terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

“LOURENÇO, CABELLUDO DE APELLIDO”, FIGURA DO PASSADO DE MOCOCA

 

O primeiro artigo a tratar, mesmo que brevemente, sobre a história de Mococa consta na edição de 10 de fevereiro de 1880, nº 1.489, do jornal A Província de S. Paulo, onde um médico que clinicou em Mococa, dr. Felippe Salvador Santo Pagano, pontuou considerações sobre Mococa. Tratou brevemente sobre sua história, sociologia, geografia e, com um enfoque maior, sobre a situação sanitária. Escreveu ele:

“É da tradicção: Que no tempo em que Mococa era ainda um sertão, vieram, da villa de S. João d'El-Rei (Minas-Geraes), alguns caçadores até estas paragens, no anno de 1825, mais ou menos, e sympathisando-se com a localidade fizeram algumas choças, perto do Ribeirão do meio; que as famílias Cabelluda, Figueiredo e Christovam, foram os primeiros habitantes do logar; que apoz ellas vieram reunindo-se outras pouco a pouco; que os primeiros habitantes chamavam-no Mococa (especie de gyria, que significava reunião de pequenas casas, oriunda, dizem, de uma palavra africana) em vista da sua perspectiva [...]”.

Curioso que o dr. Felippe aduziu que os pioneiros de Mococa seriam oriundos das famílias Figueiredo, Christovam e Cabelluda. As duas primeiras, por óbvio, são por demasiada conhecidas – cujos patriarcas eram o capitão Diogo Garcia da Cruz, proprietário da fazenda Alegria, e José Christóvão de Lima, da fazenda da Água Limpa. A família Cabelluda, contudo, desconhecia-se a origem.

No Registro Paroquial de Terras da Vila de Casa Branca, de 1856, o padre João Rodrigues Martins declarou que era senhor de uma sorte de terras na fazenda das Canoas, na divisa com Minas Gerais, terras estas adquiridas por escritura pública, lavrada em cerca de 1830, então pertencentes aos herdeiros de “Lourenço, Cabelludo de apellido”. Trata-se, segundo a declaração, de uma alcunha, mas que ganhou forças tamanhas que perdeu-se o sobrenome real de Lourenço. Confinavam as terras, ademais, como ribeirão das Canoas, com terras de José Christóvão de Lima e com propriedades do capitão José Gomes de Lima. A declaração foi recebida pelo frei Clemente de Gênova, que lavrou o respectivo assento no livro de Registros à 20 de abril de 1856.

Aos poucos, vamos desvendando os mistérios do passado de Mococa!

Pesquisa realizada por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti.



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