sábado, 22 de agosto de 2026

O ADVENTO REPUBLICANO DE RIO PARDO

Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Instituto Bruno Giorgi


Capa do jornal A Platéa, de São Paulo, sobre o ocorrido em Rio Pardo. 


Em 4 de março de 1878, o partido republicano de Casa Branca se reúne na residência de Luciano Ribeiro da Silva para escolha de um representante ao Congresso Republicano, que ocorreria no dia 10, próximo. Foi eleito o dr. José Costa Machado, “chefe do mesmo partido no município, vai dignamente representá-lo”. 

No dia 7 do mesmo dia e ano, na residência de Ignácio Fernandes Garcia, os republicanos mocoquenses elegiam o seu representante, eleitos João Baptista de Lima e o dr. Américo Brasiliense d’Almeida e Mello. Na oportunidade, Ignacinho propôs que fosse escolhida uma comissão permanente, de modo que fossem tratados dos assuntos do partido local, eleitos: Ignacio Fernandes Garcia, com 36 votos; José de Souza Dias, 34; Antonio Xavier de Souza, 34; Luiz José de Souza Penna, 33; e o professor Antonio Rabello Cysterna, 22. O Clube Republicano foi instalado em Mococa no dia 15 de agosto de 1888, sendo formado o primeiro diretório por José de Souza Dias, Humberto de Queiros e Antonio Muniz Ferreira. Possível, pois, observar a efervescência republicana na região.

Em agosto de 1889, Francisco Glicério, célebre republicano, pernoitou em São José do Rio Pardo. Era rota para Mococa, pois circundava a região da Mogiana para sua campanha política à Câmara dos Deputados. Ficou no Hotel Brasil propriedade de Ananias José Ferreira Barbosa. Naquela tarde, 10 de agosto, já no hotel, o dr. Muniz de Sousa teceu conferência ao povo que, ao final, dissipou-se em perfeita harmonia. Após o jantar, durante certo tempo, Glicério palestrou aos que estavam presentes e retirou-se em cerca de 21h. O tal cabo Francisco da Silva Rego, da força policial local, quando das 22h, estava no quintal do hotel, uns dizem que bêbado, outros que estava copulando com uma funcionária do hotel. Ananias e alguns mais o levaram para a cadeia e, quando lá chegaram, o ébrio verifica-se tão sóbrio quanto poderia parecer. Por conta da hostilidade vinda dos praças, voltaram ao Hotel. 

Pouco tempo passado, ouve-se o sino da cadeia. Os praças atacam o hotel e a residência de seu proprietário. Tiros, pedras, arrombamentos, destruição. O hotel foi totalmente depredado. O prejuízo de Ananias Barbosa jamais seria recuperado. Afinal, morrera na miséria anos mais tarde. Não tardou para que forças republicanas se organizassem e, segundo Honório de Silos, 300 pessoas armadas, advindas das fazendas locais colaboram com a defesa e com a retomada do controle da cidade. O presidente da Câmara e chefe liberal, capitão Saturnino Barbosa, é preso, bem como outros mais que não fugiram. O povo, empolgado, entoava a Marselhesa e outros hinos. À tarde do dia 11, chegam de Casa Branca o juiz de Direito, o juiz municipal e o delegado. 40 praças são enviados para Rio Pardo, vindos à mando do Governo Provincial. Por dias, a cidade estava ocupada militarmente até que, por fim, estabeleceu-se a ordem. 

Segundo Lúcio de Mendonça e Honório de Silos, foi o advento do que ocorreria poucos meses depois, a Proclamação da República. No dia 24 de agosto, foi instaurado inquérito policial na subdelegacia de polícia, cuja cópia conseguimos recentemente, para estudos.  

A República foi antecipada em Rio Pardo, depois rebatizada Cidade Livre do Rio Pardo, nome que ostenta em seu brasão atual. Glicério, em carta publicada por Silos, descreve Rio Pardo como sua segunda casa. Nada menos do que esperado, afinal.  

 

Fontes: 

CASA BRANCA, jornal, edição de 10 de março de 1878; 

O ESTADO DE S. PAULO, jornal, edição de 10 de março de 1878;

SILOS, Honório de. Glycerio em São José do Rio Pardo. São Paulo: Indústria Gráfica Siqueira, 1946.  


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