusto Moreira de Queiroz (14.09.1839, em Itajubá-MG – 25.05.1900, em
Pouso Alegre-MG), fundador da Farmácia Queiroz e liberal de longa data, e de
dona Presciliana Leopoldina de Castro (1846-). Seus avós paternos foram
Polycarpo Teixeira de Almeida Queiroz (?) e Felizarda Thomazia Queiroz (?), e
maternos, Candido Felix de Oliveira Castro (c.1815-?) e dona Maria Jamasia
Castro (c.1815-?). Foram seus irmãos: o escritor Amadeu de Queiroz
(25.03.1873-28.10.1955); Leonor de Queiroz Miranda (c.1871-04.08.1932); Maria de Queiroz (c.1876); professor
Joaquim de Queiroz Filho, “Quinzinho” (1868-30.09.1940); e Presciliana de
Queiroz Duarte (c.1875-17.05.1924). Existe, na tradição oral, relatos de que possuía algum grau de
parentesco com o escritor, Eça de Queiroz, mas tal informação carece de fontes
seguras.
Ele e seus irmãos foram educados nas
primeiras letras pelo avô, Polycarpo Teixeira de Almeida Queiroz, até terminar os estudos em Ouro Preto, Minas Gerais. Aos dezessete anos de idade, prestou
exame admissional para o curso de Farmácia na Escola de Pharmacia de Ouro Preto. Seu desempenho foi notável. Em
1885, no seu segundo ano de curso, obteve aprovação com distinção e cum laude em botânica e em química
orgânica. Colou grau em 29 de junho de 1886, tendo sido o único aluno aprovado
com distinção em todas as matérias.
Segundo o professor Carlos Alberto
Paladini (1927-2018), chegou em Mococa em 02 de fevereiro de 1887, abrindo a
Farmácia Queiroz, “que foi a primeira farmácia de Mococa a ser dirigida por um
profissional habilitado em escola superior” (PALADINI, 1995, p. 281). Em 15 de agosto de
1888, funda o Clube Republicano, ao lado do dr. Antônio Muniz Ferreira. Tendo
adquirido considerável renome, foi um dos cinco membros do Primeiro Conselho de
Intendência de Mococa, após a proclamação da República. Foi nomeado em 31 de
janeiro de 1890, e devidamente empossado em 05 de fevereiro do mesmo ano. Para
a legislatura de 1896-1898, foi eleito vereador.
Segundo Paladini, foi colaborador do jornal
“o Monitor Paulista”, que era impresso em Mococa, tendo colaborado também com a
imprensa de Campinas e de São Paulo, onde defendia seus ideais abolicionistas e
republicanos. O professor Paladini informa que ele viveu em Mococa até seus 35
anos de idade, em meados de 1902, quando partiu da cidade. É registrada a sua
passagem em Jacareí, em 1906, onde se envolveu com o Partido Republicano local, e, em 1909, sabe-se que instalou-se no bairro paulistano do
Brás, à Avenida Rangel Pestana, n° 149, comandando uma filial da Farmácia Baruel.
Entre 07 e 16 de setembro de 1910,
realizou-se na capital federal, Rio de Janeiro, o II Congresso Brasileiro de
Geografia, e Humberto de Queiroz fez-se presente, sendo designado para as
comissões nº III, IV e V, que versavam sobre “Vulcanographia e Sismologia, Hydrographia (Potamographia e Limnographia)
e Oceanographia”. Talvez, seja acertivo dizer que foi designado para estas comissões devido o seu empenho às ciências biológicas, especialmente vislumbrado nos tempos de Faculdade. No Congresso, foi o responsável para analisar e emitir
parecer acerca do trabalho “Município de Iguapé, suas riquezas naturaes e
potamographia”, de autoria de N. Pio Correa.
Para o Congresso, redigiu a monografia
histórica, que viria a ser sua magnus
opus, “A Mocóca – de sua fundação até 1900”, que foi submetida ao parecer
do dr. Estevão Leão Bourroul. Foi o primeiro grande ensaio acerca da história
do município de Mococa, e o trabalho que iria influenciar todos os
pesquisadores e historiadores seguintes sobre a temática. A monografia foi
publicada em 1912, na XV Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São
Paulo, edição referente aos trabalhos apresentados em 1910. Nesta instituição, Humberto de Queiroz tornou-se sócio, proferindo
eloquente discurso de posse. Em meados de 1912, iria publicar o livro, à parte
da revista, e os lucros foram revertidos para a Santa Casa de Mococa.
Ao introduzir o trabalho, demonstrou sua
preocupação em preservar a história do município, receando que, quando “mortos
os velhos de hoje, testemunhas” (QUEIROZ, 1912, p.126) da narrativa, poderia o
historiador do futuro impressionar-se em lendas e tradições adulteradas e
errôneas. Segundo Humberto, “Faço bem em escrever agora essa historia e porque
o faço na convicção unica de escrever um livro util para o presente e para o
futuro, sem aspiração de gloria ou nomeada, mereço a tolerância da critica. Feci quod potui; faciant meliora potentes”
(ibid.).
Em 1911, foi membro de uma comissão organizada
para solicitar do Governo do Estado a iluminação pública na Avenida Rangel
Pestana. No mesmo ano, foi membro da comissão para a fundação da “Universidade
de S. Paulo”, que seria inaugurada no ano seguinte, em 1912, com o curso de
medicina. Posteriormente, a universidade se chamaria “Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo” e seria incorporada, anos depois, à USP. Como sócio fundador, ocupou
cargo na Comissão Financeira da instituição.
Sabe-se que trabalhou como farmacêutico
até o final de sua vida e atuou ativamente na sua comunidade, inclusive
financiando apresentações teatrais e auxiliando da Igreja. Manteve-se presente em Mococa, especialmente com os amigos que deixara no interior paulista.
Humberto de Queiroz faleceu às 12h do dia
23 de julho de 1930, aos 64 anos, sendo sepultado no Cemitério da Consolação.
Seu falecimento foi lamentado entre seus conterrâneos paulistanos, mocoquenses
e mineiros.
Deixou a esposa, dona Maria Paula de
Castro Queiroz (03.06.1869-11.03.1964), filha de Romualdo de Oliveira Leite,
irmão de dona Presciliana, mãe de Humberto, e de dona Mariana Leite Castro.
Teve os seguintes filhos: Juarez; Plínio; Marianna; Paulo; Maria do Carmo;
Joaquim; e Maria.
A Morte leva os indivíduos para o Além, porém, o legado permanece, firme e eterno.
Fontes:
PALADINI, Carlos Alberto. Assim nasceu Mococa. São Paulo:
Alfa-Omega, 1995;
QUEIROZ, Humberto de. A Mocóca – de sua fundação até 1900. In: Revista do Instituto
Histórico e Geográfico de São Paulo, volume XV. São Paulo: Typographia do
Diário Oficial, 1912.
Site eletrônico: https://gw.geneanet.org/
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