Por L. B. M. Falarini Belotti
O capitão-mor Custódio
José Dias nasceu, segundo consta, no território da Vila de São João del Rei em
1763, filho do português Custódio José Dias (1731-1779) e de Ana Lopes da Silva
(1749-1773). Casou-se com Mariana de Almeida e Silva (c.1770-1826). Estabeleceu-se
no sul de Minas, nas imediações da Vila de Campanha da Princesa, sendo avido
criador de gado. Ao capitão-mor é atribuída a nomenclatura de um incipiente
povoado às margens do Ribeirão do Meio, situado ao norte do território da Vila
de São José do Mogi Mirim, que hoje conhecemos por Mococa.
Segundo o historiador
Humberto de Queiroz, em sua conceituada monografia histórica, “veio do Machado, caçar em São Sebastião da
Boa Vista, em companhia de seus genros Vigilato, Domiciano e Joaquim, o Capitão
Mór Custódio José Dias. Ao passar pela nascente povoação a aristocrática
cavalgata, exclamou o Capitão-Mór: “Olhem para ahi essas mocóquinhas”. Dos que
acompanhavam ao Capitão-Mór, entre outros, José Pereira e Diogo Garcia, alguém
perguntou a significação do vocabulário ‘mocóquinha’. Explicou-lhes o graduado
caçador que, em Ibituruna, onde havia ele residido, existia um bairro de nome
Mocócas ou Mocóquinhas, palavras que significavam certo número de casas
pequenas. Encontraram originalidade na denominação e foram, desde logo, aplicando-a
ao novo arraial, ao qual chamavam – o arraial das Mocócas”.
O local de onde
supostamente proferiu tal afirmação é onde situa-se, atualmente, a Igreja
Matriz da Santa Cruz, onde havia, à época, um cruzeiro. Teria vaticinado a
denominação do lugar em 1844, segundo Humberto de Queiroz e os historiadores
que se seguiram. Ocorre, porém, que em tal data o capitão-mor já se encontrava
morto. Faleceu em 07 de setembro de 1843, em Alfenas, Minas Gerais, e é pouco
provável que bradou algo do túmulo.
Embora, portanto, possa
parecer uma história mítica, Humberto de Queiroz é preciso em suas informações
complementares. As pessoas que o historiador atesta acompanharem, de fato, são
seus genros: Vigilato José de Souza, casado Ana Custódia; Domiciano José de
Souza, casado com Mariana de Almeida e Silva; e Joaquim Custódio Dias, casado
com Luzia Delfina. Ainda, os outros dois companheiros, Diogo Garcia e José
Pereira, já habitavam o lugar. Aquele adquiriu, em 1833, a fazenda Alegria;
este, era proprietário da fazenda Laranjal, tendo vendido uma parte a José
Gomes de Lima, em 1835.
Não obstante o
apresentado, o povoado já possuía um pequeno núcleo populacional às margens do
Ribeirão do Meio. De certo, casebres simples, feitos com os materiais que
dispunham os primeiros moradores, sem requinte. A burguesia e os fazendeiros
vêm morar no povoado quando este começa a ganhar proeminência, trazendo os
ornamentos, espelhados nos edifícios europeus. Ainda, a cidade mencionada por Queiroz,
Ibituruna, como sendo lugar que o capitão-mor habitou, é uma pequena cidade
que, à época, situava-se no vasto território da Vila de São João del Rei.
Segundo consta, foi a primeira povoação mineira, fundada por Fernão Dias Paes
Leme, em 1674.
Diversas informações
corroboram que a história narrada por Humberto de Queiroz é fidedigna, com
exceção da data. Provavelmente, tal acontecimento se deu antes de 1843. O
capitão-mor contava, na data de sua morte, com oitenta anos e, longe de
questionar seu vigor físico, os caminhos entre as várias localidades eram,
quando existentes, de terra, deveras precários, e as viagens eram feitas a
cavalo, tornando desgastante o percurso. É certo que Custódio José Dias se
aventurara na região. Foi quem fez o censo da Vila de São Carlos do Jacuhy de
1820, o que, pode-se presumir, levou-o a conhecer a região.
Não há mitologia,
embora pareça – meramente trata-se de um equívoco de datas, que em nada
prejudica a grandeza do vaticínio do capitão-mor. O seu brado ainda é ouvido
cada vez que um indivíduo profere o nome da cidade – “Mococa” – ou de um de
seus bairros – “Mocoquinha” –, que cresceu ao redor da Santa Cruz.
Fontes:
DIAS, Lia Ribeiro. Das margens do Sapucaí às barrancas do Canoas.
São Paulo: Momento Editorial, 2012;
QUEIROZ, Humberto de. A Mocóca – de sua fundação até 1900. In: Revista do Instituto
Histórico e Geográfico de São Paulo, volume XV. São Paulo: Typographia do
Diário Oficial, 1912
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