domingo, 27 de abril de 2025

CERIMÔNIA DOS 70 ANOS DA INAUGURAÇÃO DA IGREJA DE SANTA CRUZ DE MOCOCA-SP

 

 (Publicado no Cidade News, edição de 26/04/2025)

Na última segunda-feira, às 18h, teve-se início à cerimônia de comemoração dos 70 anos de inauguração da Igreja de Santa Cruz. O cerimonial foi presidido pelo bispo diocesano, Dom Eugênio Barbosa Martins, que realizou a benção da Igreja, rememorando o que ocorreu há 70 anos. Logo após, Dom Eugênio celebrou uma Santa Missa, rememorando a crucificação de Jesus Cristo e sua ressureição, bem como em memória do Papa Francisco, que faleceu na manhã daquele mesmo dia.

Com a benção final, teve início a cerimônia de lançamento do livro "A Igreja do Morro: levantamento histórico em comemoração aos 70 anos da inauguração da Igreja de Santa Cruz de Mococa-SP", uma pesquisa histórica, escrita por Dr. Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti, prefaciada por Dom Eugênio Barbosa Martins, e que contou com a colaboração do padre Antônio Carlos Ferreira de Souza, das professoras Andréa Perri Falarini Siqueira, Ana Lúcia do Amaral e Claudia Maria Passarelli Nobrega e do historiador Sander Rogerio Ribeiro Pereira. A editoração foi feita pela editora Karina Ribeiro Bouças (KKRibeiro.com). O cerimonial do lançamento foi bem conduzido por Marcos Trepador.



Fizeram uso da palavra Dom Eugênio, o autor e os colaboradores, bem como o vereador Edson de Oliveira, que representou o Legislativo Municipal. Um stand foi montado, com o apoio de Carol Eventos, e que contou com os delicados bordados, que retrataram a Santa Cruz, ação promovida pelas eficientes bordadeiras do Bazar de Quintal. Estiveram presentes cerca de 190 pessoas, que acompanharam o cerimonial.

Dr. Leonardo, em seu discurso, pontuou que “toda pessoa que lida com a História, necessariamente, lida com uma forma de entrega, pois a pesquisa histórica é realizada para que seu conteúdo contribua com a memória, cultura e história de um determinado lugar. Quando concluída, se torna parte do patrimônio coletivo, que já não pertence mais exclusivamente ao seu autor, mas sim à toda sociedade como um todo. Todo artigo, crônica ou livro de cunho historiográfico torna-se, portanto, parte do referencial da própria sociedade”, e este livro é um presente para a História de Mococa, vindo de um historiador em ascensão.



O historiador Sander Rogerio, que realizou o resgate da história do Povoado de Canoas para o livro, consignou ao CN o seguinte: “Louvemos a Deus pelos 70 anos da construção da capela de Santa Cruz, marco de fé e história na cidade de Mococa! Que este jubileu reavive em nossos corações o compromisso com o Evangelho e com a missão de sermos uma Igreja viva, presente e atuante”.



As professoras Ana Lúcia, Andréa e Claudia, comentaram sobre o livro: “Participarmos como colaboradoras do livro A Igreja do Morro a convite do Leonardo foi uma linda experiência, seja porque todas nós temos uma ligação com a querida igrejinha através da fé, seja porque a nós foi dada a prazerosa tarefa de abordarmos o interessante tema das características arquitetônicas da construção, o que nos possibilitou utilizar nossa bagagem como professoras de geografia, história e arte. Há nessa experiência, além de tudo, algo muito especial, pois tivemos a oportunidade de realizarmos pela primeira vez um trabalho juntas, a seis mãos, pois embora já tivéssemos trabalhado em duplas entre nós e apesar de nossa fraterna amizade, não tínhamos tido até então a oportunidade de uma experiência como trio. Que isso se repita!”



A editora Karina Ribeiro tem esse trabalho como o quinto livro de história sobre a região que publicou, estando, portanto, conceituada na área, e afirmou que “Publicar esta obra pela minha Editora KKRibeiro.com foi muito mais que um projeto. Foi um presente! Honrada pela oportunidade de conhecer essa história e o servir altruísta em nome da fé. É bonito, emociona, retribui e reconhece a cada um da comunidade sua contribuição. Feliz em contribuir para este legado e saber que a história da Igreja de Santa Cruz de Mococa está preservada para as futuras gerações em riquíssimo conteúdo e mais de 300 imagens. Aproveitem a leitura!



Contribuíram para a concretização do livro os seguintes parceiros: Diocese de São João da Boa Vista, Paróquia de Santa Cruz, Instituto Histórico e Cultural de Arceburgo, Instituto Bruno Giorgi, Escritório Djair Rotta & Advogados, Cidade News, KKRibeiro.com, Tintas Maza, Agroindústria Três Irmãos, Leão Diesel Bosch, Empreiteiro Neto Zero Água, Centro Automotivo Heliar, Paulo Belotti Imóveis e Casa Marques.

