Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti
A comarca de Monte Santo foi criada por força do Decreto nº 243, de 21 de novembro de 1890, sendo imediatamente designados para atuar na circuscrição, o dr. Severino Eulogio Ribeiro de Rezende, como juiz de direito, e o dr. Wenceslau Bras Pereira Gomes, como promotor. Entre 1890 e 1938, foram seus juízes os senhores:
Dr. Severino Eulógio Ribeiro de Rezende
De 1890 até 1896
Natural de Campanha, Minas Gerais, onde nasceu no ano de 1842, era filho do tenente Francisco Marcos Ribeiro de Rezende e de dona Francisca de Paula Midões. Era sobrinho-neto do Marquês de Valança, Estevão Ribeiro de Rezende. Casou-se com Gabriela Augusta Ferreira Lopes, com quem teve oito filhos.
Bacharelou-se em 1867, assumindo no ano seguinte o cargo de promotor da comarca do Sapocahy. Em 1873, atuou como juiz municipal de Cabo Verde. Como juiz de direito, passou pelas comarcas de Baependi, Alfenas, Monte Santo e Rio do Pomba.
Foi o primeiro juiz de direito da comarca de Monte Santo, criada em 1890, instalada em 31 de março de 1892. Em 1896, foi designado para a comarca do Rio do Pomba. Falece em Ubá, onde realizava um tratamento de saúde, no dia 18 de setembro de 1908.
Sua filha caçula, Angelina, casou-se com o dr. João Evangelista Barroso, sendo os pais do famoso Ary Barroso, cuja contribuição para a cultura brasileira é inenarrável.
Dr. Luciano de Souza Lima
De 1896 até 1906
Nascido no ano de 1864, na cidade de Mar de Espanha, Minas gerais, era filho de Manoel de Souza Lima e de dona Maria Carolina Barroso. Foi casado com dona Josephina Rodrigues de Paiva (1874-1953), filha de Francisco Rodrigues de Paiva e de dona Mariana Frederica de Souza Pinto. De seu consorcio, teve os seguintes filhos: João Baptista; Pedro; José Oscar; Maria da Conceição; Maria das Mercês; Paulo; Luiz Gonzaga; Emmanuel; Francisco; e Theofilo.
Graduado em Direito, assumiu como promotor público de Ubá em 1889. Já em 1895, o vemos como promotor de Santo Antônio do Machado, sendo que, neste mesmo ano, assume como juiz de direito da Comarca do Prata, uma vez que sua requisição para ser juiz substituto de Leopoldina foi denegada.
Em 8 de fevereiro de 1896, foi designado para a Comarca de Monte Santo, em substituição ao dr. Severino Eulógio Ribeiro de Rezende, onde permanece até 1906, sendo substitutuído pelo dr. João Baptista da Costa Honorato. Designado para a comarca de Campanha, permuta o cargo em 1909 para a comarca de Pouso Alto. Já em 1913, o vemos como juiz de direito de Cataguazes, onde se envolve em diversas entidades sociais.
Em 16 de outubro de 1915, o Tribunal de Relação aprova a lista dos dez juízes de comarcas de 2ª entrância para preencher as vagas da 3ª entrância de Belo Horizonte, sendo o 7º nome da lista. Assume a 1ª Vara da Comarca da capital mineira.
Em 21 de fevereiro de 1927, é nomeado desembargador do Tribunal de Relação, participando, em 1929, do conselho disciplinar. Sua passagem pela Corte foi curta, pois, em 1930, aposenta.
Dr. Luciano faleceu em 09 de março de 1944, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Dr. João Baptista da Costa Honorato
De 1907 até 1923
Nascido em 11 de junho de 1868, era filho de Antônio Francisco Honorato e de dona Joaquina Maria da Conceição. Ingressou na Faculdade de Direito do Recife, onde bacharelou-se em 1891.
Em 1893, foi nomeado juiz substituto de Monte Santo, sua primeira passagem por aquela comarca, onde começou a advogar. Em 1897, foi empossado como juiz substituto de Viçosa, cargo que permutou em 1902, sendo enviado para Além Parahyba. Três anos depois, em 1905, era empossado como juiz de direito da comarca da Prata.
