quarta-feira, 24 de abril de 2024

OS 69 ANOS DA IGREJA SANTA CRUZ

 

Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Foi o olhar visionário do padre Bento Monteiro do Amaral (1867-1954) que impulsionou uma reforma nos meios eclesiásticos de Mococa no final do século XIX e início do século XX. Veio para a paróquia de São Sebastião em 1890 e não tardou para perceber que a cidade crescia, o que, consequentemente, aumentava a quantidade de fiéis a serem assistidos. Assim, além de trabalhar para a construção da Nova Igreja Matriz, empreendeu a construção de duas capelas, uma situada no bairro da Estação, em devoção à Nossa Senhora Aparecida, e a outra, na Mocoquinha, devotada à Santa Cruz. Em 1891, o bispo de São Paulo, dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho (1826-1894), emitiu provisão em 05 de setembro, autorizando a construção da capela que, segundo o professor C. A. Paladini, seria construída em 1895. O local da construção seria, segundo a tradição oral, o ponto onde, em 1844, o capitão-mor Custódio José Dias vaticinou a nomeação do lugar, ao exclamar para seus companheiros de viagem: “Olhem para ahi essas mocoquinhas”.

Capella da Santa Cruz, foto publicada no semanário A Mococa, em 1936
Todas as Os párocos que sucederam padre Bento, da melhor maneira que dispunham, passaram a celebrar missas e manter a capela em boas condições. Em 1951, foi destinado para a paróquia o padre Paulo Haroldo Ribeiro e não tardou para que se lançasse aos cuidados da comunidade. Colaborador de A Mococa e envolvido em diversas atividades sociais, padre Paulo percebeu, como o padre Bento, que a cidade se desenvolvia e o bairro da Mocoquinha e imediações cresciam continuamente. Em 1954, resolveu realizar a restauração da capela. Em 24 de abril daquele ano, teve início a festa da Santa Cruz, cuja receita seria integralmente revertida à reconstrução da capela. As obras tiveram início em 1º de maio de 1954. O desenho e o projeto foram minunciosamente trabalhados pelo projetista Miguel de Luna (1929-2022) e pelo engenheiro Guilherme di Felipe, que, com todo esmero, superaram as adversidades que o terreno lhes impunha e traçaram as linhas da nova igreja, com estilo colonial, inspirada em um Convento da cidade de Itanhaém. Não pode-se esquecer que inúmeros pedreiros e voluntários, cujos nomes a história suprimiu, não mediram esforços para erigir a nova igreja. Em outubro, a capela já não mais existia, dando lugar aos novos alicerces da igreja.
A inauguração se deu em 21 de abril de 1955, no primeiro dia da festa da Santa Cruz. Às 17h, uma grande procissão, carregando a imagem de Nossa Senhora de Fátima, deixou a Igreja Matriz rumo à Igreja Santa Cruz. Monsenhor João Lauriano, representante da diocese de Ribeirão Preto, realizou a benção da igreja, proferindo eloquente discurso aos seus conterrâneos. Realizou-se, em seguida, a habitual missa vespertina, encerrada com o início da festa, que duraria até 1º de maio de 1955.

Programa das festividades da inauguração da nova Igreja da Santa Cruz, publicado n'A Mococa, edição de 17 de abril de 1955.

Os anos passaram. O crescimento da Mocoquinha exigia ali um pároco constantemente presente para atender a população. Foi em 14 de setembro de 2003 que dom David Dias Pimentel, bispo da diocese de São João da Boa Vista, instalou ali a Paróquia da Santa Cruz, empossando o primeiro pároco, padre Gerson Borges da Fonseca. A nova paróquia era responsável não apenas pela Igreja da Santa Cruz, mas também pela Capela do Imaculado Coração de Maria e pela Igreja de Nossa Senhora da Luz, em Canoas. Padre Gerson edificou também as capelas de Santo Expedito e a de São Pelegrino.


Desde 14 de setembro de 2020, a paróquia encontra-se sob a responsável direção do padre Antônio Carlos Ferreira de Souza, chamado carinhosamente pelos seus paroquianos de padre Toninho. Com integral devoção ao seu ofício, padre Antônio colabora com todo o zelo, cada dia mais, para com a prosperidade da paróquia e com a propagação da palavra de Deus, sempre contando com o apoio e aprovação da comunidade.
Em um trabalho conjunto, eu e padre Toninho estamos realizando um levantamento histórico sobre a paróquia Santa Cruz, que deve ser publicado ainda esse ano. Qualquer pessoa que possua fotos ou documentos sobre a história da Igreja e deseja compartilhar seu material para a publicação, pode entrar em contato com nós dois.

Aspecto atual da Igreja Matriz da Santa Cruz

Vivas à Igreja Santa Cruz!

Fontes:
Acervo jornal A Mococa, anos de 1936 e 1950-1955;

PALADINI, Carlos Alberto. Assim nasceu Mococa. 2ª ed. São Paulo: Alfa-Ômega, 2008;

__________. Mococa: Igrejas e capela. Araras: Grass, 2013;

QUEIROZ, Humberto de. A Mocóca – de sua fundação até 1900. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, volume XV. São Paulo: Typographia do Diário Official, 1912, p. 123-198.

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