O livro ainda está disponível para aquisição, na Secretaria da Paróquia de Santa Cruz, pelo valor de R$ 60,00. Para maiores informações, (19) 3665-3585.

sábado, 12 de abril de 2025

CAPELA DA FAZENDA DA CASCATA

 


Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Atualizado em 1º de julho de 2026

Fotografia da inauguração da capela de Nossa Senhora Aparecida da fazenda Cascata. Acervo do Museu Histórico Municipal “Carlos Alberto Paladini”. 


Consignou-se na historiografia mocoquense que a antiga fazenda Alegria, de Diogo Garcia da Cruz, eram um latifúndio de grandes dimensões, cujo território ocupava boa parte do atual Município de Mococa. Diz-se que atingiu 15.000 alqueires de pastos, matas e campinas. Sabe-se que a propriedade foi dividida em 1859 entre os herdeiros da família Garcia de Figueiredo, por meio de autos de divisão que tramitou no Juízo Municipal de Casa Branca, da Comarca de Franca.

A fazenda Cascata, cujo território pertenceu à vasta Alegria nos tempos augustos, foi propriedade do capitão Firmino de Oliveira Lima (1872-1918), natural de Casa Branca. Era filho do Barão de Mogi Guaçu, José Caetano de Lima (1821-1901), e de dona Maria Leopoldina de Sillos (1833-1873), sendo ela filha do Barão de Casa Branca, tenente-coronel Vicente Ferreira de Sillos Pereira. Capitão Firimino provavelmente nasceu no dia 11 de janeiro, batizado pelo padre Lourenço Evangelista Della Moglie em Casa Branca no dia 14 de fevereiro de 1872, sendo seus patrinhos o capitão Hygino Ignacio Brandão e dona Maria Ignacia Brandão. Foi casado com dona Laudelina de Carvalho Figueiredo (1876-1953), filha de Manoel Tomaz de Carvalho e de dona Marianna Carolina Garcia. Foram seus filhos:

1.     José Pedro, casado com Hilda Pena;

2.     Marianna, c.c. Agenor de Lima Figueiredo;

3.     João, c.c. Jandyra Pereira;

4.     Manoel, c.c. Ana de Paula (em 1ª núpcias) e c.c. Olga Kairalla (em 2ª núpcias);

5.     Mário, c.c. Maria de Lourdes Dias;

6.     Acrisio, c.c. Carmen Barretto;

7.     Paulo, c.c. Maria Isabel Barretto;

8.      Luiz Gonzaga, c.c. Heloisa Libanio;

9.     Firmino Filho, solteiro.

Já em 1902, o capitão Firmino conseguiu, junto ao bispado de São Paulo, uma Provisão autorizativa, de 18 de junho daquele ano, para que missas pudessem ser celebradas na capela, erigida em louvor à Nossa Senhora Aparecida. Festas, inclusive, eram realizadas na Fazenda da Cascata, promovidas pelo cap. Firmino e amplamente frequentadas. Neste mesmo ano, estava como vereador da Câmara Municipal de Mococa, cujo mandato terminaria em 1906.

Em 26 de junho de 1902, era inaugurada, com ampla participação popular. Esteve presente o cônego Bento Monteiro do Amaral, que consignou o seguinte no Livro de Tombo da Paróquia de São Sebastião:

Certidão: Certifico que visitei a Capella de Nossa Senhora da Apparecida da Cascata, achando-a decente, provida de paramentos e nas demais condições em direito exigidas. Certifico mais que no dia vinte seis de junho de mil novescentos e dois, em virtude da provisão supra procedi na forma do Ritual Romano a benção da Cappella de Nossa Senhora Apparecida da Cascata, o que teve lugar na presença de grande concurso de povo, que assistiu ao acto. Cascata vinte seis de Junho de mil novescentos e dois. Cônego Bento Monteiro, Firmino de Oliveira Lima. Conforme, Cônego Bento Monteiro do Amaral”.

 Em 17 de janeiro de 1911, o bispado de Ribeirão Preto emitiu nova provisão, desta vez quinquenal, para celebração de missas no local. O capitão Firmino foi nomeado ajudante do 276º Batalhão da Guarda Nacional, em 1902. Falaceu em São Paulo, capital, no dia 4 de março de 1918, às 19h30, aos 43 anos, sepultado no Cemitério da Consolação. Dona Laudelina retornou à Mococa, após o falecimento de seu marido, onde faleceu, anos mais tarde. 

                                        

Dona Laudelina e capitão Firmino, acervo do Arquivo Histórico-Documental de Casa Branca. 

Sabe-se que, sucedendo capitão Firmino na fazenda da Cascata, esteve Adalberto dos Santos Figueiredo (1874-1935), filho de Urias Gonçalves dos Santos e de dona Ana Jacinta Garcia de Figueiredo, e casado com dona Rita de Lima Castro, com descendência, sendo ela neta do Barão de Mogi Guaçu. Foi prefeito de Mococa de 1925-1926, empresário e agricultor.

A capela de Nossa Senhora Aparecida da fazenda da Cascata é uma das mais antigas do município de Mococa.

 Segundo informações, a fazenda da Cascata pertence, atualmente, a dona Silvia Lopes Cunali. 