Em 1907, assume como juiz de direito da comarca de Monte Santo. Entre os anos de 1909 e 1911, foi afastado de suas funções para responder a um inquérito, sendo substituído pelos juízes municipais do termo, Theodolindo Augusto Pereira Lima (1909-1911) e dr. Demosthenes da Silveira Lobo (1911). Reintegrado ao cargo de juiz em 1911, permanece como titular da comarca de Monte Santo até 1923, quando é enviado para a comarca de São Francisco, onde, em 02 de fevereiro de 1927, vem a falecer.
Dr. José Eduardo do Amaral
De 1923 até 1925
Natural de Pouso Alegre, Minas Gerais, onde nasceu em 21 de setembro de 1878, era filho do coronel Eduardo Carlos Vilhena do Amaral (1857-1938) e de dona Alvarina de Barros Dias (1855-1932). Casou-se com dona Ana Pimenta de Pádua, com quem teve seis filhos.
Bacharel em direito pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1901, sua primeira função ligada ao judiciário foi o cargo de promotor de Monte Santo, que assumiu em 1903, permanecendo apenas três meses no cargo, vez que foi nomeado juiz municipal de Santa Rita de Cássia. Em maio de 1912, foi exonerado à pedido do cargo de promotor de São Sebastião do Paraíso. Em 1913, encontrava-se como juiz de direito da comarca de Baependy. Em outubro de 1920, assumiu como juiz de Ouro Preto. No ano seguinte, foi nomeado juiz de direito da comarca de Ponte Nova.
Em 1923, retornou para a comarca de Monte Santo, mas desta vez como juiz de direito, permanecendo até 1925. Neste mesmo ano, é eleito presidente da Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais, permanecendo até 1930. Passa a residir, até o final de sua vida, em São Sebastião do Paraíso, onde atuou como banqueiro e advogado. Faleceu em Campinas, SP, em 19 de abril de 1958.
Dr. Telêmaco Autran Dourado
De 1925 até 1938
Telêmaco Autran Dourado nasceu em 5 de Maio de 1893, no Estado do Rio Grande do Sul. Era filho de Angelo Cardoso Dourado (1857-1905) e de Francisca Autran da Mata e Albuquerque (1864-1937). Bacharelou-se em Direito pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, em 1916. Foi casado em primeiras núpcias com dona Alice da Silva Freitas (1903-1955), filha de Ozorio de Freitas e de dona Aliffonsina da Silva Freitas, cujo casamento deu-se em 8 de novembro de 1919, com quem teve cinco filhos: Telemaco Autran Dourado Filho (1921-1969); Aluísio de Freitas Autran Dourado (1923-2002); Waldomiro de Freitas Autran Dourado (1926-2012), este um grande literato brasileiro; Vinicius Autran Dourado (1928-1991); e Francisca de Freitas Autran Dourado (1930-2021). Com o falecimento de sua esposa, casou-se com dona Maria Silvia Ibrahim.
Dr. Telêmaco ocupou inúmeros cargos do Judiciário montesantense: foi delegado de polícia, empossado em 14.09.1917; juiz municipal, empossado em 22.01.1918; promotor público, empossado em 19.01.1919. Em meados de 1925, foi nomeado juiz de Direito da Comarca de Patos de Minas, porém, no ano seguinte, retornou para Monte Santo de Minas para ocupar o cargo de Juiz de Direito, ocupando o cargo de 1925 até meados de 1938, quando foi nomeado Juiz da 3ª Vara da Comarca de Belo Horizonte. Em 1934, publicou o livro “Despachos e decisões”, pela editora Condor
Em 02 de Setembro de 1941, foi nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, com assento na 1ª Câmara Cível, por ato assinado pelo Dr. Benedito Valadares, governador do Estado. Por meio de Decreto, datado de 10 de Maio de 1957, Dr. Telêmaco foi nomeado ministro togado do Superior Tribunal Militar, tomando posse no dia 13 do mesmo mês. À frente do STM, fora relator do Regimento Interno, entre os anos de 1960 e 1961 e Conselheiro da Ordem do Mérito Jurídico Militar, condecoração esta que a ele foi outorgada por seus pares. Em 02 de Maio de 1963, Dr. Telêmaco aposentou-se, a pedido.
Faleceu aos 80 anos de idade, no dia 16 de Outubro de 1973, no Rio de Janeiro, sendo sepultado no Cemitério São João Batista.



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