Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti
Foi o olhar visionário do padre Bento Monteiro do Amaral (1867-1954) que impulsionou uma reforma nos meios eclesiásticos de Mococa no final do século XIX e início do século XX. Veio para a paróquia de São Sebastião em 1890 e não tardou para perceber que a cidade crescia, o que, consequentemente, aumentava a quantidade de fiéis a serem assistidos. Assim, além de trabalhar para a construção da Nova Igreja Matriz, empreendeu a construção de duas capelas, uma situada no bairro da Estação, em devoção à Nossa Senhora Aparecida, e a outra, na Mocoquinha, devotada à Santa Cruz. Em 1891, o bispo de São Paulo, dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho (1826-1894), emitiu provisão em 05 de setembro, autorizando a construção da capela que, segundo o professor C. A. Paladini, seria construída em 1895. O local da construção seria, segundo a tradição oral, o ponto onde, em 1844, o capitão-mor Custódio José Dias vaticinou a nomeação do lugar, ao exclamar para seus companheiros de viagem: “Olhem para ahi essas mocoquinhas”.
Todas as Os párocos que sucederam padre Bento, da melhor maneira que dispunham, passaram a celebrar missas e manter a capela em boas condições. Em 1951, foi destinado para a paróquia o padre Paulo Haroldo Ribeiro e não tardou para que se lançasse aos cuidados da comunidade. Colaborador de A Mococa e envolvido em diversas atividades sociais, padre Paulo percebeu, como o padre Bento, que a cidade se desenvolvia e o bairro da Mocoquinha e imediações cresciam continuamente. Em 1954, resolveu realizar a restauração da capela. Em 24 de abril daquele ano, teve início a festa da Santa Cruz, cuja receita seria integralmente revertida à reconstrução da capela. As obras tiveram início em 1º de maio de 1954. O desenho e o projeto foram minunciosamente trabalhados pelo projetista Miguel de Luna (1929-2022) e pelo engenheiro Guilherme di Felipe, que, com todo esmero, superaram as adversidades que o terreno lhes impunha e traçaram as linhas da nova igreja, com estilo colonial, inspirada em um Convento da cidade de Itanhaém. Não pode-se esquecer que inúmeros pedreiros e voluntários, cujos nomes a história suprimiu, não mediram esforços para erigir a nova igreja. Em outubro, a capela já não mais existia, dando lugar aos novos alicerces da igreja.
A inauguração se deu em 21 de abril de 1955, no primeiro dia da festa da Santa Cruz. Às 17h, uma grande procissão, carregando a imagem de Nossa Senhora de Fátima, deixou a Igreja Matriz rumo à Igreja Santa Cruz. Monsenhor João Lauriano, representante da diocese de Ribeirão Preto, realizou a benção da igreja, proferindo eloquente discurso aos seus conterrâneos. Realizou-se, em seguida, a habitual missa vespertina, encerrada com o início da festa, que duraria até 1º de maio de 1955.
Os anos passaram. O crescimento da Mocoquinha exigia ali um pároco constantemente presente para atender a população. Foi em 14 de setembro de 2003 que dom David Dias Pimentel, bispo da diocese de São João da Boa Vista, instalou ali a Paróquia da Santa Cruz, empossando o primeiro pároco, padre Gerson Borges da Fonseca. A nova paróquia era responsável não apenas pela Igreja da Santa Cruz, mas também pela Capela do Imaculado Coração de Maria e pela Igreja de Nossa Senhora da Luz, em Canoas. Padre Gerson edificou também as capelas de Santo Expedito e a de São Pelegrino.
Desde 14 de setembro de 2020, a paróquia encontra-se sob a responsável direção do padre Antônio Carlos Ferreira de Souza, chamado carinhosamente pelos seus paroquianos de padre Toninho. Com integral devoção ao seu ofício, padre Antônio colabora com todo o zelo, cada dia mais, para com a prosperidade da paróquia e com a propagação da palavra de Deus, sempre contando com o apoio e aprovação da comunidade.
Em um trabalho conjunto, eu e padre Toninho estamos realizando um levantamento histórico sobre a paróquia Santa Cruz, que deve ser publicado ainda esse ano. Qualquer pessoa que possua fotos ou documentos sobre a história da Igreja e deseja compartilhar seu material para a publicação, pode entrar em contato com nós dois.
Vivas à Igreja Santa Cruz!
Fontes:
Acervo jornal A Mococa, anos de 1936 e 1950-1955;
PALADINI, Carlos Alberto. Assim nasceu Mococa. 2ª ed. São Paulo: Alfa-Ômega, 2008;
__________. Mococa: Igrejas e capela. Araras: Grass, 2013;
QUEIROZ, Humberto de. A Mocóca – de sua fundação até 1900. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, volume XV. São Paulo: Typographia do Diário Official, 1912, p. 123-198.




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