Fontes:

DAUNT, Ricardo Gumbleton. O capitão Diogo Garcia da Cruz – edição revista, ampliada e revisada por Caio de Figueiredo Silva. São Paulo: edição do autor, 1974;

ISOLDI, Maria Celina Exner Godoy; AMATO, Marta Maria. A família Lima de Casa Branca e região. Revista da ASBRAP, nº 20, 2013, p. 577-630;

Hemeroteca da Biblioteca Nacional (Correio Paulistano: 1870-1920);

Acervo d’O Estado de S. Paulo (1875-1930).

 

 


sábado, 5 de abril de 2025

OBSERVAÇÕES HISTÓRICAS SOBRE OS DISTRITOS DE MOCOCA

 

1ª Parte

Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Sobre os distritos

A Lei de 15 de outubro de 1827, aprovada pelo Imperador do Brasil, Dom Pedro I, criou os juízos de paz. Diz o Art. 1º da referida lei que “em que cada umas das freguezias e das capellas filiaes curadas, haverá um Juiz de Paz e um supplente para servir no seu impedimento, emquanto se não estabelecerem os districtos, corforme a nova divisão estatistica do Imperio”. Era uma forma que a Coroa encontrou de tentar levar a Justiça mais fundo em seu território, tentando superar as grandes distâncias entre a burocracia urbana e a selvageria dos sertões. Os anos passaram-se e evoluiu-se a forma administrativa, inclusive, à nível federal, com a derrubada da monarquia e a instituição da República.

Foi em 2 de março de 1938, por força do Decreto-Lei nº 311, outorgado por Getúlio Vargas, nos idos do Estado Novo, que criou-se um conceito moderno sobre distritos. De fato, dia o Art. 2º do referido Decreto-Lei que os “municípios compreenederão um ou mais distritos, formande área contínua”. A sede do município seria elevada à categoria de cidade, com o nome do distrito-sede, embora pudessem existir diversos outros distritos.

Ainda, dita o DL que “nenhum novo distrito será instalado sem que previamente se delimitem os quadros urbano e suburbano da sede, onde haverá pelo menos trinta moradias” (Art. 11) e “nenhum município se instalará sem que o quadro urbano da sede abranja no mínimo duzentas moradias” (Art. 12). Eram, portanto, os requisitos. Anos mais tarde, a Constituição Federal de 1988 transferiria a competência para criação, organização ou supressão dos distritos ao próprio Município, observando-se a legislação estadual. São, pois, unidades administrativas internas do Município.

Mococa viria a ter três distritos legalmente constituídos e um nominalmente referido, conforme ver-se-á adiante.

Igaraí

Ficou consignado na história de Mococa que o distrito de Igaraí teria suas origens na antiga fazenda da Água Limpa, cujo primeiro proprietário foi José Christóvam de Lima (1798-1864). Conta-se que um grande cruzeiro teria sido instalado, dando, afinal, origem a um pequeno povoamento. Era prática comum que a fé acompanhasse o destino de um lugarejo.

O historiador, Adriano Campanhole, em seu livro Memória da Cidade de Caconde, assinala que, em 6 de maio de 1892, teria sido emitida provisão, autorizando a ereção de uma capela, em louvor à Nossa Senhora da Luz, em Caconde.

"D. Lino. Aos que esta nossa provisão virem saúde e benção em o Senhor. Fazemos saber que atendendo ao que nos representou o cidadão João Pinheiro da Silva, residente em Mococa e tendo em vista a informação prestada pelo mto. redmo. pároco de Caconde, a cuja estola pertence o impetrante Havemos por bem pela presente conceder licença para que no bairro denominado Nossa Senhora da Luz da dita Paróquia de Caconde, se possa erigir e levantar uma nova capela sob a invocação de Nossa Senhora da Luz, contanto que seja em lugar alto, livre de umidade, desviada quanto possível de lugares imundos e casas particulares e que tenha âmbito em redor para andarem procissões, devendo ser o local para tal fundação designado pelo Revmo. Pároco respectivo a quem autorizamos para benzer e lançar a primeira pedra do edifício na forma do ritual romano. Na mesma capela não se poderão celebrar ofícios divinos sem uma provisão nossa, precedendo informação paroquial de achar-se ela provida de para- mentos, alfaias precisas e habilitada com competente patrimônio. Esta será apresentada ao Rev. pároco daquela igreja que a registrará integral- mente no Livro do Tombo da Matriz para a todo o tempo constar. Dada e passada na Câmara Episcopal desta cidade de São Paulo sob nosso sinal e selo de nossas armas, aos 6 de maio de 1892. E eu pe. Adelino Jorge Montenegro, escrivão da Câmara Eclesiástica a subscrevi. Cônego Antônio Guimarães Barroso, por autorização do Exmo. Rev. Sr. Bispo" (Campanhole, 1979, p. 536).

Algumas fazendas de Mococa, ao longo dos anos de 1880, por força de leis da Assembleia Provincial, como a nº 60, de 23.05.1881, e a nº 70, 17.06.1881, foram transferidas para o Município de Caconde, como as de Vigilato de Souza Dias, d. Mariana de Almeida e Souza, Manoel Ignacio Franco e José Ignacio Franco. O que pode revelar que, por certo tempo, o território onde seria erigida Igaraí pertenceu à Caconde.

