quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

PEDRO FALARINI

 

Sua biografia em poucas linhas


Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti, seu bisneto.


Em meados do século XX, as famílias Falarini e Greghi, ladeadas por diversos outros imigrantes italianos, chegaram ao Brasil, de vapor, visando reconstruir suas vidas. Tal recomeço não passou de uma ilusão propagandística que incontáveis imigrantes foram vítimas, pois era difundido que, no Brasil, as riquezas eram inúmeras e que ouro se encontrava nas ruas. 


A família Greghi chegou ao Brasil no ano de 1902, sendo o patriarca o senhor Adeodato Greghi, (10 de outubro de 1856, Ceneselli, província de Rovigo, Itália – 14 de dezembro de 1908, Mococa-SP), que chegou na região de Mococa, SP, junto de sua esposa, Agnese Ferraciolli (06 de fevereiro de 1863, natural de Castelmassa, da mesma província – 31 de agosto de 1906, Mococa, SP), com quem casou em 14 de fevereiro de 1882, e de seus muitos filhos. 


O senhor Camillo Falarini, natural de Suno, província de Novara, Itália nasceu em 09 de março de 1864. Casou-se, em 14 de fevereiro de 1886, com dona Celestina Del Conte, que nasceu na mesma comuna em 1866. Tiveram, até onde se sabe, quatro filhos, sendo, Giovanni “João”; Maria Natalina; Rosa Angela; e Pedro. Vivam de forma modesta, nas imediações da antiga Caixa d’Água de Mococa, local de uma tragédia, ocorrida em 06 de janeiro de 1911, quando uma infausta tempestade caiu sobre Mococa. Às 17h daquele fatídico dia, um raio atingiu duas residências, ceifando a vida de dona Celeste Del Conte Falarini e seu filho, Pedro, então com 15 anos. Da mesma forma, levou à óbito duas meninas, filhas do sr. José Pinto de Almeida, zelador do Reservatório da empresa de Água e Esgoto. O sepultamento das vítimas deu-se no dia seguinte, 07, às 15h, acompanhado por um grande número de pessoas. Camillo faleceu em 02 de junho de 1926, em Mococa, SP.


Giovanni Falarini, filho de Camillo e Celestina, nasceu em 16 de janeiro de 1888, na cidade natal de seus pais. Faleceu anos depois, em 1º de junho de 1975. Casou-se com a senhorita Ida Greghi, nascida em 23 de abril de 1890, em Castelmassa, no ano de 1910, em Mococa, falecida em 12 de setembro de 1985. O casal teve nove filhos. O primeiro deles, Pedro, talvez tenha levado este nome em homenagem ao seu tio, falecido em tenra idade. Pedro Falarini nasceu em Santa Rosa de Viterbo, SP, em 04 de dezembro de 1911, seguindo para Mococa pouco depois. 


Seus estudos primários se deram na Escola Barão de Monte Santo, abandonando os estudos formais para trabalhar, junto de seu pai, como pedreiro. Somente em 1947 que cursou, por correspondência, Desenho Arquitetônico do Instituto Santa Andrea, em São Paulo. 


Ao lado de seu pai, edificou ou colaborou para a construção de inúmeros prédios em Mococa, podendo citar: a fachada da Escola Profissional “Francisco Garcia”, a Industrial, onde fizeram as delicadas letras que nomeavam o prédio; na capela do Colégio Maria Imaculada, cuja construção iniciou-se em 08 de dezembro de 1947, inaugurada em 16 de agosto de 1949, tendo Pedro recebido uma medalha de prata das irmãs concepcionistas, pelos seus trabalhos; a torre da Igreja Presbiteriana de Mococa; e a construção da piscina da Associação Esportiva Mocoquense, onde foi muito bem acolhido pelo saudoso Chico Piscina. Além disso, inúmeras residências na cidade foram edificadas por Pedro Falarini, em seus anos de atividade. Seu último trabalho, antes de aposentar, foi o prédio do Centro Automotivo Heliar, inaugurado em fevereiro de 1978, de propriedade de seu genro, João Wilson Belotti (1939-2001). 


Pedro Falarini se casou com dona Maria da Conceição Coelho, nascida em 06 de agosto de 1915, filha de Joaquim Coelho Marcelino (20.01.1881-28.05.1959) e de dona Isolina da Conceição Carvalho (13.01.1882-18.08.1962), ambos portugueses de São João da Fontoura, no Registro Civil de Mococa, em 03 de setembro de 1936, pelo juiz de paz, Isidoro de Mattos, sendo testemunhas os senhores Domingos Zini Filho e Thomas Fuschillo. O casal teve três filhos: Walter (1938-2023); Shirlei (1945); e Neide (1947-2015). 


Como católico praticante, participava das missas dominicais e os terços, além de participar do coral da Igreja da Santa Cruz por muitos anos. Apaixonado por música, possuía voz de tenor, tocava violão e, por ouvido, dedilhava o teclado de um piano. Tinha uma vida simples, muito ligada a família, e era comum dizer, bem humorado, que "se tem comida e uma cervejinha, o que mais vou querer?".


Pedro Falarini faleceu em Mococa, SP, no dia 30 de agosto de 2001, tendo deixado a esposa, três filhos, seis netos e, na ocasião, quatro bisnetos. Edificou, não apenas residências com destreza, mas também uma bela família, pautada em bons princípios.

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