segunda-feira, 27 de julho de 2026

OS ANTIGOS FAZENDEIROS DE SÃO JOSÉ

 

Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Instituto Histórico e Cultural de Arceburgo

Instituto Bruno Giorgi



As tratativas para que fosse erigida uma capela em devoção à São José, na freguesia de Caconde, começaram em meados da década de 1860. A primeira doação à fábrica da vindoura capela foi realizada pelo casal João José de Souza e Antonia Maria de Jesus, em 6 de fevereiro de 1865 (DEL GUERRA, 2001, p. 16). O um alqueire doado pertencia à fazenda da Cachoeira do Lageado, terras que o casal herdou do pai de Antonia, Manoel Alves de Carvalho.

Em 20 de março de 1856, Manoel declarou junto ao pároco de Caconde, padre Prudenciano Antonio Nogueira, ser senhor de terras no lugar denominado Cachoeira do Lageado, que adquiriu por compras à José Manoel da Silva, em 23 de outubro de 1832, e José Marcelino Duarte, em 19 de dezembro de 1830, ambos por escrituras particulares. As confrontações eram, pelo nascente, com o rio Pardo e com o capitão Francisco de Assis Nogueira; pelo norte, com a fazenda do finado capitão Fellis Negrão; pelo poente, com Bento Ribeiro; e pelo sul, com os filhos do mesmo capitão Negrão.

No mesmo ano, a 27 de maio, José de Farias Moraes, proprietário de parte da fazenda do Pião do Rio Pardo e da fazenda da Faisqueira, bem como do Ribeirão Grande do outro lado do rio Pardo, declarou que suas terras confrontavam: pelo nascente, com Modesto de Farias e Joaquim Martins; pelo norte, com Flavio José Marques e Francisco Pereira; pelo poente, com Joaquim Dias e Manoel de Souza. A linhagem de José Farias de Moraes é descrita pelo professor Rodolpho José Del Guerra (2001, p. 21). Seu filho, Candido de Farias Moraes, doador de 3 alqueires à capela de São José, não declarou suas terras, pois não consta seu nome no livro de registro paroquial de terras de Caconde. Contudo, era também proprietário de parte da fazenda do Pinhal do Rio Pardo, pois vendeu parte da mesma para Vicente José de Faria e Modesto de Farias Moraes, em datas incertas. No livro de registros, ainda consta o nome de João de Farias Moraes, da mesma fazenda.

O capitão Francisco de Assis Nogueira, proprietário da fazenda Pião do Rio Pardo, que, em 1857, quando de seu inventário, foi avaliada em 60:000$000, adquiriu suas terras do capitão Alexandre Luis de Mello e de seu filho, o padre Carlos Luis de Mello, antigos sesmeiros, declarou que sua propriedade possuía as seguintes confrontações: “terras da Fazenda de José Machado de Lima, Francisco Rodrigues de Carvalho, Venerando Ribeiro da Silva e confrontando com moradores das Mocócas, e dividindo águas vertentes ao Ribeirão das Canoas e depois dividindo com terras do Capitão Joaquim Custodio Dias, dona Anna Custodia da Silva e seus herdeiros, até entrar no Ribeirão de Guaxupé e por este abaixo, até a barra no Rio Pardo, divisando com a mesma e pelo Rio Pardo abaixo, até pontear a barra de um correguinho que se acha abaixo a da barra do Córrego denominado Limoeiro e pelo veio de água do dito correguinho acima, até o alto, divisando com meu genro, Annanias Joaquim Machado, e pelo espigão mestre adiante, divisando com terras da Fazenda Monte Alegre e Manoel Alves de Carvalho, até embicar no Rio Pardo, onde teve princípio esta confrontação”. Seriam, pois, as terras que dariam origem ao vindouro Município de São José do Rio Pardo. Antonio Marçal Nogueira de Barros e sua mulher, Maria Leopoldina de Aquino Nogueira, figuram como peticionantes da divisão da fazenda do Pião do Rio Pardo, junto ao Juízo Municipal de Casa Branca, em1862, contudo, o processo não seguiu adiante. Presume-se, portanto, que o doador dos 3 alqueires de terras à São José adquiriu sua propriedade de algum dos herdeiros do capitão Francisco.

Por fim, Candido de Miranda Noronha, que doou um alqueire à fábrica da capela, tinha terras em Casa Branca, na fazenda da Fartura, senhor da metade da dita fazenda, que adquiriu por compra à João Francisco da Silva e Felippe de Miranda Noronha. Seu pai, contudo, Felix José de Noronha Negreiros, era senhor da fazenda Monte Alegre, da freguesia de Caconde. Candido, na qualidade de curador de seu irmão, Francisco Eduardo de Noronha, em 16 de janeiro de 1856, declarou, ao pároco de Caconde que as terras estavam em comum com sua madrasta, Maria Custódia Nogueira e seus irmãos, cujas divisas eram com os fazendeiros Manoel Alves de Carvalho, Bento Ribeiro da Silva e seus filhos, Manoel Rodrigues da Costa, capitão Antonio Gomes, capitão Thomas José de Andrade, Annanias Joaquim Machado e seus sócios, e Francisco de Assis Nogueira.

Outra propriedade, denominada Água Fria, porém, no território da freguesia de Casa Branca, seria uma outra porção de terras da futura São José do Rio Pardo. Por legítima paterna, em 25 de maio de 1856, declararam-se proprietários: Evaristo Ferreira de Aguiar, Manoel Ferreira d’Aguiar, Damaso Ferreira d’Aguiar, Carlos Ribeiro d’Aguiar, por Genoveva Ribeiro de Mello Manoel Ferreira d’Aguiar, Firmina Flavia de São José e Baptista Nogueira de Carvalho. Manoel Ferreira d’Aguiar, José Alves Ferreira d’Aguiar e Antonio Ferreira d’Aguiar, na mesma data, declararam-se senhores de várias propriedades e, dentre elas, “da Água Fria que compramos por escritura particular a Elias Francisco de Oliveira e Ricardo da Silva Pinto”. Seria, afinal, a futura Vila Costina, da família Costa Machado. Lafayette de Toledo menciona a existência de um quarteirão policial na Água Fria, e que existia um córrego homônimo no território de Rio Pardo (TOLEDO, 1899, p. 123). 

Fontes:

DEL GUERRA, Rodolpho José. No ventre da terra-mãe. São José do Rio Pardo: Graf Center, 2001.

Livros de registros paroquiais de terras das freguesias de Caconde (1854-1856) e Casa Branca (1856).

TOLEDO, Lafayette de. Diccionario Topographico da Comarca de Casa Branca. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, vol. XII. São Paulo: Typ. do Diario Official, 1908. 

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