Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti.
O cônego Paulo Haroldo Ribeiro nasceu na cidade de Ribeirão Preto, SP, aos 14 de março de 1921, sendo filho do senhor Lauro Ribeiro e de dona Maria de Moura Ribeiro. Em sua cidade natal, cursou o ensino primário e ginasial, realizando estudos de violino e teoria musical. Ingressou no Seminário Central do Ipiranga, formado em filosofia pura e teologia. Não obstante tamanha formação, ainda era poliglota, dominando muito bem latim, grego e espanhol.
Por meio de Portaria da Diocese, datada de 30 de junho de 1950, foi designado para a Paróquia de São Sebastião, em Mococa, SP, assumindo-a no dia 15 de julho de 1951, em cerimonial iniciado às 9h30, presentes, dentre autoridades e civis, representantes das Associações Religiosas locais, inclusive a Ordem Terceira. O cônego Adauto Vitali foi incumbido pelo Bispado de Ribeirão Preto de dar-lhe posse, celebrando a missa às 10h, quando, pela primeira vez, falou com os seus paroquianos.
Em Mococa, padre Paulo Haroldo foi colaborador do semanário A Mococa ao longo de quase toda a sua estadia na paróquia. Assinava uma coluna, onde tratava dos mais variados temas, assumindo, de certa forma, a função de jornalista. No artigo viabilizado na edição de 12.04.1953, intitulado “Mais uma luz no horizonte”, declamou sua reverência ao jornalismo: “Não devemos ter ilusões. Por este motivo é que concordo sempre com Giordani, quando afirmava: ‘O jornalismo é uma artilharia de maior alcance, mais extensamente atroadora e mais fortemente destruidora do que os canhões’”. Crítico, em outro artigo do mesmo ano, “Paradoxos”, escreve que “ouvimos aqui e ali o conclamar constante à uma liberdade sem peias, que deixou de ser democracia para tornar-se anarquia. É a revolução política que presenciamos boquiabertos”. Foi um verdadeiro leitor de seu tempo.
Padre Paulo Haroldo obrou para que a pequena capela da Santa Cruz fosse inteiramente reconstruída, agora como a Igreja da Santa Cruz. Foi uma obra astuciosa, iniciada em abril de 1954. A inauguração ocorreu em 21 de abril de 1955, com a presença do Monsenhor Dr. João Laureano, porém, segundo consta no Livro de Tombo da Paróquia de São Sebastião, o pagamento das dívidas da construção seria concluído apenas em 1957 e a reforma encerrou apenas em 1959. Em retribuição a todo o seu trabalho, foi nomeado Cônego. Pouco depois, padre Paulo Haroldo despediu-se de Mococa em 27 de novembro de 1960, em um cerimonial que contou, inclusive, com os cânticos do Coral da Santa Cruz. Sua partida foi muito sentida para a população mocoquense, que o viam não apenas como o líder católico, mas como professor e conselheiro.
Foi destinado à Paróquia de São João da Boa Vista, atuando como chanceler do bispado, capelão, vigário e consultor diocesano. Por onde quer que passasse, padre Paulo Haroldo deixava um legado religioso, social e cultural que era elogiosamente lembrado. Enviado à Curitiba, PR, assumiu diversas funções, como capelão do Departamento de Estabelecimentos Penais do Estado, do Colégio e Internato Paranaense e da Igreja de Santa Catarina de Laboreaux. Também, dirigiu o Departamento de Opinião Pública Sul 2, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e coordenou o Movimento dos Emaús para jovens.
Desde o tempo que esteve em Mococa, já atuava como professor de diversas matérias, incluindo línguas, História, sociologia geral e psicologia. Em Curitiba, foi convidado para lecionar teologia moral, sociologia e cultura religiosa na PUC. Preocupado com o social, fundou diversas entidades filantrópicas e comunitárias pelas cidades onde passou, inclusive, o Centro Social Católico de Mococa, em 1º de julho de 1959.
Como jornalista, foi redator-chefe do Diário de Notícias de Ribeirão Preto; editor e diretor do A Cidade de São João, em S. João da Boa Vista; colaborador do A Mococa; e colaborador do Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e do Diário do Paraná, estes três últimos em Curitiba. Também dirigiu e co-produziu um programa na TV Paranaense.
Padre Paulo Haroldo Ribeiro faleceu em sua residência às 02h30 do dia 31 de agosto de 1996, sendo sepultado no Cemitério Municipal São Francisco de Paula, em Curitiba, PR. Por força da Lei nº 9.037, de 1997, cuja indicação foi apresentada e elaborada pelos vereadores da Câmara Municipal de Curitiba, Rosa Maria Chiamulera e João C. Derosso, um logradouro público recebeu seu nome. Deixou um rico legado e, em Mococa, sua memória ainda é celebrada com reverência.
Fontes:
Indicação da Câmara Municipal de Curitiba, datada de 19 de dezembro de 1996;
Jornal A Mococa, arquivo da Casa de Cultura “Rogério Cardoso” (período consultado 1951 até 1956);
Livro de Tombo da Paróquia de São Sebastião de Mococa, aberto em 23.05.1947;
PALADINI, Carlos Alberto. Assim nasceu Mococa. São Paulo: Alfa-Omega, 1995.

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