quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A GUARDIÃ DA HISTÓRIA RIO-PARDENSE

 

Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Instituto Bruno Giorgi


Amélia Trevisan, acervo de Miguel Paião.

Tive contato com a obra de Amélia Trevisan graças à Plataforma Verri, que é conduzida pelo Dr. Octávio Verri Filho, de Ribeirão Preto. Ao ler a síntese sobre a monografia do seu Mestrado, senti a necessidade de localizar um exemplar – e consegui! Texto excelente, pesquisa criteriosa. Não sabia, até então, que Amélia Franzolin Trevisan possuía uma obra maior do que o livro “Casa Branca, povoação dos ilhéus”, especialmente sobre a cidade de São José do Rio Pardo. O livro sobre as atas dos fundadores, o livro sobre o centenário da Câmara da cidade, o opúsculo com alguns artigos, contribuições com jornais locais. Amélia foi uma profícua historiadora – talvez, a primeira da região.

Nasceu em São Paulo, no bairro de Santana, aos 12 de agosto de 1922, à Rua Olavo Egydio, nº 89. Seus pais eram italianos: Armando Franzolin e Estelita Levischi. Casou-se em 1942 com Oreste Trevisan, passando-se a assinar Amélia Trevisan. Ele faleceria poucos anos mais tarde, em 1949. Nos anos de 1950, assume serviços extraordinárias como escriturária do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo. Em 1959, é admitida em estágio probatório, por ter sido aprovada em concurso. Ingressa no curso de História da USP, conquistando a licenciatura e o bacharelado. Chega a Rio Pardo graças à Semana Euclidiana, provavelmente a de 1973. Se encanta. Em 19 de março de 1978, dia de São José, é investida do cargo de Chefe de Seção, junto ao Arquivo Público do Estado de São Paulo.

Na cidade, foi a responsável pela preservação do prédio da Câmara Municipal, de 1886; pela criação e organização da Hemeroteca “Paschoal Artese”, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas de Rio Pardo; deu origem ao Arquivo Histórico Municipal “José Honório de Silos”, além, é claro, de preservar a história rio-pardense com seus incontáveis escritos, os quais, segundo o professor Rodolpho José Del Guerra, totalizam mais de 160 artigos. Foi honrada com títulos e premios, quais o de cidadã rio-pardense, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, guardiã da memória rio-pardense, vencedora do prêmio “Clio” da Academia Paulista de História.

A professora Cármen Cecília Trovatto Maschietto, que conheceu esta célebre historiadora e seu incrível trabalho, coordena um resgate sobre o legado de Amélia Trevisan.  A publicação “A GUARDIÃ DA HISTÓRIA RIO-PARDENSE: A VIDA E A OBRA DE AMÉLIA FRANZOLIN TREVISAN”, está às vésperas de vir a público. A pesquisa e a organização são trabalhos meus, com a colaboração, para citar alguns, de Marcos de Martini, Miguel Paião, Ana Paula Lacerda, da Casa Euclidiana, e João Francisco Pestana Moltine, da Hemeroteca. A parte biográfica está em vias de conclusão, e a transcrição dos artigos, bem adiantada. A ideia é, inclusive, transcrever seus trabalhos publicados, e não apenas os artigos de jornal. A expectativa é que, até setembro, o livro seja publicado.

Vivas à memória de Amélia Trevisan, historiadora excepcional, que documentou a historiografia regional!

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