Escreve o professor Paladini que “a vida religiosa de Igaraí nos conta a história; seu início teve um acontecimento comovente: Lavínia Ribeiro do Vale, fazendeira na região, quando passava pelo local com a filha enferma, à procura de assistência médica em Guaxupé, Minas Gerais, fez uma promessa: se a filha recuperasse a saúde, daria um lote de terra para construir uma igreja em louvor a ‘Nossa Senhora da Luz’. Seu pedido foi atendido e, assim, começou a vida religiosa do distrito” (Paladini, 2013, p. 107). Diz ainda que uma capela foi erigida no local.

O antigo nome de Igaraí era Povoado de Nossa Senhora da Luz das Canoas, cuja capela levava o mesmo nome. Segundo uma matéria do Jornal do Commercio, de 1899, existiam três bairros rurais no município de Mococa: Alegria, São João do Rio Pardo e Nossa Senhora da Luz das Canoas. Nos livros de tombo da paróquia de São Sebastião, há o registro de um termo de benção da capela, em 8 de setembro de 1900, bem como a lavratura da provisão de 31 de agosto de 1900, emitida pelo bispo de São Paulo, dom Antônio Candido de Alvarenga, em favor de José Pereira Lima.

Poucos anos mais tarde, teria sito elevado o povoado à condição de distrito de paz, com o nome Igarahy. O projeto de lei, aliás, tramitou sob o nº 7 de 1900. Conforme dita a Lei nº 918, de 3 de agosto de 1904, sancionada pelo presidente do Estado de São Paulo, dr. José Tibiriçá, criou-se, no povoado de Nossa Senhora da Luz das Canoas, um distrito de paz, nos seguintes termos:

Artigo 1.° - Fica creado no povoado de N. S. da Luz das Canôas, no municipio e comarca de Mocóca, um districto de paz com a denominação de Igarahy.

Artigo 2.° - As divisas deste districto de paz serão as seguintes :

« Principiam na barra do Corrego da Lage, no rio das Canôas, e « por este rio acima e pelas divisas com o Estado de Minas, até ao rio « Guaxupé; e por este abaixo divisando com o municipio de Caconde até ás divisas com o municipio de São José do Rio Pardo e tomando á direita e por essas mesmas divisas em direcção á serra da fazenda de Theophilo Custodio Dias e pela continuação desta serra, denominada Serrinha comprehendendo toda a vertente do corrego da Lage e até ao rio das Canôas, no ponto em que começaram estes limites.

Artigo 3.º - As propriedades a que se referem as leis numeros 60 e 70, de 23 de Maio e 17 de Junho de 1881, continuam a pertencer ao municipio de Caconde, excepto a fazenda São Francisco e a parte de terras da Bica de Pedra, comprehendida entre essa fazenda e o municipio de Mocóca.

Artigo 4.º - Revogam-se as disposições em contrario.

O Secretario de Estado dos Negocios do Interior e da Justiça assim a faça executar.

Palacio do Governo do Estado de São Paulo, em 3 de Agosto de 1904.

JORGE TIBIRIÇÁ

J. CARDOSO DE ALMEIDA

Publicada na Directoria da Justiça, da Secretaria dos Negocios do Interior e da Justiça, em 3 de Agosto de 1904.

O director, Joaquim Roberto de Azevedo Marques”.

Em 1911, monsenhor dr. Félix Brandi, pároco titular da Paróquia de São Sebastião, lavrou a provisão de um ano de celebração de missa em favor da Capela de Nossa Senhora da Luz de Igarahy, passada em 18 de janeiro daquele mesmo ano. Na mesma oportunidade, lavrou as provisões de celebrações nas capelas de Nossa Senhora Aparecida da fazenda Cascata, quinquenal, e de São Benedito, anual.

No relatório do movimento paroquial de 1936, monsenhor Argilio Malatesta, escreve que, dentre as capelas situadas em terreno próprio, estavam a de Nossa Senhora da Luz de Igaray e a de Nossa Senhora Aparecida em Canoas. Conforme a documentação analisada, chega-se à conclusão que a história mocoquense se referia, portanto, ao povoado de Canoas, quando, na verdade, tratava-se da história do distrito de Igaraí.

 Fontes:

CAMPANHOLE, Adriano. Memória da cidade de Caconde. São Paulo: Edição do autor, 1979.
Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
Legislação da Província e do Estado de São Paulo.
PALADINI, Carlos Alberto. Mococa: Igrejas e capelas. Mococa: Edição do autor, 2013.

 

domingo, 30 de março de 2025

AS VISITAS IMPERIAIS A CASA BRANCA

 

Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Dom Pedro II, retrato de Mathew Brady, 1876.

O desenvolvimento dos “Sertões do Rio Pardo” tornou-o populoso e objeto crescente dos olhares governamentais. De fato, em outubro de 1877, o empresário e político, Martinho Prado Júnior, teria externado sua euforia ao escrever uma carta, onde afirma que “enfim São Simão não é mais o sertão de outros tempos. Os germes de civilização aí estão semeados e medrando com força (Beiguelman, 2005, p. 104)”. Sobre Ribeirão Preto, teria sido deveras enérgico. Na época em questão, era vereador por Araras e preparava-se, no ano seguinte de 1878, para assumir uma cadeira na Assembleia Provincial de São Paulo. Viu, portanto, com demasiada energia, o desenvolvimento dos antigos sertões, em pleno processo de crescimento.

