O primeiro artigo a tratar, mesmo
que brevemente, sobre a história de Mococa consta na edição de 10 de fevereiro
de 1880, nº 1.489, do jornal A Província de S. Paulo, onde um
médico que clinicou em Mococa, dr. Felippe Salvador Santo Pagano, pontuou
considerações sobre Mococa. Tratou brevemente sobre sua história, sociologia,
geografia e, com um enfoque maior, sobre a situação sanitária. Escreveu ele:
“É da
tradicção: Que no tempo em que Mococa era ainda um sertão, vieram, da villa de
S. João d'El-Rei (Minas-Geraes), alguns caçadores até estas paragens, no anno
de 1825, mais ou menos, e sympathisando-se com a localidade fizeram algumas
choças, perto do Ribeirão do meio; que as famílias Cabelluda, Figueiredo e
Christovam, foram os primeiros habitantes do logar; que apoz ellas vieram
reunindo-se outras pouco a pouco; que os primeiros habitantes chamavam-no
Mococa (especie de gyria, que significava reunião de pequenas casas, oriunda,
dizem, de uma palavra africana) em vista da sua perspectiva [...]”.
Curioso que o dr. Felippe aduziu
que os pioneiros de Mococa seriam oriundos das famílias Figueiredo, Christovam
e Cabelluda. As duas primeiras, por óbvio, são por demasiada conhecidas – cujos
patriarcas eram o capitão Diogo Garcia da Cruz, proprietário da fazenda
Alegria, e José Christóvão de Lima, da fazenda da Água Limpa. A família
Cabelluda, contudo, desconhecia-se a origem.
No Registro Paroquial de Terras
da Vila de Casa Branca, de 1856, o padre João Rodrigues Martins declarou que
era senhor de uma sorte de terras na fazenda das Canoas, na divisa com Minas
Gerais, terras estas adquiridas por escritura pública, lavrada em cerca de
1830, então pertencentes aos herdeiros de “Lourenço, Cabelludo de
apellido”. Trata-se, segundo a declaração, de uma alcunha, mas que
ganhou forças tamanhas que perdeu-se o sobrenome real de Lourenço. Confinavam
as terras, ademais, como ribeirão das Canoas, com terras de José Christóvão de
Lima e com propriedades do capitão José Gomes de Lima. A declaração foi
recebida pelo frei Clemente de Gênova, que lavrou o respectivo assento no livro
de Registros à 20 de abril de 1856.
Aos poucos, vamos desvendando os
mistérios do passado de Mococa!
Pesquisa realizada
por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti.
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