Por Leonardo Borgheti M. F. Belotti
Os primórdios da indústria mocoquense remontam o
ano de 1888, quando a família Nicola, advinda da Áustria, inicia um
empreendimento de construção de rodas d’água, ampliando posteriormente para o
maquinário agrícola. O crescente desenvolvimento de Mococa, à época, e a vasta
quantidade de fazendas cafeeiras no município e na região imediata, elevaram a
“J. Nicola & Irmão” de uma indústria familiar para o renome no setor
industrial.
Não tardaria para que os três irmãos, Matheus
(13.08.1872-10.07.1938), João (19.06.1870-20.05.1945) e Pedro
(24.06.1874-03.05.1954) fossem tidos pelo maior apresso junto à comunidade
mocoquense. Homens visionários, pioneiros do desenvolvimento fabril, abriram as
portas da oportunidade, levando o nome de Mococa paralelo ao de seus produtos.
Eram preocupados com o bem-comum, e, em 1922, João Nicola foi eleito vereador
para a Câmara de 1923-1926, ocupando o cargo de vice-prefeito, segundo o
professor Carlos Alberto Paladini no livro Assim nasceu Mococa.
A prosperidade os acompanhava. Atuavam nos setores
da mecânica, a fundição, serraria, carpintaria, construção de turbinas
hidráulicas e instalações hidroelétricas de luz e força. Também eram
representantes da General Motors Brasil. Construíram uma grande oficina no
bairro da Aparecida, e empregaram vários operários.
Em 1945, com o falecimento de João Nicola, o
contrato social da empresa seria modificado. Ele era o único dos três irmãos
que teve filhos, os quais herdariam a sua quota-parte na sociedade, no valor de
Cr$ 200.000,00. Eram eles: Geraldo, Nair, Celida, Gerte Maria e Cleonice. No
mesmo ato da sucessão foi feita a alteração de sociedade comercial em nome
coletivo para sociedade anônima. A escritura pública foi lavrada pelo 1º
Tabelião interino da Comarca de Mococa, Arnaldo Brisighello, em 24 de dezembro
de 1945. A primeira diretoria eleita foi a seguinte: Pedro Nicola, presidente;
Geraldo Nicola, gerente; Luiz Souza Lima, tesoureiro; Carmo Pricoli, Jacinto
Pisani e João Anibal Pourrat, Conselho Fiscal. Estava formada a “Irmãos Nicola
S.A. – Mecânica para Indústria e Lavoura”.
Paralelo ao desenvolvimento da Irmãos Nicola, a
“Pasqual Pisani S.A.” ganhava espaço no cenário empresarial, atuando desde 1937
com o benefício de algodão, exercendo tipicamente uma atividade familiar. Conta
a tradição oral da família que a sociedade comprara as ações dos herdeiros de
João Nicola. Já em 1947, Pasqual Pisani, representando a sociedade, assumia o
cargo de superintendente da Irmãos Nicola. Pedro Nicola permaneceria presidente até sua morte, em 1954. O
genro e o filho de Pasqual, Mario Destro e Alberto Pisani, foram eleitos
tesoureiro e secretário, respectivamente.
O desenvolvimento era crescente. Não parecia haver
freios para o crescimento da Irmãos Nicola. Em 1951, seu capital social era
elevado de Cr$ 4.000.000,00 para Cr$ 5.000.000,00. Em 1954, com a morte de
Pedro Nicola, suas ações foram adquiridas pela Pasqual Pisani S.A. Em 1956, a
diretoria era a seguinte: Jacinto Pisani, presidente; Pasqual Pisani,
superintendente; Alberto Pisani, tesoureiro; e Emilio Pisani, secretário.
Conta-se que Pasqual Pisani, à frente das duas sociedades, passou a construir
residências nas imediações das instalações industriais para seus funcionários e
familiares. Ele viria a falecer em 03 de outubro de 1964, em Mococa.
Já em julho de 1974, a Rome Industries Inc., de
Cedartown, Georgia, EUA, firma uma parceria com a Irmãos Nicola S.A., que passa
a designar-se “Nicola Rome – Máquinas e equipamentos S.A.”, que continuou
crescendo. A diretoria seria formada da seguinte maneira: Jacinto Pisani, presidente;
Félix Latuszynski, diretor comercial; Odair Bueno, diretor financeiro; Luiz
Alberto Pisani, diretor administrativo; e João Carlos Pisani, diretor
industrial. Seu capital social foi elevado de Cr$ 9.790 milhões para Cr$ 17.221
milhões. No final da década de 1970, fizeram lançamento de diversas inovações
para auxiliar na agricultura. O sonho, contudo, teve seu fim em 1999, quando
foi decretada a sua falência, por motivos que ora nos fogem.
No ano seguinte, 2000, os antigos operários da
Nicola Rome uniram-se e formaram a Cooperativa de Produtos Metalúrgicos de
Mococa, a COPROMEM, permanecendo no imóvel até 2014, quando foi designado
leilão do estabelecimento pela Justiça do Trabalho. À COPROMEM, foi doado pela
Prefeitura de Mococa um terreno na Rodovia SP 340, Km 269.
O complexo da Nicola Rome foi vendido, afinal, para
o grupo Maziero, em 2017, que estabeleceram o “Centro Empresarial Nicola Rome”,
local que abriga inúmeras empresas, dos mais variados setores. Nos barracões,
operam várias atividades industriais; no antigo prédio da administração,
situam-se salas comerciais para profissionais liberais; logo abaixo, em outro
prédio, onde funcionava a oficina, encontra-se instalado o Instituto Nacional da Seguridade Social, o
INSS; no grande terreno, acima, foram erguidas duas torres residenciais, denominado Condimínio Azaleias, totalizando cerca de 208 apartamentos. A área total de terreno é de cerca de
22.000m2.
Fotos em exposição na Casa de Cultura Rogério Cardoso, em 2014
É pacificado pelos pensadores que os atos do
presente devem-se aos empreendimentos do passado; é graças às forças unidas dos
visionários irmãos Nicola e à sabedoria empresarial da família Pisani, que a
indústria mocoquense floresceu e brilhou para a História.
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