No ano seguinte, 1878, Casa Branca estaria em polvorosa. Em 14 de setembro, na edição nº 6.551 do Correio Paulistano, estampava a seguinte nota:

“Visita Imperial

Consta-nos que o tenente-coronel Manoel Ferreira de Aguiar recebê a hontem uma carta do presidente da província avisando de que S. M. o Imperador devia aqui chegar no dia 14 do corrente, e que se preparasse para hospedal-o.

Na absoluta carência de casa decente, para nella receber o augusto hospede, o delegado de policia José Hypolito de Carvalho recorreu ao prestimoso e venerando cidadão tenente-coronel Vicente F. de Sillos Pereira (muito distincto chefe do partico conservador), que não hesitou em pôr, jubilosamente, á disposição do mesmo delegado a sua casa, a qual já se acha desoccupada e prompta a receber o chefe da Nação.

É deste modo que se patentea que o préstimo dos conservadores desta cidade vai além do-de ganhar sempre as eleições.

Casa Branca, 11 de Setembro de 78”.

Segundo o mesmo jornal, que narrou os acontecimentos na edição nº 6.557, de 21 de setembro, teria o presidente da província de São Paulo notificado dois liberais, que escusaram-se de colaborar com a recepção do Imperador, Dom Pedro II, e da Imperatriz, Dona Tereza Cristina, e o delegado de polícia recorreu, portanto, ao tenente-coronel Vicente, que prontamente atendeu à solicitação. Teve benéfica colaboração do major Urias Gonçalves dos Santos e outros correligionários.

Chegou a imperial comitiva no dia 15, e logo Dom Pedro II se dirigiu à residência que seria seu pouso durante sua estadia em Casa Branca. Descansou por um quarto de hora e dirigiu-se à Igreja Matriz para pôr-se em oração. Passeou pela cidade e almoçou. Segundo o Correio, a Câmara Municipal não fez-se representar em sua totalidade, pois não foi realizado convite. Teria havido um baile em sua honra. Um episódio chamou a atenção: dona Francisca Soares, uma respeitada senhora, teria feito a promessa de não morrer antes de abraçar o imperador e, conforme nos conta Ganymedes José, amparado no artigo do dr. Aristides Serpa, teria dito a Dom Pedro II: “- Como está branco este menino! Vi-o ainda ontem!”, enquanto batia em sua barba. Diz-se que o Imperador apertou entre suas mãos a mão da senhora.

Curiosamente, um episódio de desgosto acometeu o tenente-coronel Vicente, pois, no dia 16, seu troly foi apoderado por um gatuno, que disse ao cocheiro que “o tomava com autorização do sr. tenente-coronel”. Não foi localizado em tempo. O Imperador partiu para a estação e Vicente Ferreira de Sillos Pereira não pôde acompanhá-lo e despedir-se de Dom Pedro II. Acompanharam-no o dr. Baptista Pereira, dr. Moreira de Barros, dr. José Oscar e outros.  

Dom Pedro II, contudo, retornaria à Casa Branca poucos anos depois, em outubro de 1886. Às 20h30 do dia 26, voltando de Batatais, o Imperador foi recebido pelas autoridades e pela população, sendo hospedado pelo coronel Antônio José Corrêa. As ruas da cidade foram adornadas com arcos de flores e folhagens para recebê-lo. Dom Pedro II visitou a igreja matriz, as escolas públicas, a Santa Casa, o edifício da Câmara Municipal, e as obras do mercado e da cadeia, além de ir ver as voçorocas. Na tarde daquele mesmo dia, partiu a comitiva para Mogi Mirim.

Fruto de sua viagem, Casa Branca tornara-se um baronato de vida curtíssima. Tenente-coronel Vicente Ferreira de Sillos Pereira foi agraciado com o título de Barão de Casa Branca, por decreto imperial de 7 de maio de 1887, contudo, conforme o necrológio do Correio Paulistano, publicano na edição de 10 de maio de 1887, nº 9.207, “o despacho telegráfico communicando a noticia de tão justa recompensa chegou a Casa Branca horas depois do fallecimento de nosso amigo”, cuja morte deu-se no dia 8 de maio.

Tenente-coronel Vicente Ferreira de Sillos Pereira era natural de São João del Rei, MG, batizado em Campanha, MG, no dia 31 de janeiro de 1812. Era filho de Domingos Antônio de Sillos Pereira (Lisboa, Portugal, c. 1783-Caldas, MG, 19.7.1863) e de dona Francisca Luisa de Mello (São João del Rei, MG, 6.12.1784-Caldas, MG, 13.9.1862). Casou-se duas vezes, com Antônia Maria de Oliveira (1810-1865) e com a casa-branquense Mariana Umbelina de Pádua Lima (1866-1919), com descendência.

 

Fontes:

BEIGUELMAN, Paula. A formação do povo no complexo cafeeiro: aspectos políticos. 3ª ed. São Paulo: EdUSP, 2005.

