segunda-feira, 2 de setembro de 2024

MARIA ELIZABETH REZENDE, PRODUTORA DE CAFÉ ARCEBURGUENSE, EM EVIDÊNCIA NO CULTIVO ORGÂNICO

 

 


“Quando o café veio para o Brasil, se não me engano, foi em 1727, Francisco de Mello Palheta trouxe e plantou inicialmente na Amazônia. De lá para cá, depois da decadência da Mineração, ele foi plantado no norte do Brasil, depois veio para o Vale do Paraíba, até se espalhar para a região sudeste – e quanta coisa mudou!”, disse a professora e produtora, Maria Elizabeth Rezende. “Foi graças a produção cafeeira que o Brasil iniciou o processo de industrialização”, complementou.

Maria Elizabeth Rezende foi professora da rede pública de ensino de Arceburgo durante 32 anos, lecionando Geografia. Nascida na zona urbana, disse ter “alma rural”. Seu avô não possuía terra própria, porém, plantava para o sustento da família. Sua mãe plantava verduras no quintal de sua casa, uma produção orgânica, que era apreciada pelos arceburguenses. Anos depois, a “alma rural” despertou-lhe o interesse de adquirir uma propriedade rural, junto de seu sobrinho, Ivan. Nascia o sítio “Estância Córrego do Moinho”.

Desde a aquisição do sítio, há 12 anos, desejava realizar o cultivo de alguma planta. Decidiu pelo café, durante a pandemia. O extencionista da EMATER de Arceburgo, Antônio, aconselhou-a e colocou-a em contato com Geraldo, extencionista agropecuário da EMATER, que passou a acompanhar todo o processo. Em 21 de junho de 2021, começaram a preparar a terra. Contratou um serviço público para auxiliá-la, disponível para produtores rurais. Teve ajuda dos senhores Alceu, José Pedro, Elton e Nilson. As 5.000 mudas de café-arara chegaram em 09 de dezembro daquele ano, terminando o plantio no dia 27 no mesmo mês.

Firme na convicção de realizar uma produção orgânica, passou a plantar sorgo e feijão-guandú próximo às mudas, pois ambos ajudam a trabalhar a terra. “Tem gente que fala assim: ‘O veneno é muito prático’ e é mesmo, mas você não pode pensar no solo como terra – ele é vivo!”, pontuou. “O fato de eu ter trabalhado com Geografia, trabalhei a parte da natureza, a parte humana e a parte social. Eu trabalhei muito e li muito sobre a questão dos problemas ambientais. Então seria contraditório”, conclui. Desde o começo, trabalhou com a produção orgânica.

No ano passado, o resultado começou a aparecer. Uma senhora, Vita, informou que um técnico em cafeicultura, chamado Wellington, estava trabalhando em Mococa. Elizabeth teve um contato anterior com ele no período da pandemia. No dia 11, Corpus Christi, Wellington levou uma amostra para análise pelo laboratório da Fazenda Fortaleza, grande produtora de produtos orgânicos. Valeu a pena a espera: seu café obteve 85,5 pontos na análise sensorial. Em uma segunda análise, alcançou 86 pontos.

Auxiliada na comercialização, as proprietárias, Julia e Nádia, de uma cafeteria em São Paulo, denominada Por Elas, adquiriram o café de Elizabeth. “Hoje, elas trabalham só com café produzido por mulheres”, disse. As duas empresárias fizeram o lançamento do café no The São Paulo Coffee Festival, que ocorreu na capital paulista de 21 a 23 de junho.

O extencionista da EMATER, Geraldo José Rodrigues, que trabalha com a certificação de propriedades cafeeiras, informou que trabalhar com a Elizabeth foi uma oportunidade de crescimento profissional muito grande. “Um café que, em sua primeira safra, foi campeão de qualidade, já teve seu mercado encaixado por conta dessa qualidade, para nós, da EMATER, é muito gratificante, pois esse é o nosso objetivo”, disse. Geraldo ainda conta que a propriedade da Elizabeth foi uma escola, pois, com a experiência, agora “tem condição de atender outros produtores que possuem o mesmo princípio, de produção orgânica”. Agradeceu muito à Elizabeth, e ressaltou que, em um mundo praticamente masculino do café, ela está conseguindo vencer, pois é empenhada e dedicada no seu trabalho.

Elizabeth agradeceu a todos os envolvidos, e ressalta que o fruto de seu trabalho é um presente de Deus, a quem, sobre tudo, dedica os seus mais sinceros agradecimentos.  

O café pode ser adquirido no ARCEARTE, à Praça Dr. Herculano de Paula Borges. Para os que desejarem, podem seguir a “Estância Córrego do Moinho” no Instagram e acompanhar a produção e as conquistas de Elizabeth.



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