Leonardo Borgheti
Marques Falarini Belotti
Instituto Histórico e
Cultural de Arceburgo
Instituto Bruno Giorgi
Lafayette de
Toledo menciona em seu ensaio, Diccionario Topographico da Comarca de Casa
Branca, a existência de uma fazenda denominada Monjolinho do Rio Pardo,
situada no Município de Casa Branca, em 1829. Na época, na verdade, situava-se
toda a região no território da Vila de São José do Mogi Mirim. Difícil, sem
maiores informações, dizer se trata-se da mesma fazenda que ora narramos alguns
fatos de sua história.
No Registro
Paroquial de Terras da Vila de Casa Branca, de 1856, consta a presença de André
Bernardes de Souza na fazenda do Monjolinho, situada nos arredores da capela de
São Sebastião. Adquiriu seus quatro alqueires por compra à José Pereira dos Santos,
em 2 de outubro de 1852, por escritura particular. Declarou, ademais, que a
fazenda encontrava-se pro-indiviso, e confrontava com a fazenda de José Cristóvão
de Lima pelo nascente (leste); com José Gomes, pelo norte; e com José Pedro,
pelo poente (oeste) e sul. A declaração, firmada pelo próprio André Bernardes
de Souza, data de 18 de outubro de 1856, apresentada ao pároco de Casa Branca,
frei Clemente de Genova, no mesmo dia.
Poucos anos
mais tarde, em 7 de julho de 1862, é instaurado o auto de divisão da fazenda do
Monjolinho junto ao Juízo Municipal e de Órfãos da Vila de Casa Branca, iniciado
por petição protocolada por Antonio Xavier de Souza e sua esposa, dona
Francisca Silveria de Arantes. Dentre outros, são signatários da petição: José
de Souza Dias; Diogo Garcia de Figueredo, como procurador de São Sebastião; Francisco
José Dias e sua esposa, Iria Josepha da Silva, por procurador; André Bernardes
de Souza; Maria Emerenciana no Nascimento, a rogo; Theodora Maria de Souza, a
rogo; Bartholomeu de Faria; e Antonio Luis dos Santos, a rogo.
Em 14 de julho,
prestam juramento perante o Juiz Municipal, doutor José Alves dos Santos
Junior, os louvados divisores, Ildefonso Gracia Leal e Gabriel Fernandes
Pinheiro, de modo a promover a lotação e confrontação da fazenda do Monjolinho,
cujo auto foi lavrado no dia seguinte, 15, principiando “... na barra do córrego
das Pedras, e por este acima até a barra do córrego da Cobiça, e por este acima
a barra do córrego que desce para o Gordura, e por este acima até suas
cabeceiras e destas acima, beirando a capoeira ao espigão, até aqui divisando
com Antonio Luis dos Santos, e pelo mesmo espigão adiante até a estrada do
Ribeirão de São João, e por este abaixo sempre adiante, até o açude de André,
até aqui divisando com José Christóvão Lima, pulando o Ribeirão a ponta de uma
cerca, por este acima até o espigão, divisando até aqui com Bonifácio de Souza
Penna, e pelo mesmo espigão, abaixo, sempre adiante, até a ponta do valo,
divisando aqui com o capitão José Gomes Lima, e pelo mesmo valo abaixo, até o
ribeirão até aqui divisando com Venancio
Dias de Moura, e por este Ribeirão acima, até onde teve princípio, divisando
até aqui com as terras de São Sebastião”.
Declararam, ainda,
que a fazenda possuía 256 alqueires de plantas de milho, sendo 221 alqueires de
cultura de primeira sorte, avaliados em 6:630$000 (30$000 o alqueire); 30
alqueires de 1ª sorte, avaliados em 1:200$000 (40$000 o alqueire); 5 alqueires
de serrados, avaliados em 50$000 (10$000 o alqueire), importando a soma
7:880$000.
Ildefonso Garcia
Leal, elaborou uma tabela onde consta a relação dos sócios da fazenda do
Monjolinho ou Ribeirão do Meio:
|
Snr. Antonio Xer de Souza |
389$956 |
1:707$184 |
|
Franco José Dias |
83:712 |
366$472 |
|
Francisco Isidoro |
58$811 |
257$461 |
|
|
|
|
|
Joaqm Isidoro |
44$859 |
196$382 |
|
|
|
|
|
Francelina |
128$571 |
562$855 |
|
Theodora Ma de Souza |
318$536 |
1:394$479 |
|
Bartholomeu de Faria |
82$355 |
360$531 |
|
Antonio Luis dos Santos |
261$648 |
1:145$436 |
|
André Bernardes de Souza |
27$904 |
122$157 |
|
Patrimônio |
216$256 |
946$727 |
|
Soma |
1:800$000 |
7:880$000 |
A fazenda do
Monjolinho, é certo, subsumiu-se às fazendas que confrontava, existindo, hoje,
apenas alguns poucos documentos que atestam a sua existência.
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