DE SILLOS, Luiz Gustavo. Barão de Casa Branca. 2012.  Disponível em: < https://familiasillos.blogspot.com/2012/08/barao-da-casa-branca.html >

Hemeroteca da Biblioteca Nacional – Correio Paulistano (1870-1890).

JOSÉ, Ganymedes. O dia que a guerra passou por Casa Branca. 3ª ed. São Paulo: FTD, 1986.

 

sábado, 15 de março de 2025

A PAULISTA JACUHY

 

Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti

Os antecedentes da cidade de Jacuí remontam tempos antigos e incertos. De fato, já foi escrito que sua fundação remete ao começo do século XVIII, pois foi encontrada uma telha datada de 1725, conforme narra F. de Paula Souza, no artigo Reminiscências da Comarca de Jacuhy. Segundo uma testemunha, Francisco Xavier Bezerra, ouvida no Auto Sumário, instaurado pelo desembargador Miguel Marcellino Vellozo e Gama, em 9 de maio de 1789 na Vila de São José do Mogi Mirim, teria sido Francisco Martins Lustosa e ele, testemunha, os que fincaram os marcos de descobrimento de Ouro Fino e, em ato contínuo, tomaram a posse de Jacuhy, por ordem do ouvidor da Comarca de São Paulo, João de Souza Felgueiras. A data, seria anterior a fuga de Lustosa para Curitiba, portanto, no final da década de 1740.

Documentalmente, contudo, as menções àqueles sertões surgem no auto de posse pela Vila de Jundiahy do rio São João. Em 7 de outubro de 1755, “vinha tomar posse de todo o Certão onde anda Pedro Franco Quaresma em deligencia de descobrir ouro a saber: - do Rio de São João que faz barra no dito Rio grande, e por elle acima até onde finalizar o dito Pedro Franco com a sua deligencia, e tão bem de todo o Certão além do dito Rio S. João até o Rio de Sapocahy da Campanhas de Itajubá, e por elle acima até onde se reparte o districto elas mesmas Campanhas”, conforme auto de posse lavrado pelo escrivão de órfãos, José do Rego e Almeida. Estava, portanto, a região de Jacuhy pertencente à Jundiahy.

Ocorre que, em 1759, Bartolomeu Bueno do Prado, em expedição pela Câmara da Vila de São João del Rei e pela ouvidoria da Comarca do Rio das Mortes, explorou toda a região em busca de quilombos. Teria, portanto, descoberto a região para as autoridades mineiras. Quando Bueno do Prado retorna à presença do governador, recebeu a chefia das minas de Jacuhy, o que insinua alguns elementos de povoação e mineração naquelas paragens, que podem ter começado após a posse por Lustosa. A vila de Jundiahy, contudo, reafirmaria a posse do Desemboque, do ribeirão de São Pedro de Alcanthara e Almas e dos Pinhaes, em 3 de outubro de 1761, ratificada por novo termo de posse, firmado em 7 de setembro de 1762. Jacuhy voltava a pertencer aos paulistas.

Segundo narra o historiador, Mario Mazzuia, no livro Jundiaí através de documentos, em 22 de maio de 1763, foi lavrado termo de eleição e dado juramento ao capitão Domingues Rodrigues da Silva, para servir como almotacé no Arraial de Nossa Senhora da Conceição de São Pedro de Alcantara e Almas.  Em 17 de julho do mesmo ano, na presença do juiz ordinário, Francisco Barreto Leme, estava, presentes o “Capitão Pedro Franco Quaresma e o capitão João Pires Rodrigues, ambos para servirem de Juizes ordinários e José Antônio Lobo de Mello p.ª servir de Almotacê inclusive o Capitão Domingos Rodrigues da Silva; para escrivão da Republica o licenciado Mathias de Souza Murça”, e pelo juiz Barreto Leme, foi-lhes dado posse nos respectivos cargos.

Em 18 de março de 1764, foi lavrado termo de eleição de dois juízes ordinários para servirem no “Arraial de São Pedro e Almas do descoberto do desemboque”, eleitos Capitão Pedro da Rocha, com 14 votos, e Francisco Bueno Pedroso, com 11 votos. Foram também candidatos os senhores Domingos Rodrigues Chaves, Pedro Lourenço, José Pedroso e João Machado Prado. Mazzuia não menciona se foi-lhes dado posse antes da chegada do governador de Minas Gerais, Luiz Diogo Lobo da Silva, em setembro daquele mesmo ano. Em 24 de setembro de 1764, foi publicado um bando em Jacuhy, onde o governador reconhecia o pertencimento à Minas das terras compreendidas “dentro da demarcação deste Governo das Minas Geraes as terras que formão os novos descubertos dos Rios de Sam João do Jacuhy, Sam Pedro de Alcantara, Almas, Ribeirão de Sancta Anna até a Serra que termina no Rio Grande e no sitio chamado o Dezemboque, e todos os mais Destrictos”. A posse, dizem testemunhas, foi realizada de forma violenta, tanto na esfera civil quanto religiosa. O então comandante do registro de Jacuhy, Jeronimo Dias Ribeiro, foge para o registro de Itupeva, nas imediações do atual município de Aguaí, SP, fundando, pouco depois, o Registro de São Matheus, que deu origem ao povoamento de Caconde, SP.

