Leonardo Borgheti
Marques Falarini Belotti
Instituto Histórico e
Cultural de Arceburgo
Instituto Bruno Giorgi
As tratativas
para que fosse erigida uma capela em devoção à São José, na freguesia de
Caconde, começaram em meados da década de 1860. A primeira doação à fábrica da
vindoura capela foi realizada pelo casal João José de Souza e Antonia Maria de
Jesus, em 6 de fevereiro de 1865 (DEL GUERRA, 2001, p. 16). O um alqueire doado
pertencia à fazenda da Cachoeira do Lageado, terras que o casal herdou do pai
de Antonia, Manoel Alves de Carvalho.
Em 20 de março
de 1856, Manoel declarou junto ao pároco de Caconde, padre Prudenciano Antonio
Nogueira, ser senhor de terras no lugar denominado Cachoeira do Lageado, que
adquiriu por compras à José Manoel da Silva, em 23 de outubro de 1832, e José
Marcelino Duarte, em 19 de dezembro de 1830, ambos por escrituras particulares.
As confrontações eram, pelo nascente, com o rio Pardo e com o capitão Francisco
de Assis Nogueira; pelo norte, com a fazenda do finado capitão Fellis Negrão;
pelo poente, com Bento Ribeiro; e pelo sul, com os filhos do mesmo capitão
Negrão.
No mesmo ano, a
27 de maio, José de Farias Moraes, proprietário de parte da fazenda do Pião do
Rio Pardo e da fazenda da Faisqueira, bem como do Ribeirão Grande do outro lado
do rio Pardo, declarou que suas terras confrontavam: pelo nascente, com Modesto
de Farias e Joaquim Martins; pelo norte, com Flavio José Marques e Francisco
Pereira; pelo poente, com Joaquim Dias e Manoel de Souza. A linhagem de José
Farias de Moraes é descrita pelo professor Rodolpho José Del Guerra (2001, p.
21). Seu filho, Candido de Farias Moraes, doador de 3 alqueires à capela de São
José, não declarou suas terras, pois não consta seu nome no livro de registro
paroquial de terras de Caconde. Contudo, era também proprietário de parte da
fazenda do Pinhal do Rio Pardo, pois vendeu parte da mesma para Vicente José de
Faria e Modesto de Farias Moraes, em datas incertas. No livro de registros,
ainda consta o nome de João de Farias Moraes, da mesma fazenda.
O capitão
Francisco de Assis Nogueira, proprietário da fazenda Pião do Rio Pardo, que, em
1857, quando de seu inventário, foi avaliada em 60:000$000, adquiriu suas
terras do capitão Alexandre Luis de Mello e de seu filho, o padre Carlos Luis
de Mello, antigos sesmeiros, declarou que sua propriedade possuía as seguintes
confrontações: “terras da Fazenda de José Machado de Lima, Francisco
Rodrigues de Carvalho, Venerando Ribeiro da Silva e confrontando com moradores
das Mocócas, e dividindo águas vertentes ao Ribeirão das Canoas e depois
dividindo com terras do Capitão Joaquim Custodio Dias, dona Anna Custodia da
Silva e seus herdeiros, até entrar no Ribeirão de Guaxupé e por este abaixo, até
a barra no Rio Pardo, divisando com a mesma e pelo Rio Pardo abaixo, até pontear
a barra de um correguinho que se acha abaixo a da barra do Córrego denominado
Limoeiro e pelo veio de água do dito correguinho acima, até o alto, divisando
com meu genro, Annanias Joaquim Machado, e pelo espigão mestre adiante, divisando
com terras da Fazenda Monte Alegre e Manoel Alves de Carvalho, até embicar no
Rio Pardo, onde teve princípio esta confrontação”. Seriam, pois, as terras
que dariam origem ao vindouro Município de São José do Rio Pardo. Antonio
Marçal Nogueira de Barros e sua mulher, Maria Leopoldina de Aquino Nogueira,
figuram como peticionantes da divisão da fazenda do Pião do Rio Pardo, junto ao
Juízo Municipal de Casa Branca, em1862, contudo, o processo não seguiu adiante.
Presume-se, portanto, que o doador dos 3 alqueires de terras à São José
adquiriu sua propriedade de algum dos herdeiros do capitão Francisco.
Por fim,
Candido de Miranda Noronha, que doou um alqueire à fábrica da capela, tinha
terras em Casa Branca, na fazenda da Fartura, senhor da metade da dita fazenda,
que adquiriu por compra à João Francisco da Silva e Felippe de Miranda Noronha.
Seu pai, contudo, Felix José de Noronha Negreiros, era senhor da fazenda Monte
Alegre, da freguesia de Caconde. Candido, na qualidade de curador de seu irmão,
Francisco Eduardo de Noronha, em 16 de janeiro de 1856, declarou, ao pároco de Caconde
que as terras estavam em comum com sua madrasta, Maria Custódia Nogueira e seus
irmãos, cujas divisas eram com os fazendeiros Manoel Alves de Carvalho, Bento
Ribeiro da Silva e seus filhos, Manoel Rodrigues da Costa, capitão Antonio
Gomes, capitão Thomas José de Andrade, Annanias Joaquim Machado e seus sócios,
e Francisco de Assis Nogueira.
Outra propriedade,
denominada Água Fria, porém, no território da freguesia de Casa Branca, seria
uma outra porção de terras da futura São José do Rio Pardo. Por legítima
paterna, em 25 de maio de 1856, declararam-se proprietários: Evaristo Ferreira
de Aguiar, Manoel Ferreira d’Aguiar, Damaso Ferreira d’Aguiar, Carlos Ribeiro d’Aguiar,
por Genoveva Ribeiro de Mello Manoel Ferreira d’Aguiar, Firmina Flavia de São
José e Baptista Nogueira de Carvalho. Manoel Ferreira d’Aguiar, José Alves
Ferreira d’Aguiar e Antonio Ferreira d’Aguiar, na mesma data, declararam-se
senhores de várias propriedades e, dentre elas, “da Água Fria que compramos
por escritura particular a Elias Francisco de Oliveira e Ricardo da Silva Pinto”.
Seria, afinal, a futura Vila Costina, da família Costa Machado. Lafayette de Toledo menciona a existência de um quarteirão policial na Água Fria, e que existia um córrego homônimo no território de Rio Pardo (TOLEDO, 1899, p. 123).
Fontes:
DEL GUERRA,
Rodolpho José. No ventre da terra-mãe. São José do Rio Pardo: Graf
Center, 2001.
Livros de
registros paroquiais de terras das freguesias de Caconde (1854-1856) e Casa
Branca (1856).
TOLEDO, Lafayette de. Diccionario Topographico da Comarca de Casa Branca. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, vol. XII. São Paulo: Typ. do Diario Official, 1908.
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