Por Leonardo Borgheti M. F. Belotti
Segundo o livro Genealogia Paulista, vol. VII, de Silva Leme, Bento Monteiro de Godoy, filho do capitão Claro Monteiro do Amaral e de Francisca de Paula Oliveira Godoy, casou-se em Pindamonhangaba, SP, com Maria Monteiro de Mello, que vem a ser filha de Francisco Marcondes Homem de Mello, barão de Pindamonhangaba, e de sua primeira mulher, Anna Francisca de Mello. O casal teve treze filhos. Era descendente de uma antiga família paulista, originada com o capitão Manoel da Costa Cabral (c. 1592, Ilha de São Miguel, Açores, Portugal – 1659, Taubaté-SP).
Um de seus filhos viria a ser lembrado, anos após o seu nascimento, como um dos grandes vultos de Mococa. Trata-se do padre Bento Monteiro do Amaral, nascido em 09 de outubro de 1867 na cidade de Pindamonhangaba, SP. Incardinado na arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, foi pároco da paróquia de Nossa Senhora do Copacabana.
Em 18 de outubro de 1890, é designado para a Paróquia de São Sebastião, em substituição ao padre Ernesto Augusto Lages, que foi removido por pressões políticas, conforme Provisão de nomeação, abaixo transcrita:
“Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, por mercê de Deus e de Santa Sé Apostólica Bispo de São Paulo. Aos que esta Nossa portaria virem, Saúde e benção em o Senhor. Achando-se vago o cargo de Vigário da Egreja Parochial de São Sebastião na cidade de Mococa, d’este Bispado, havemos por bem pelo presente, nomear Vigário Encomendado da referida Egreja o Revmo. Bento Monteiro do Amaral, Presbítero Secular deste Bispado, devendo no prazo de trinta dias solicitar a competente Provisão tomando primeiramente posse e entrando em exercício do cargo, ficando assim dispensado do Paroquiato da Egreja de Brotas. E lhe concedemos as faculdades do estilo para administrar todos os sacramentos aos fiéis da dita Egreja de Mococa, aos quais mandamos para Santa Obediência que reconheçam o Revmo. Padre Bento Monteiro do Amaral por seu legítimo Vigário como tal o respeitam e lhe obedeçam em tudo a eu são obrigados. E para que chegue ao conhecimento de todos será publicada a Estação da Missa Paroquial, em dia festivo e assim haverá os Ensinamentos que legitimamente lhes pertencem. Dada na Câmara Episcopal de S. Paulo, sob o Signo e Selodas Nossas Armas, aos treze de Setembro de 1890. Eu Padre Adelino Montenegro, escrivão da Câmara Eclesiástica, a subscrevi, Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, Bispo Diocesano”
(Transcrito ipsis litteris, PALADINI, Carlos Alberto. Mococa: Igrejas e Capelas. Mococa: edição do autor, 2013, p.63-64)
Chega em Mococa vindo de Brotas, visando inovar os desígnios religiosos da paróquia e imediatamente começa a obrar para a construção da nova Igreja Matriz e pelas capelas da Aparecida, no bairro da República, e de Santa Cruz, no bairro da Mocoquinha. Ficou quatorze anos à frente da paróquia. Atuou como professor no Ateneu Mocoquense; foi colaborador do Monitor Paulista; e fundador do Colégio da Sagrada Família. Devido aos seus exímios trabalhos, foi agraciado com a titulação de cônego.
Em 17 de junho de 1904, foi nomeado pároco de Jaú, e lança-se para a continuação da construção da nova Igreja Matriz, nomeando uma comissão. Foi eleito por aclamação presidente da Santa Casa de Jaú, em 1916, recém-inaugurada. Da mesma forma, não mediu esforços para a construção do Asilo da Imaculada Conceição, em 1916, inaugurado em 08 de dezembro de 1917.
Removido para o Rio de Janeiro, ao longo dos anos de 1930 e 1940, ocupou diversos cargos da diretoria da “Casa dos Pobres”, lotada em Copacabana. Faleceu a 10 de setembro de 1954, em sua cidade natal, aos 86 anos de idade. O necrológico do A Mococa, do dia 19 de setembro daquele ano, assim concluiu:
“Lá mesmo, no Rio de Janeiro, na sexta-feira da semana atrasada, dia 10 do corrente, Cônego Bento Monteiro do Amaral faleceu. Não teve, naturalmente, nenhum mocoquense ao seu lado. Mas deve, no seu instante derradeiro, ter-se lembrado de Mococa. Lembrou-se sem tristeza, sem mágoas, sem sofrimento, porque a sua passagem por esta cidade foi uma peregrinação de grande fé religiosa, de muito amor piedoso e de muita dedicação ao trabalho. O seu retrato simbólico está, representado pela Igreja Matriz, que êle construiu abnegadamente em dez anos de incessante mourejar. Nós não pudemos, Cônego Bento, ir levar-lhe, para depositar em seu tumulo, uma gota, sequer, do nosso pranto de dor pela separação. Não tivemos ensejo, mesmo, de enviar-lhe, por qualquer meio, uma corôa de homenagem. Mas tecemos com as cores roxas de nossa consternação, um ramalhete de sentidas saudades que só hoje enviamos, simbolizando nossa estima. E ao entrega-lo, parece-nos ouvir a única frase capaz de resumir a nobreza de sua alma que nunca se apegou aos bens terrenos: - OMNIA MECUM PORTO”.
Atualmente, a rua que liga os bairros Descanso e Vila Naufel leva o nome “Cônego Bento”.


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