Mazzuia ainda escreve, em Jundiaí através de documentos – opúsculo, que, sobre Jacuí, “Não se conhece ao certo, a data em que chegaram ao local os primeiros moradores. Das versões conhecidas, a mais aceita é a que dá o velho Anhanguéra como responsável pelo evento ao construir um pouso á margem de uma estrada que facilitaria os meios de comunicação do extremo com Rio e São Paulo (Terreno doado por Antonio Alves da Costa, em cumprimento de uma promessa feita á São Pedro de Alcantara [...]”.

Jacuhy voltaria a pertencer, a partir de 1775, ao bispado de São Paulo, uma vez que este ingressou com ação em face do cabido de Mariana pelas paróquias do Sul de Minas. E assim permaneceria até 1900, quando a recém-criada diocese de Pouso Alegre coloca termo ao domínio paulista sobre Jacuí.

Aspecto do “Mapa Corographico da Capitania de S. Paulo”, feito pelo engenheiro Antonio Róiz Montezinho, conforme suas observações, feitas entre 1791 e 1792. Arquivo do Museu Paulista. É possível observar as localidades mencionadas na Revista do IHGSP, vol. XXIV, do que se destaca Mogi Mirim, Mogi Guaçu, o Registro de São Mateus, Jacuhy, Cabo Verde e Casa Branca. 


Fontes:

CAMPANHOLE, Adriano et al. Aditamentos à história da fundação de Jundiaí. Jundiaí: FOHAT LUX, 1994.

MAZZUIA, Mário. Jundiaí através de documentos. Campinas: Palmeiras, 1976. 

_________. Jundiaí através de documentos – opúsculo. Jundiaí: edição do autor, 1977.

PAULA SOUZA, F. Reminiscencias da comarca de Jacuhy. In: Revista do Arquivo Público Mineiro, volume IV, 1899, p. 237-274.

SÃO PAULO, Arquivo do Estado. Documentos interessantes para a história e os costumes de São Paulo, vol. XI. São Paulo: Typ. Espindola, Siqueira & Comp., 1896.

domingo, 9 de março de 2025

A PRIMEIRA JORNALISTA DE MOCOCA

Homenagem tardia, porém, oportuna ao Dia das Mulheres


Ao longo do século XIX, diversas práticas eram exercidas exclusivamente pelos homens; é um fato de nossa História recente, inclusive. Curiosamente, em meio ao falocentrismo dominante, Mococa presenciou uma exceção à regra.


Em 1888, era diretora do Collegio de Meninas de Mococa, dona Marianna Carmelitana de Arantes, conhecida popularmente como D. Carmelitana Arantes. Vinda de Passos, MG, onde ocupou cargo como professora de uma escola particular, nasceu em 1845, em Carmo de Minas, MG, filha de Thomas Joaquim de Arantes Marques Junior (1820-1888) e de dona Francisca Carolina de Mello (1826-1900), sendo a primeira filha do casal, que teria outros dez filhos. Professora de formação, tornou-se poetisa e charadista, uma grande colaboradora de almanaques uberabenses, gaúchos e lusitanos.  


Foi em Mococa que, em 1889, começou a circular o jornal O Porvir, cuja redatora era D. Carmelitana Arantes, sendo, portanto, a primeira mulher jornalista de Mococa. Uma vez que se trata de uma folha antiga, não se sabe de exemplares que tenham sobrevivido à passagem do tempo. Contudo, com base em informações da época, é possível aflorar algumas de suas características.


O jornal A Idea, impresso em Curitiba, PR, edição nº 12, de 20 de março de 1889, p. 03, há a seguinte menção:


“Honraram-nos mais com suas remessas os seguintes jornais: [...] O Porvir, redactora D. Carmelitana de Arantes. Pequenino porém um bello periódico. Si sua gentil redactora continuar a nos enviar, nos dará um bello porvir. Publica-se em Mocóca”.


O célebre historiador de Araxá, MG, radicado em Casa Branca, SP, Lafayette de Toledo, em um excelente trabalho, publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, vol. III, em 1898, p. 303-521, informa que Mococa teve tal jornal, e assim o descreve:


“Folha de formato mignon, editada por Adeodado de Alvarenga e da que foi redactora d. Carmelitana Arantes. Era impresso na typographia do Monitor Paulista, e durou pouco tempo” (p. 359).


Quanto a sua redatora, ela mudou-se de Mococa em data incerta. Sabe-se que exerceu o magistério em Campinas, SP, na década de 1910. De Herodes à Pilatos, dividia-se entre São Paulo e Minas Gerais. Em 1932, quando de seu falecimento, o jornal Monitor Mineiro, publicou a seguinte nota, na edição nº 1.062, do dia 28 de fevereiro daquele ano:


“Em Olympia, no Estado de S. Paulo, onde estava residindo, falleceu, há poucos dias, em avançada idade, a distincta senhora exma. d. Marianna Carmelitana de Arantes, prezada irmã do professor Emilio Mario de Arantes, residente em Passos. A extincta, que era poetisa e escriptora de valor, manteve por longo tempo, em Mocóca, onde era estimadíssima, um internato para meninas, tendo prestado relevantes serviços á causa do ensino naquella culta cidade. Á sua distincta família, os nossos sinceros votos de pezar”.


