quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

UM CRIME HISTÓRICO - O TAL DO CHAPÉU DE COURO

 

Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Nos tempos da chamada justiça despótica, antes que a autoridade dos juízes de paz e dos delegados de polícia sobrepujasse a arbitrariedade dos fiscais de quarteirões, um crime causou não apenas o susto da povoação de São Sebastião da Boa Vista, mas também gerou um mistério histórico: quem foi o tal de Chapéu de Couro!

Humberto de Queiroz, na sua famosa Monografia, eram “raros os crimes sérios e quando se dava um caso como o do Chapéu de Couro, que, com um tiro de espingarda, enrolou o Salvador, era mais frequente ir o criminoso mais para o fundo do sertão do que ir para a cadeia da Vila de Casa Branca, como fez o Chapéu de Couro, que não se sabe onde foi morrer”.

De fato, Chapéu de Couro foi uma figura envolta em mistério; sua identidade atravessou três séculos incógnita. Segundo Carlos Munhoz, em um artigo do A Mococa, seria Salvador Cardoso o alvo da bala de Chapéu de Couro, lá na distante década de 1850. No local da morte, um cruzeiro foi afixado – anos mais tarde, uma capela sob a invocação da Santa Cruz, surgiria no local.

Contudo, recentemente, descobrimos que Chapéu de Couro seguiu para Mogi Guaçu, onde constituiu a fazenda do Bebedouro, local onde faleceu. Seu nome era José Maria Ferreira da Cunha, português de origem. Em 30 de agosto de 1877, encontrou seu fim, vítima de ima inflamação dos rins. Contava com 78 anos, o que pode-se presumir ter nascido nos idos de 1799. Abaixo, segue o assento transcrito de seu óbito:

No dia trinta de Agosto do corrente anno [1877], sepultou-se na Capella do Bebedouro na Sette allagoas desta freguezia José Maria Ferreira da Cunha, Portuguez com setenta e oito annos de edade, viúvo, deixou filhos naturaes e segundo consta reconheceu como legítimos, e derão parte do óbito a seis de Setembro do corrente anno. Faleceu de inflamação dos rins. (a.) O Vigr. Agostinho Gomes da Costa.

Em março de 1882, sua fazenda do Bebedouro, ou Bebedor, com mais de uma légua quadrada de terreno, era vendida, anunciada como um “bom emprego de capital”, distante 6 léguas de Mogi Mirim e 3 léguas da estação do Mato Seco, pela estrada que dava em Casa Branca, confrontando pela frente com a fazenda do senador Queiroz e, pela lateral, com a fazenda do finado Dr. Luiz Torquato Marques de Oliveira.

Chapéu de Couro entrou para os mistérios da História de Mococa, quase como uma lenda, que agora buscamos desvelar o segredo.

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