Dona Carmelitana de Arantes é um nome que se perdeu nos alfarrábios da História mocoquense, mas sua atuação, contrariando o que ditava-se nos meandros sociais e políticos de sua época, é digna de ser rememorada! Foi, afinal, a primeira mulher redatora de jornal de Mococa.

Imagem: Poema "Esperança", de autoria de dona Carmelitana de Arantes, publicado no Novo Almanach de Lembranças Luzo-Brazileiro para o ano de 1891, Lisboa, Portugal, 1890.


sábado, 22 de fevereiro de 2025

OS CAPUCHINHOS QUE CONDUZIRAM A PARÓQUIA

Uma pequena prévia do livro "A Igreja do Morro: Levantamento histórico em comemoração aos 70 anos de inauguração da Igreja de Santa Cruz de Mococa-SP"


Por Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti.


Quando o padre João Bueno Gonçalves (1897-1976) assumiu a vice-reitoria Seminário Menor do Imaculado Coração de Maria, em São Roque, SP, os freis capuchinhos do Convento de São José assumiram interinamente a Paróquia de São Sebastião entre os anos de 1949 e 1951, ocasião em que assume o padre Paulo Haroldo Ribeiro (1921-1996). Foram os freis titulares da Paróquia:


I. Frei Germano Maria de Taubaté, em 1949

 Francisco Chisté nasceu em Piracuama, no município de Pindamonhangaba, SP, em 8 de abril de 1913, filho de Henrique Chisté e de dona Escolástica Gonçalves Chisté. Já com seis anos de idade passa a frequentar o Externato de Santa Clara, anexo ao Convento dos Frades Capuchinhos de Taubaté, SP. Ingressou no Seminário Seráfico São Fidélis, em São Manoel, SP, e vestiu o hábito capuchinho em 17 de fevereiro de 1929, no Convento de Santa Clara de Taubaté, assumindo o nome de frei Germano Maria de Taubaté. No Convento de São Paulo, recebeu ordenação sacerdotal em 6 de junho de 1936. Lecionou filosofia no Convento de São José, em Mococa, em 1937. De 1938 até 1942, frequentou a Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, Itália, onde doutorou-se em filosofia e ciências sociais.

Após uma curta estada em Portugal, volta ao Brasil pouco antes de sua pátria ingressar na Segunda Guerra Mundial. Ocupou diversos cargos na Igreja e no magistério sacerdotal. Em 31 de janeiro de 1949, assume a Igreja Matriz de São Sebastião de Mococa, onde permanece até 31 de dezembro do mesmo ano. É lembrado como um devotado capuchinho e um exímio orador e pregador. Retornou à Mococa inúmeras vezes, participando de solenidades. Faleceu em 4 de fevereiro de 2004, no hospital Ana Costa, na cidade de Santos, SP, aos 91 anos de idade.

 

II. Padre Frei Marcos Maria de Alvares, de 1950 até 1951

Pe. Marcos era argentino, natural de Álvares, onde nasceu em 8 de setembro de 1909, filho de Bortolo Brevi e de dona Raquel Bellotti. Seu nome secular era Marcos Brevi. Esteve em Lins, SP, onde recebeu sua Crisma, a Primeira Comunhão e iniciou seus estudos. Foi membro da Ordem Franciscana Secular. Esteve à frente da paróquia de 1º de janeiro de 1950 até 3 de janeiro de 1951. Em 15 de agosto de 1950, realizou a benção do órgão Hammond da Igreja Matriz. Sabe-se que era mestre dos noviços no Convento de Santa Clara em Taubaté, SP, nos anos de 1950, após seu paroquiato em Mococa. Em 1963, foi nomeado vigário de Conchas, SP. Não foi possível, infelizmente, encontrar maiores informações sobre sua vida. Faleceu em 1º de agosto de 1986. 

 

III. Frei Atanásio Maria de Piracicaba, em 1951

Francisco Belotto nasceu em Piracicaba, SP, no dia 1º de maio de 1919, filho de Eugênio Bellotto e de dona Maria Antônia Clemente. Ingressou no Seminário de São Fidélis, em Piracicaba, em 2 de novembro de 1921. Integrou a Ordem Franciscana Capuchinha, tendo assumido o nome de frei Atanásio Maria de Piracicaba, sendo ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 1944.

Foi pároco de Mococa de 4 de janeiro até 14 de julho de 1951. Retorna para Piracicaba em 1952, atuando na Capela de Santa Cruz desta cidade. Entre 1953 e 1955, foi frei-diretor da União das Apóstolas da Caridade de Nossa Senhora de Lourdes, em Botucatu, SP, cidade em que permanece até meados de 1981, quando retorna para Piracicaba como Superior do Seminário. Faleceu em 12 de dezembro de 2000.


JOSÉ CHRISTÓVÃO DE LIMA E SUA HISTÓRIA

  Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti Instituto Histórico e Cultural de Arceburgo Instituto Bruno Giorgi   Imagem gerada com ...